quarta-feira, 31 de março de 2010

A Casa das Sete Mulheres


Autoria: Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão
Direção: Teresa Lampreia
Direção geral: Jayme Monjardim e Marcos Schechtman
Direção de núcleo: Jayme Monjardim
Período de exibição: 07/01/2003 – 08/04/2003
Horário: 23h
Nº de capítulos: 53

Elenco:
Adriano Garib – Caramuru
Alexandre Lemos – Marco Antônio
Ana Beatriz Nogueira – Dona Rosa
André Luiz Miranda – Netinho
André Mattos – Pedro Boticário
Ângelo Antônio – Tito Lívio Zambeccari
Antônio Gonzalez
Antônio Pompeo – João Congo
Amanda Lee – Luzia
Aracy Cardoso
Ariclê Perez – Madre Cecília
Arietha Corrêa – Bárbara
Beatriz Browne – Angélica
Bete Mendes – Dona Ana Joaquina
Blota Filho – estancieiro
Bruno Gagliasso – Caetano
Bukassa Kabengele – Zé Pedra
Carla Regina – Tina
Camila Amado – mãe de Anita
Camila Morgado – Manuela
Camilo Bevilacqua
Carla Diaz – Angélica
Carlos Machado Filho – Marco Antônio
Carmo Dalla Vechia – Batista
Cinira Camargo – china
Chico Expedito – caramuru
Christiana Guinle – Irmã Damiana
Christiane Tricerri – Quitéria
Cláudio Correa e Castro
Cláudio Gabriel – caramuru
Creo Kellab – Marcelino
Dado Dolabella – Bentinho
Dalton Vigh – Luigi Rosseti
Daniela Escobar – Perpétua
Douglas Simon – Teixeira Nunes (Gavião)
Eliane Giardini – Caetana
Fábio Dias – Ignácio Bilbao
Gabriel Gracindo – Eduardo
Gilberto Marmorosch
Gilson Moura – Moringue
Giovanna Antonelli – Anita
Gustavo Assis
Heitor Martinez – João Gutierrez
Ilya são Paulo – caramuru
Irene Ravache – Madalena Aguilar
Ítala Nandi – Francisca
Jandir Ferrari – João Silvério
Jandira Martini – Dona Antônia
João Carlos Barroso – soldado
João Velho – Leon
José de Abreu – Onofre Pires
José Dumont – comandante do forte
Juliana Paes – mulher embuçada (a Teiniaguá)
Juliana Tomaz – china
Juliano Righetto – Lorenzo
Lafayette Galvão – padre
Lucas Rocha – Marco Antônio
Luis Mello – Bento Manoel Ribeiro
Manuela do Monte – Joana
Marcello Novaes – Inácio
Marcos Barreto – Paulo
Maria Mariana – Aninha
Mariah da Penha – Viriata
Mariana Ximenes – Rosário
Mary Sheyla – Beata
Maurício Gonçalves – Terêncio
Murilo Rosa – Afonso Corte Real
Ney Latorraca – Araújo Ribeiro
Nívea Maria – Dona Maria
Norma Geraldy – Manuela (velha)
Oscar Simch – Davi Canabarro
Othon Bastos – Crescêncio
Paulo Reis
Pedro Malta – Leon
Renato Medina – Carniglia
Ricardo Pavão – comerciante
Ricardo Herriot – John Griggs
Riddan Pires – Domingos de Almeida
Roberto Bomtempo – Manoel Aguiar
Roberto Pirillo – Mena Barreto
Roberto Frota
Rodrigo Faro – Joaquim
Rosi Campos – Consuelo
Sabrina Greve – Tereza
Samara Felippo – Mariana
Sebastião Vasconcelos – Antônio
Sérgio Vieira – Leon
Sérgio Viotti – padre Cordeiro
Stepan Nercessian – Sabino
Tarciana Saad – Anahy
Tarcísio Filho – Netto
Theodoro Cochrane – Pedro
Thiago Fragoso – capitão Estevão
Thiago Lacerda – Giuseppe Garibaldi
Tonico Pereira – padre Roberto
Viviane Porto – Zefina
Werner Schünemann – Bento Gonçalves
Zé Carlos Machado – Anselmo
Zé Victor Castiel – Chico Mascate


A Trama:
- Livremente adaptada da obra homônima da escritora gaúcha Leticia Wierzchowski, o enredo de A Casa das Sete Mulheres narra a trajetória de personagens reais e fictícios durante a Revolução Farroupilha – movimento separatista antiimperial ocorrido na então província do Rio Grande (1835-1845).
- Em meados da década de 1830, a situação política brasileira se agita. Com a abdicação de D. Pedro I, os regentes que assumem o governo não conseguem pacificar o país. Em todo o Brasil, começam a estourar revoltas lideradas por homens com desejo de se liberar do jugo do Império. No Sul, uma dessas revoltas é a Revolução Farroupilha, conhecida também como a Guerra dos Farrapos. Os revolucionários exigem a deposição do presidente da Província e a adoção de uma nova política.
- A história se desenvolve a partir da ótica das mulheres da família de Bento Gonçalves (Werner Schünemann), líder dos farrapos, e tem como pano de fundo as ações desses homens nas batalhas contra as tropas do Império. Durante dez anos, tempo que durou o confronto, Ana Joaquina (Bete Mendes), Maria (Nívea Maria), Manuela (Camila Morgado), Rosário (Mariana Ximenes), Mariana (Samara Felippo), Caetana (Eliane Giardini) e Perpétua (Daniela Escobar) refugiaram-se numa estância isolada e de difícil acesso, a Estância da Barra, esperando pela volta definitiva de seus maridos, filhos, tios, sobrinhos, primos e irmãos.
- Ana Joaquina é a dona da estância. Irmã de Bento Gonçalves, é conciliadora, bondosa e prática. Sua irmã, Maria, é a mais severa das sete mulheres. Amarga e fria, às vezes chega à crueldade. É casada com Anselmo (Zé Carlos Machado), com quem tem três filhas mulheres: Manoela, a heroína romântica da história, uma jovem doce, com uma sensibilidade especial; Rosário, frágil e sonhadora; e Mariana, irreverente e sempre bem-humorada. Caetana é a esposa de Bento Gonçalves. Bonita e valente, tem o temperamento forte e é muito determinada. É mãe da jovem e bela Perpétua, a mais racional das mulheres da casa. Muito reservada, Perpétua tem dificuldade de dizer o que sente. Além das sete personagens femininas centrais, há Antônia (Jandira Martini), irmã mais velha de Bento Gonçalves, que vive em uma estância próxima à de Ana e está sempre visitando os parentes. Seu temperamento jovial a faz uma mulher alegre e adorada por todos.
- Os infindáveis anos de guerra transformam a vida de todas as mulheres da história. As anotações de Manuela em seu diário conduzem a narrativa, que, além de traçar um histórico da guerra, fala sobre amores, amizade, frustrações e esperança através do convívio daquelas sete mulheres com idades e temperamentos diferentes.
- Manuela se apaixona pelo italiano Giuseppe Garibaldi (Thiago Lacerda) no segundo capítulo da minissérie, quando o revolucionário chega ao Brasil e conhece Bento Gonçalves. Em seguida, ele se hospeda na estância de Ana, onde é recebido por Manuela. Ela fica fascinada por Garibaldi. Seus pais, no entanto, não gostam da aproximação, pois desejam que a filha se case com Joaquim (Rodrigo Faro), um dos filhos de Bento Gonçalves. Mas Manuela e Garibaldi se envolvem, e ele promete casar-se com ela.
- O destino, porém, acaba mudando os rumos do apaixonado casal. Durante uma batalha, Anselmo é atingido quando tenta proteger Bento Gonçalves. Antes de dar seu último suspiro, pede que o cunhado lhe prometa que casará a filha Manuela com Joaquim. Quando Garibaldi pede a mão da jovem a Bento Gonçalves, ele explica que ela já está prometida a outro homem. Garibaldi, então, deixa uma carta para Manuela e parte para a guerra. Ela sofre e passa a ter visões de seu grande amor, que acaba se envolvendo com outra mulher, a valente Anita (Giovanna Antonelli). Casada com Manuel (Roberto Bomtempo), um oficial das tropas imperiais, ela decide abandonar o marido e juntar-se aos revolucionários quando conhece e se apaixona por Garibaldi. Forte e corajosa, acaba despertando o interesse de Garibaldi, que, aos poucos, se esquece de Manuela e rende-se à Anita.
- Paralelamente ao triângulo amoroso formado por Manuela, Garibaldi e Anita, o romance entre Rosário e o oficial caramuru Estevão (Thiago Fragoso) é outra trama de destaque na história. No início da narrativa, ele, um capitão das tropas imperiais, protege Rosário quando ela é perseguida por oficiais de sua própria tropa. Os dois se apaixonam à primeira vista. Depois, Estevão é atingido e fica gravemente ferido. Escondida de todos, Rosário o leva para a estância e, com a ajuda da criada Luzia (Amanda Lee), cuida dele. Ao se recuperar, Estevão parte, prometendo voltar. A família de Rosário deseja que ela se case com Afonso Corte Real (Murilo Rosa), um dos oficiais de confiança de Bento Gonçalves, mas ela o rejeita, deixando claro que ama outro homem. Mesmo sem notícias de Estevão, Rosário não desiste de esperá-lo. Todos os indícios indicam que ele está morto, mas ela não acredita.
- O fantasma de Estevão começa a aparecer para Rosário, que, a cada dia, fica mais perturbada. Preocupada com a filha, Maria decide levá-la a um convento. Lá, ela continua a ver Estevão, e os dois passam a viver um romance transcendental. No final da história, Rosário morre no convento, misteriosamente, sem que ninguém identifique a causa. Ela se encontra com Estevão, os dois se beijam, e ele pede para ela ir com ele. Os dois corpos desaparecem, e na seqüência o corpo de Rosário é levado para e estância da Barra. Ao ver a irmã, Manoela diz: “Ela morreu do desejo de morrer. Era isso que ela queria e conseguiu”.
- A terceira das três filhas de Maria e Anselmo, Mariana, também fará Maria sofrer. A jovem se envolve com João Gutierrez (Heitor Martinez), peão da estância. Os dois terão que enfrentar muitos obstáculos para ficarem juntos, pois são de condições sociais distintas. Ao saber que a filha está grávida de João, Maria se desespera. Ela chega a atirar no peão, mas não o fere. Transtornada, Maria prende a filha no quarto, e Mariana sofre. Chocada com a atitude da irmã, Antônia ordena que ela abra a porta do quarto e diz que levará Mariana para sua casa. No final da história, ela e João ficam juntos, com o pequeno Matias. Antônia decide passar a estância para o nome dos dois, deixando-os emocionados.
- O drama amoroso de Pérpetua também ganha destaque na narrativa. Ela se envolve com Inácio (Marcelo Novaes), seu vizinho, casado com Tereza (Sabrina Greve). Perpétua sente-se culpada, pois beijou Inácio sem saber que ele era um homem comprometido. Para complicar ainda mais sua situação, Tereza adoece, e Caetana pede que Perpétua cuide dela. Em determinado momento da trama, Tereza morre, mas antes pede a Perpétua que fique com Inácio. Os dois, finalmente, estão livres para viver seu amor. No final da história, Perpétua dá à luz uma menina, a quem chama de Tereza.
- O grande vilão da minissérie é Bento Manuel (Luis Melo), um personagem chave na história. Rico e poderoso, é um guerreiro habilidoso e exímio estrategista e torna-se um dos grandes nomes da revolução. Traiçoeiro, porém, muda de lado na guerra ao sabor das suas ambições. Começa combatendo ao lado dos rebeldes, mas logo passa a integrar as tropas imperiais. Mais tarde, muda de lado outra vez, passando a lutar com os farrapos, e, em seguida, aceita a proposta para lutar ao lado do Barão de Caxias contra Bento Gonçalves, que chega ao Rio Grande do Sul com o objetivo de esmagar a República Rio-Grandense e governar a Província. O único traço de fidelidade de Bento Manuel está no amor que nutre por Caetana, mulher de Bento Gonçalves, de quem ele sente grande inveja. Durante uma batalha, Bento Gonçalves finalmente consegue liquidar seu maior inimigo, mas ele sobrevive. Ao final da trama, Bento Manoel vai cobrar de Teiniaguá (Juliana Paes), o diabo com quem fez um pacto, a parte no trato: ficar com Caetana. Ela responde que o diabo não tem poder sobre o que pertence a Deus. Bento Manoel, então, põe fogo na caverna onde ela se esconde, e os dois desaparecem.
- A história dá uma reviravolta quando Manuela decide ir atrás de Garibaldi em Laguna, em meio à guerra. Ela resolve ajudar os soldados feridos e, assim, ficar perto de seu grande amor. Ao ver Manuela, ele fica perturbado, mas já está envolvido por Anita, que também lutará com toda força para tê-lo ao seu lado. Anita engravida de Garibaldi, e, por ironia do destino, ele pede que Manuela faça o parto da criança. Quando o bebê nasce em suas mãos, ela sofre ao ver a felicidade do homem que ama. Para proteger sua família, Garibaldi decide ir para o Uruguai com a mulher e o filho.
- Depois de inúmeras batalhas e tentativas de acordo, a paz finalmente é assinada. O novo comandante das forças imperiais e presidente da Província, o futuro Duque de Caxias, assina a paz com os farrapos através do Tratado de Poncho Verde. O Rio Grande do Sul volta a fazer parte do Império do Brasil, e todos comemoram. Apesar da vitória militar do Império, a Guerra dos Farrapos significou a consolidação do Rio Grande do Sul como grande força política do país. Bento Gonçalves e sua família finalmente voltam para casa. Manuela, por sua vez, aceita se casar com Joaquim, mas ele desiste do casamento ao perceber que ela ainda ama Garibaldi. Joaquim acaba se envolvendo com a bela Joana (Manuela do Monte), que se declara apaixonada por ele.
- No decorrer da história, descobre-se que Maria, quando jovem, engravidou de seu grande amor, mas tirou a criança por não ter coragem de enfrentar o pai e romper com o casamento arranjado para ela. Reprimida e muito infeliz, ela decidiu nunca mais procurar o homem que amou de verdade. Nos capítulos finais da minissérie, Maria decide procurar por esse homem e descobre que seu pai mandou matá-lo assim que ela se casou com Anselmo.
- Ao final da guerra, Maria volta para Pelotas sem nenhuma das três filhas: Rosário morre; Mariana fica na estância de Antônia e Manuela não aceita voltar para Pelotas com a mãe. Ela termina a história sozinha, escrevendo em seu diário. Manuela conta que seu tio, Bento Gonçalves, morreu dois anos após o final da guerra, vítima de pleurisia. Ao final, ela diz: “Coube a mim contar essa história, povoada de heróis, amor e morte, aquecida pela minha grande paixão por Garibaldi, por quem sempre esperei até o fim”. Nesse momento, a câmera dá um close nos olhos azuis de Manuela e, numa fusão, vemos a personagem anos mais velha (Norma Geraldy), emocionada, escrevendo em seu diário.
- Outros personagens importantes na trama são Netto (Tarcísio Filho), David Canabarro (Oscar Simch) e Onofre (José de Abreu), homens que lutaram com bravura ao lado de Bento Gonçalves. É Netto quem proclama a República Rio-Grandense, que veio a ter como presidente Bento Gonçalves. Íntegro e muito reservado, vive uma história de amor com Mariana.
- Através da narrativa, a minissérie discute a formação étnica, cultural e geográfica do Rio Grande do Sul e o papel das mulheres na sociedade e na guerra. Outro ponto importante abordado pela trama é a história dos negros levados para a região, que tiveram importante influência na organização e operação das charqueadas – uma das atividades econômicas principais do estado na época – e papel de destaque na Guerra dos Farrapos. Através do núcleo formado por João Congo (Antonio Pompêo), criado pessoal de Bento Gonçalves; o capataz Terêncio (Maurício Gonçalves) e sua mulher Zefina (Viviane Porto); e os criados Luzia (Amanda Lee) e Zé Pedra (Bukassa Kabengele), que ganhou esse nome por ser extremamente discreto, a minissérie mostrava que os escravos das estâncias não estavam submetidos à estrita vigilância nem eram atirados às senzalas, como acontecia em outras províncias do Brasil.

Produção:
- Para a reconstituição dos fatos históricos foi necessária uma pesquisa rigorosa de todas as áreas envolvidas na produção. O elenco também passou por um intenso trabalho de preparação, iniciado dois meses antes das gravações – que incluiu aulas de montaria, esgrima e noções sobre os costumes gaúchos, expressão corporal e prosódia, além de algumas habilidades específicas de acordo com cada personagem. Também foram realizadas palestras com historiadores e especialistas na Revolução Farroupilha, como o professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul César Guazelli.
- As gravações externas da minissérie aconteceram em quatro cidades do Rio Grande do Sul: Cambará do Sul, São José dos Ausentes, Pelotas e Uruguaiana. Nesta última, foram realizadas cenas de batalhas que envolviam cerca de 150 figurantes por dia em cenários grandiosos. Uma das batalhas apresentadas em A Casa das Sete Mulheres narra o final do longo cerco de Porto Alegre, no qual o exército republicano liderado por Netto é traído por Bento Manoel e batido pelas tropas do Império.
- As duas fazendas usadas como cenário, ambas datadas do século XIX, estavam localizadas em Pelotas. A Charqueada São João, de 1810, uma construção em estilo colonial português, serviu de cenário para as gravações da fachada da Estância da Barra, onde as mulheres viveram durante os dez anos da Revolução Farroupilha. As cenas de banhos de cachoeira e as tomadas de helicóptero sobre os canyons foram feitas em São José dos Ausentes. Em Uruguaiana, a equipe filmou as seqüências de batalha. No primeiro dia de gravação na cidade, choveu torrencialmente durante todo dia, atrapalhando o trabalho da equipe. Ao anoitecer, uma faixa de luz surgiu no horizonte e um arco-íris duplo se formou de ponta a ponta onde a tropa de Bento Gonçalves estava posicionada, prontos para iniciar a gravação. No último dia em que a equipe gravaria na cidade, um belo pôr-do-sol ajudou a compor uma das cenas mais fortes da narrativa: durante um ataque surpresa das tropas imperiais, Anselmo é atingido no peito ao tentar proteger o cunhado Bento Gonçalves. Ao todo, foram 40 dias de viagem pelo Rio Grande do Sul em que cerca de 2.500 pessoas participaram das gravações.
- Para a seqüência em que a tropa de Garibaldi se esforça para levar por terra os barcos Seival e Farroupilha, puxados por parelhas formadas por 48 bois, foram contratados oito carros-pipa para simular chuva. Foi preciso criar pesadas rodas de madeira de 1,80 metros de altura, às quais foram atrelados os barcos de cerca de 12 metros, um pouco menores do que os originais. O Seival da minissérie foi construído no Rio de Janeiro e montado em Urugaiana. Já o Farroupilha era um barco da região que foi adaptado para as gravações das cenas.
- Além das locações na região Sul do país, A Casa das Sete Mulheres também teve gravações nos estúdios e na cidade cenográfica do Projac, no Rio de Janeiro. A equipe de cenografia recriou os ambientes interiores, as áreas externas das estâncias e as ruas de Pelotas, Porto Alegre, Caçapava e Laguna. Cascas de arroz foram utilizadas na cidade cenográfica de modo que dessem um colorido amarelo à paisagem. A estância onde ficavam as sete mulheres reproduzia a arquitetura colonial portuguesa da época. Com aproximadamente 400 metros quadrados, o cenário era composto por cinco quartos, adega, cozinha, biblioteca, capela, pátio, sala de estar com lareira, sala de jantar e banheiro. As paredes tinham detalhes de ornatos e pinturas, como se estivessem desgastadas pelo tempo.
- Tanto a cenografia quanto o figurino e a produção de arte não tiveram uma preocupação rigorosa de reproduzir a época da minissérie, com exceção das cenas históricas. A composição estética da minissérie era feita para atender à direção, que priorizou o tom mágico. A figurinista Marília Carneiro, por exemplo, criou roupas seguindo uma estética européia e o impressionismo de cores e formas. Manuela, por exemplo, usa vestidos com mangas medievais. As quatro jovens da casa seguem variações da mesma cor e formato em suas roupas. Enquanto Manuela aparece em tons de salmão e rosa, Rosário está sempre de azul, Perpétua, de creme, e Mariana, de verde. Todos os figurinos são em tons pastéis. Já Ana Joaquina, Maria e Antônia usam tons de cinza e marrom. A sensual Caetana usa vestidos vermelhos e azuis escuros. Entre os homens, destaca-se a diferença entre as fardas usadas pelos soldados imperiais e farroupilhas. No início, Garibaldi usa capa, boina e roupas de seda, mas, com o passar do tempo, adota a camisa vermelha e o lenço dos farrapos. Para criar o figurino de Anita, a equipe se baseou em quadros do pintor Toulouse Lautrec e nas vestimentas dos peões gaúchos, pois a iconografia sobre a personagem é pequena. Para a caracterização dos personagens, todas as atrizes e alguns homens do elenco usaram apliques nos cabelos, para torná-los longos e bastos.
- A produção de arte baseou-se nos trabalhos de Nico Fagundes, especialista na Revolução Farroupilha. Todos os objetos e peças de cena foram produzidos especialmente para a minissérie, desde as roupas de cama e mesa a barris, cerâmicas, chaleiras, cuias de chimarrão, espadas, bandeiras, entre outras coisas. Um dos objetos que merece destaque é o diário utilizado pela personagem Manuela, todo ele escrito por um calígrafo.

Curiosidades:
- A Casa das Sete Mulheres marcou a estréia dos atores Werner Schünemann e Camila Morgado na televisão. Os atores tiveram excelente desempenho na minissérie e receberam muitas críticas favoráveis. Em setembro de 2003, Camila Morgado recebeu o prêmio Austregésilo de Athayde – destinado aos 50 profissionais que mais se destacaram no cenário artístico, cultural e empresarial da cidade do Rio de Janeiro – como atriz revelação.
- A empatia do público com a atriz Camila Morgado e sua Manuela foi tamanha que chegaram à Rede Globo dezenas de cartas e e-mails pedindo que a personagem terminasse a história ao lado de seu grande amor, Garibaldi.
- Nívea Maria também foi muito elogiada pelo seu desempenho como a amarga Maria, mãe de Manuela, Rosário e Mariana.
- A minissérie alcançou altos índices de audiência, sendo elogiada pela bela fotografia, que ressaltava as exuberantes paisagens da Serra Gaúcha, e pelas cenas de batalha.
- Alguns historiadores criticaram a forma pela qual a minissérie retratou a Guerra dos Farrapos, idealizando o líder gaúcho Bento Gonçalves. Segundo eles, a história apresentada mostrava Bento Gonçalves como um homem decidido a acabar com as injustiças sociais, enquanto os brasileiros que lutavam ao lado do Império eram apresentados como vilões. Outro fato alvo de críticas foi a geografia do estado do Rio Grande do Sul apresentada pela minissérie. Na trama, regiões que estavam a centenas de quilômetros de distância pareciam próximas.
- Devido à boa repercussão da minissérie, o romance de Leticia Wierzchowski, lançado em abril de 2002, vendeu mais de 30 mil exemplares em três semanas. Antes da minissérie estrear, o livro tinha vendido 13 mil exemplares.
- Foi inserida na narrativa o conto A Salamanca do Jarau, de Simões Lopes Neto, através da relação de Bento Manoel com a Teiniaguá (Juliana Paes). Diz-se que Bento Manoel tinha um pacto com o diabo.
- Inicialmente, o último capítulo da minissérie estava previsto para ir ao ar no dia 04 de abril 2003, uma sexta-feira, mas acabou sendo adiado para o dia 08, terça-feira seguinte.
- Em 2003, A Casa das Sete Mulheres foi premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte com o Grande Prêmio da Crítica. No mesmo ano, Nívea Maria levou o prêmio de melhor atriz por seu desempenho como Maria.
- As belas cenas de A Casa das Sete Mulheres tornaram-se uma série comemorativa de cartões telefônicos, e o livro A Revolução Farroupilha Através da Minissérie A Casa das Sete Mulheres, de Valentina Nunes, (Editora Globo, 2003) registrou a herança da história através das suas imagens.
- Em 2004, a minissérie foi lançada em DVD.
- A minissérie foi vendida para uma das principais emissoras regionais da Espanha, canal líder da Catalunha, TV 3-TV Catalunya. O acordo incluiu a dublagem para o idioma catalão.
- A Casa das Sete Mulheres foi reapresentada entre 15 de agosto e 22 de setembro de 2006.
- No dia 18 de maio de 2010, a minissérie voltou a ser reprisada no novo canal da globosat, Viva.

Trilha sonora:
- A trilha sonora da minissérie trazia sucessos na voz de Gal Costa (Merceditas), Zizi Possi (Passione), Milton Nascimento e Maria Rita (Tristesse) e Leila Pinheiro (Uma Voz no Vento). A seleção trazia também uma canção interpretada por Rodrigo Faro (La Media Vuelta), que integrava o elenco da minissérie como Joaquim.
- Também foi lançada uma trilha sonora complementar chamada Sete Vidas, Amores e Guerras, toda assinada pelo compositor e violinista Marcus Vianna. O CD foi lançado pelo selo Sonhos e Sons, de Marcus Vianna.




Fonte: Memória Globo


4 comentários:

Nosso querido diário disse...

Oi, estou assitindo pela 2x a minissérie, e adorei esclarecer algumas dúvidas atravéz do seu blog. Parabéns.

Cláudia disse...

Olá! Assisti a miniserie sem saber que sou trineta de Manuela.E hoje me sinto orgulhosa de pertencer a familia dessa grande mulher.
Cláudia Sanches

Dago Afonso disse...

Ola adorei olhar a minissérie, e olho sempre que posso, as vezes até me emociono com as cenas e sinto pena não ter vivido num tempo, para ter aproveitado e conservado tantas riquezas que se perderam principalmente os rumos que tomaram após a guerra os familiares de nossos heróis, restam apenas o relatos de Manuela. Que Deus guarde sempre nosso Eterno Bento Gonçalves.
Dagoberto.

Juliana Correia disse...

Minissérie maravilhosa, tenho o dvd, os livros, os cds, e sempre estou revendo tudo,pra mim foi a melhor minissérie lançada pela globo.