quarta-feira, 31 de março de 2010

Amazônia - De Galvez a Chico Mendes



Autoria: Glória Perez
Direção: Marcelo Travesso, Pedro Vasconcellos, Carlo Milani, Roberto Carminatti e Emilio Di Biasi
Direção geral: Marcos Schechtman
Período de exibição: 02/01/2007 – 06/04/2007
Horário: 23h
N de capítulos: 55

Elenco:
Acacio Ferreira – capataz
Adalberto Nunes – pai de Heraldo
Adassa Martins – Rosilda
Adilson Magha – Raimundão
Adriano Garib – advogado
Alessandra Maestrini – Soledad
Alessio Abdon de Castro – Binho
Alex Reis – aluno
Alexandre Basilio – policial
Alexandre Borges – Plácido de Castro
Alexandre Liuzzi – Elson Martins
Alonso Gonçalves – Santivanez
Ana Paula Bouzas – Cida
Anderson Müller – Osmarino
André Arteche – Toinho
André Gonçalves – Zuca / Zé Ambrósio
André Luiz Rocha – cocheiro com Tavinho
Antonio Calloni – Padre José
Antonio Petrin – prefeito Gabino Besouro
Antonio Pitanga – Alcedino
Arlindo Lopes – Alcides
Arthur Kohl – amigo de Gomes
Aury Porto – Limirio
Bayard Tonelli – maestro
Bebeto Baía – seringueiro
Beno Bider – deputado
Bernardo Rebello – Guto
Bertrand Duarte – padre Cláudio
Betina Vianny – Aída
Betty Gofman – Amelinha
Beto Quirino – Cesarino, 2ª fase
Bianca Comparato – Celinha, 3ª fase
Brenda Haddad – Ritinha
Bruna Marquezine – filha de Wilson
Bruno Abrahão – Chico Mendes, criança
Caca Amaral – José Galdino
Cacau Hygino – homem
Cacau Melo – Diná
Caco Baresi – homem
Caio Blat – Ramiro
Camila Rodrigues – Ciça
Cândido Damm – Uhthoff
Carmelita Menezes – Luisa
Carolyna Aguiar – amiga Risoleta
Cássio Gabus Mendes – Chico Mendes
Cássio Pandolfi – Paravicini
Carl Schumacher – pai de Ilka
Carlos Estupiã – rapaz cortador
Carlos Faccin – Comandante
Carlos Sato – japonês
Carolina Holanda – Carminha
Cecília Lage – senhora
Charles Myara – Raimundo Doido
Chica Xavier – velha
Chico Santana – Jaime
Christiane Torloni – Maria Alonso
Christovam Netto – Zeca
Clarice Derziê – Joana
Clarisse Baptista – Zilá, 2ª fase
Cláudio Jaborandy – Benedito
Claudio Marzo – Ramalho Jr.
Clemente Viscaíno – Rodriguez
Clementino Kele – seringueiro velho
Cosme dos Santos – seringueiro
Crispim Junior – Delegado
Cristiana Oliveira – mulher de Bento
Cristovam Netto – Mestre Irineu
Cyria Coentro – Socorro
Dan Stulbach – Leandro, 2ª fase
Daniela Pinto – Delzuite, 1ª fase, criança
Debora Bloch – Beatriz
Dico Pantaleão – policial
Diego Guerra – rapaz que beija Ritinha
Diogo Vilela – poeta Juvenal Pontes
Duda Mamberti – Nassif
Duda Ribeiro – Doutor
Edmo Luis – Pascoal
Edney Giovenazzi – Silveira
Eduardo Galvão – Joaquim Victor
Eduardo Moreira – Arquilau
Emerson Montovani – soldado boliviano
Emilio Di Biasi – Dom Moacyr, 3ª fase
Emilio Orciollo Neto – Bento, 2ª fase
Eriberto Leão – Genesco
Ernani Moraes – Tiburtino
Eunice Bahia – Ayani
Eva Todor – Branquinho
Fabio Tomasini – Gal. Olympio
Fernanda Carvalho – Detinha
Fernanda Paes Leme – Belinha
Fernando Paganote – menino escola
Flavia Guedes – Marilsia
Flaviano de Oliveira – homem
Franciely Freduzeski – Amparito
Francisco Alencar – seringueiro que vai casar
Francisco Carvalho – Seu Moacir
Francisco Cuoco – Augusto, 3ª fase
Francisco Silva – seringueiro
Gabriela Barbosa Rodrigues e Silva – menina, cozinha
Gaspar Filho – assassino de Wilson
Giovanna Antonelli – Delzuite, 1ª e 2ª fase
Graça de Andrade – Waldizia
Gustavo Mello – Bento, 1ª fase, criança
Guti Fraga – paulista
Heitor Goldflus – Aldemar
Helena Giffoni – parteira
Helio Ribeiro – locutor
Henry Pagnoncelli – Proença
Humberto Martins – Augusto, 2ª fase
Humberto Martins Duarte Filho – menino
Igor Magalhães Almassy – Ramiro, 1ª fase
Ilya São Paulo – Viriato
Irene Ravache – Beatriz
Isabela da Cunha Rodrigues – Elenira
Isio Ghelman – Mr. Scott
Ivan de Almeida – Leorne
Ivens Godinho – Siqueira
Jackson Antunes – Bastião
Janaína Prado – Cleonice, 2ª fase
Jandira Martini – Donana, 2ª fase
Jassy Oliveira – Generina
Javert Monteiro – Coronel 1, 1ª fase
Jayme Del Cueto – juiz
Jayme Periard – Rebello
João Junior – seringueiro moribundo
João Miguel – Heraldo
João Signorelli – Ruy
José Antonio Gomes – Genésio
José de Abreu – Coronel Firmino Rocha
José Ramos – Zuca
José Wilker – Luiz Galvez Rodrigues de Arias
Josimar Mello – Mundinha
Juca de Oliveira – José de Carvalho
Julia Cruz de Souza – mulher
Julia Lemmertz – Risoleta
Juliana Alves – Áurea, 2ª fase
Julio Adrião – Távora
Julio Andrade – João Maia
Jurandir Oliveira – Russo
Kadu Moliterno – Souza Braga
Karla Martins – D. Filó, 2ª fase
Leona Cavalli – Justine, 1ª fase
Leonardo Medeiros – Wilson Pinheiro
Leopardo Yawabane – índio
Leopoldo Pacheco – Adrian
Letícia Spiller – Anália
Lima Duarte – Bento, 3ª fase
Lourdes de Moraes – Irmã Zélia
Luci Pereira – Jovina
Luis Bacelli – Campelo, 1ª fase
Luiz Fernando Coutinho – Professor
Luiz Vitalli
Magda Gomes – Bá de Augusto
Magdale Alves – Angelina
Malu Valle – Julia
Mano Melo – homem acreano
Marcello Gonçalves – Trindade
Marcelo Aquino – ecologista
Marcelo Assumpção – Tenente
Marcelo Borghi – homem
Marcelo Capobianco – João da Matta
Marcelo Dias – policial 2
Marcelo Faria – Romildo
Marcia do Valle – Diva
Marcio Seixas – locutor
Marcio Vito – Clemente
Marco Antonio Rosas – homem
Marcos Winter – Neto
Mariana Ribeiro – mulher Plácido
Mariangela Cantu – mãe de Ilka
Marina Filizola – Zulmira
Mario Hermeto – locutor quermesse
Matheus Nachtergaele – Poeta
Maurício Gonçalves – Irineu, jovem
Melise Maia – enfermeira
Milena Toscano – Ilca Jobim
Milton Gonçalves – Mestre Irineu Serra
Murilo Elbas – Alexandrino
Murilo Grossi – Delegado da Polícia Federal
Mussunzinho – Dico
Nardel Ramos – policial
Natalio Maria – seringueiro velho 3
Neusa Borges – Zefinha
Nildo Parente – tio de Plácido
Nilvan Santos – seringueiro
Norival Rizzo – José Maia
Octacilio Coutinho – seringueiro
Odilon Wagner – Alarico
Osmar Prado – Gianni
Osvaldo Mil – Raimundão
Paschoal Vilaboim – Genésio
Patrick de Oliveira – Alípio
Pattricia de Aquino – mulher de Wilson
Paula Pereira – Maroca, 2ª fase
Paulo Ascenção – soldado
Paulo Betti – Gomes
Paulo Cesar Pereio – poeta 1, 1ª fase
Paulo Giardini – Juiz Longhini
Paulo Goulart – Tavares, 3ª fase
Paulo Nigro – Tavinho
Paulo Vespúcio – Alexandrino
Pedro Furtado – Carlinhos, 2ª fase
Pedro Magaldi – Augusto, infância
Pedro Paulo Rangel – Conrado
Pimentha Junior – rapaz armazém
Raul Franco – Geraldo
Ravi Lacerda – seringueiro 2
Regina Casé – Maria Ninfa
Renato Oliveira – Valdo
Ricardo Bravo – Lino Romero
Ricardo Magaldi
Ricardo Petraglia – Darly
Roberto Azzolinni – homem (palácio do governo)
Roberto Bonfim – Elias
Roberto Frota – Pedro Freire
Rogerio Barros – seringueiro professor
Ronaldo Dappes – Augusto, adolescência
Rony Cássio – Amâncio, 2ª fase
Rosane de Souza – outro dia
Rosimar de Mello – Mundinha
Ruth de Souza – madrinha entrevada, 2ª fase
Sergio Lelys – capataz
Sergio Monte – Tavares
Sheron Menezes – Veronica, 2ª fase
Silvia Buarque – Mary Alegretti
Silvio Pozatto – Reitor
Simone Debet – babá
Sóstene Vidal – Honório
Stepan Nercessian – Rola
Suyanne Moreira – Ianká
Suzana Faini – Zeferina
Sylvia Massari – Dalva de Oliveira, 2ª fase
Tania Alves – Dos Anjos
Tarcísio Filho – Orlando Lopes
Tatiana Tibúrcio – empregada de Beatriz
Tato Gabus – Brito, 3ª fase
Teca Pereira – Nazaré
Tereza Seiblitz – Olguinha, 2ª fase
Thales Coutinho – Lago
Thales Mendonça Mendes da Silva – menino
Theodoro Cochrane – organizador
Thiago Oliveira – Bento, 1ª fase, jovem
Thiago Tenório – Jorge
Thomaz Veloso Rebelo da Silva –menino 2
Tião D'Ávila – Helio Melo
Tonico Pereira – Genival
Tony Ravan – Lula
Totia Meireles – Dalva
Val Perre – Vitorino
Valter Santos – Nilo
Vanessa Giácomo – Ilzamar
Vanessa Priscila – Silvana
Vera Fischer – Lola
Victor Fasano – Gentil
Vinicius Soares – seringueiro
Wal Scheneider – seringueiro que a noiva não veio
Werner Schunemann – Rodrigo de Carvalho
William Ferreira – Senador Kasten
William Vita – Viriato
Wilson Rabelo – seringueiro 2
Yeda Dantas – mulher acreana
Zezé Polessa – Justine, 2ª fase

A Trama:
- Baseada nos romances O seringal, de Miguel Ferrante e Terra caída, de José Potyguara, a minissérie Amazônia – de Galvez a Chico Mendes narra a história do Acre, a última região a ser anexada ao território brasileiro. Durante muitos anos, o estado, antes Boliviano, atraiu nordestinos e estrangeiros que deixavam suas cidade em busca de uma vida melhor através da extração do látex. A busca incansável por novas áreas de extração prejudicou a natureza, cada vez mais explorada de forma predatória, e trouxe pobreza para a região. A minissérie conta todo esse processo, ao longo de 100 anos, através de três personagens centrais: Galvez (José Wilker), Plácido de Castro (Alexandre Borges) e Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes). Para narrar a minissérie, Glória Perez misturou dados reais e ficção.
- A história começa em 1899, no Acre, e mostra a vida nos seringais no período áureo da borracha, quando apenas a região era produtora do material e despertava o interesse do mundo inteiro. De um lado, a família do seringueiro Bastião (Jackson Antunes). De outro, a do seringalista Firmino (José de Abreu). Fugindo da seca nordestina, Bastião chega ao Acre com a esperança de conseguir um futuro melhor para sua família. Ele é casado com Angelina (Magdale Alves), com quem tem dois filhos: Delzuite (Daniela Pinto) e Bento (Thiago Oliveira). Bastião se decepciona quando chega ao seringal Santa Rita, propriedade de Firmino, e percebe que a prosperidade que esperava ter não passava de ilusão. Assim como os demais seringueiros, Bastião e sua família estão nas mãos do coronel, que controla todos os seus gastos, monopolizando os produtos à venda no armazém e estabelecendo preços abusivos. Além disso, os seringueiros são obrigados a vender o látex que conseguiram para o dono do seringal onde trabalham. Os anos passam e Bastião vai nutrindo um ódio pelo coronel Firmino. Com a ajuda do Padre José (Antônio Calloni), ele e outros seringueiros passam a reivindicar seus direitos.
- Outra trama de destaque na primeira parte da minissérie é a de Delzuite (Giovanna Antonelli), filha de Bastião. Ela se transforma em uma linda jovem e desperta o interesse do seringueiro Viriato (Ilya São Paulo), que a pede em casamento. Delzuite aceita e acredita que a união lhe dará uma vida melhor. Ela não contava, no entanto, que um outro homem cruzaria o seu caminho e transformaria inteiramente seu destino. Ao conhecer Tavinho (Paulo Nigro), filho mais velho do coronel Firmino, ela se apaixona perdidamente por ele e não percebe que o rapaz, apesar de inúmeras promessas e juras de amor, não quer nada a sério com ela.
- Enquanto isso, o irmão de Delzuite, Bento (Emilio Orciollo Netto) torna-se cada vez mais amigo do filho mais novo do coronel Firmino, Augusto (Ronaldo Dappes). Os dois são os únicos personagens que permanecem nas três fases da história. Bento acredita que quando assumir as terras do pai, Augusto implementará mudanças para beneficiar os seringueiros. Mas o tempo acaba separando os dois e a velha e sincera amizade termina. Bento se decepciona com Augusto, que se torna um coronel tão autoritário e cruel como seu pai, Firmino.
- Outro personagem central da primeira fase da história é o Luiz Galvez. Paralelamente às tramas do seringal, a minissérie mostra a chegada do espanhol em Manaus, onde ele encontra uma antiga amiga, a bela Lola (Vera Fisher), uma cortesã esperta e ambiciosa, apaixonada por ele. Os dois decidem abrir uma casa noturna, que passa a ser freqüentada pelos grandes coronéis da borracha. Através do cabaré, Galvez descobre que a Bolívia está prestes a arrendar a região do Acre a um consórcio anglo-americano e decide iniciar um movimento pela conquista do Acre. A primeira fase também apresenta o advogado José de Carvalho (Juca de Oliveira), personagem que batalha para conquistar a independência do Acre. Ele é amigo e advogado de Firmino.
- Sedutor, Galvez atrai e se envolve com muitas mulheres. Além de Lola, ele tem uma história mal resolvida com Beatriz (Débora Bloch). No início da trama, Beatriz é amante de Galvez. Bonita e cheia de vida, Beatriz vive no Rio de Janeiro com o marido Gomes (Paulo Betti). Ela acredita nas promessas do espanhol e decide abandonar o marido para fugir com ele. Galvez, no entanto, não cumpre o prometido e parte sozinho para Manaus. Abandonada pelo amante e pelo marido, Beatriz decide ir atrás de Galvez, em Manaus. No norte do país, depois de se envolver com Lola, Galvez se apaixona por Maria Alonso, dançarina da Companhia Zarzuela que se apresenta em seu cabaré. A dançarina não resiste aos encantos do espanhol e decide largar o marido Gianni (Osmar Prado) e a carreira para ficar com ele. Quando Galvez decide ir para o Acre para lutar pela independência do estado, Maria Alonso se arrepende de ter deixado o marido. Com o passar do tempo, ele decide pedir perdão a Gianni e os dois se reconciliam. Já Beatriz não consegue esquecer Galvez e passa as três fases da história sofrendo por não ter conseguido ficar ao lado de seu amor.
- A família do coronel Firmino também traz outro núcleo de personagens importantes na história. Ele é casado com Julia (Malu Valle), mas mantém um caso com Justine (Leona Cavalli), dançarina do cabaré de Lola. Justine se apaixona pelo coronel e engravida dele. Firmino decide deixar o bebê em uma cesta na frente de sua própria casa para que Julia, comovida com a criança abandonada, decida criá-la. Julia sabe que aquele menino é filho de seu marido com Justine, mas decide educá-lo com todo seu amor e Leandro (Dan Stulbach) cresce como irmão de Tavinho e Augusto. Em determinado momento da história, Julia toma um chá de uma erva venenosa e morre. Beatriz acha que com a morte da irmã, se casará com Firmino, mas ela se revolta ao saber que o cunhado irá se casar com Justine e ela continuará solitária.
- Ciente da conflituosa situação do Acre, Galvez decide agir. O estado vive uma difícil situação, pois, apesar de ser território boliviano, fora povoado por brasileiros que migravam do Nordeste atraídos pela exploração da borracha. Quando a Bolívia decide retomar seu território, de olho no lucro obtido com o látex extraído das seringueiras, o governo brasileiro não se opõe, pois a região, de acordo com o Tratado de Ayacuchi, pertencia ao país vizinho. O povo acreano se revolta com a situação e seringueiros, liderados por Galvez, resistem à ocupação boliviana. Em 14 de julho, concretizam a criação do Estado Independente do Acre, com capital na cidade do Acre, antes chamada Puerto Alonso. Galvez é aclamado presidente do novo país, com bandeira e hino próprios. Com o tempo, Galvez acaba despertando o descontentamento de muitos seringalistas, que se revoltam com os impostos cobrados pelo novo governo. Galvez foi deposto pelo seringalista Antônio de Souza Braga, que não consegue se manter no poder e devolve o comando ao espanhol. O Governo Federal Brasileiro, porém, sabendo que o não cumprimento do tratado coloca em risco suas relações internacionais, ameaça entrar em guerra com o novo país. Sem saída, Galvez é destituído e o Brasil devolve a região do Acre à Bolívia. Galvez, com malária, parte para Belém, onde fica durante um tempo, até retornar à Espanha.
- Enquanto isso, Plácido de Castro, jovem militar gaúcho, decide tentar a sorte no Norte do país, demarcando seringais na Amazônia. Apesar de jovem, é um homem austero e rígido, um militar por vocação. É nesse mesmo momento que o ex-governador do Acre, Ramalho Jr. (Cláudio Marzo), financia a Expedição dos Poetas, sem o conhecimento do governo central, liderada por Orlando Lopes (Tarcísio Filho), com o apoio de Rodrigo de Carvalho (Werner Schunemann), para expulsar os bolivianos e retomar o Acre. O levante intelectual, no entanto, é derrotado. Amigo de Plácido, Orlando o convoca para lidera um novo embate. Plácido aceita e passa a ensinar noções militares e treinar os seringueiros, que, armados com facões, conseguem derrotar o exército formal boliviano. Ao alcançar Xapury e obter a adesão de toda população local, Plácido proclama a independência do estado do Acre e é aclamado governador do Estado Independente. A Bolívia reage novamente, mas é derrotada. O governo Brasileiro interfere e envia tropas à região, com o intuito de tomar o poder. Plácido recusa-se a lutar contra o Exército Brasileiro e dissolve o exército acreano. O militar decide se mudar para o Rio de Janeiro. Quando volta ao Acre, algum tempo depois, é nomeado prefeito, mas por pouco tempo. Em agosto de 1908, Plácido de Castro sofre uma emboscada e morre. Apesar da luta de sua família por justiça, seus assassinos nunca foram punidos.
- Há uma passagem de tempo de quatro décadas e a segunda parte da minissérie tem início na década de 1940. A fase retrata o período de decadência da borracha e é contada através de tramas ficcionais. Com a plantação organizada das seringueiras na Malásia, o Brasil perde a liderança na produção e vê o preço do látex cair no mercado. Nessa segunda fase, toda a riqueza decorrente do ciclo da borracha estava distribuída desigualmente, o que acentuava ainda mais a diferença entre as classes dominantes e os seringueiros.
- O coronel Firmino morre e, como Tavinho mora na Europa, cabe a Augusto (Humberto Martins) a tarefa de cuidar dos negócios do pai. Para decepção de Bento, Augusto se torna um patrão tão injusto quanto seu pai. Augusto está de casamento marcado com a doce Risoleta (Julia Lemertz), mas ele é amante de Anália (Letícia Spiller), mulher de Tiburtino (Ernani Moraes). Seu irmão Leandro não gosta do jeito que Augusto trata Risoleta, por quem é apaixonado. Leandro é um homem digno e honesto, que discorda das atitudes de seu irmão com os seringueiros. Ao longo da trama, Leandro declara seu amor à Risoleta. No início, ela resiste, mas aos poucos, acaba cedendo às investidas do cunhado. Com medo da perseguição de Augusto, os dois decidem fugir juntos. Quem não gosta nada da aproximação entre Leandro e Risoleta é Beatriz (Irene Ravache). Ela teme que o filho bastardo de Firmino atrapalhe o casamento de seu sobrinho, assim como Justine (Zezé Polessa) fez com o casamento da irmã. Beatriz e Justine vivem trocando farpas e não escondem a raiva que sentem uma da outra.
- Outro personagem importante da segunda fase da história é Ramiro (Caio Blat), filho de Delzuite e Tavinho. O rapaz pensa que é filho do boto, história que sua mãe contara na época que engravidou, quando Tavinho não assumiu a paternidade. Ramiro trabalha no seringal Santa Rita e é casado com Ciça (Camila Rodrigues). Os dois vivem felizes até o dia em que Ramiro resolve dar abrigo a Heraldo (João Miguel), um soldado da borracha que não tem onde morar. Heraldo tenta seduzir Ciça, causando uma situação desconfortável para ela. Um dia, Ramiro chega em casa e vê Heraldo tentando agarrar Ciça. Descontrolado, ele o mata e acaba preso.
- Mestre Irineu Serra (Milton Gonçalves) é outro personagem de destaque na segunda fase da minissérie. Ele leva a ayahuasca para Rio Branco e funda, em torno da bebida, uma comunidade religiosa atualmente conhecida como o Santo Daime. Mestre Irineu vai ao seringal a pedido da Madrinha Entrevada (Ruth de Souza), que ficou com as pernas paralisadas depois de ser atacada por uma onça quando era jovem. Com o passar dos anos, ela começou a sentir dores muito fortes. Madrinha Entrevada também conta com a ajuda da neta Ritinha (Brendha Haddad). A jovem é fisicamente idêntica à sua mãe, por quem Bento fora apaixonado quando era mais moço. Ao encontrar Ritinha no seringal, Bento fica confuso com a semelhança entre a jovem e seu grande amor. Ritinha, no entanto, se envolve com Toinho (André Arteche), deixando Bento sem esperanças. Ele desiste de Ritinha e decide se casar com a seringueira Carminha (Carolina Holanda).
- Outras tramas paralelas da segunda da história são: a vida de Conrado (Pedro Paulo Rangel) e Maroca (Paula Pereira); o poeta Juvenal (Diogo Vilela), recém-chegado ao território para ocupar o cargo de promotor de justiça, apaixonado por Verônica (Sheron Menezes); e a família do governador do Acre (Roberto Bomfim): sua mulher Olguinha (Tereza Seiblitz) e seu filho Carlinhos (Pedro Furtado). A segunda fase da minissérie também mostra a infância de Chico Mendes (Brunno Abrahão) e suas primeiras experiências no seringal.
- A terceira fase da história se passa na década de 1980 e apresenta Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes) adulto, a terceira figura emblemática na história do Acre. Preocupado com a exploração desenfreada da floresta amazônica e a precária situação dos seringueiros, Chico Mendes decide se organizar para lutar por mudanças. Além da desvalorização dos seringais, da exploração dos fazendeiros locais, que desmatavam as áreas para fazer pastos de gado, a construção da Transamazônica também leva prejuízo para a região. Chico Mendes une seringueiros e índios em uma grande frente e desperta a revolta dos fazendeiros locais.
- O grande amigo de Chico Mendes é Bento (Lima Duarte), personagem que acompanha toda a história do seringal. Seu amigo de infância Augusto (Francisco Cuoco), também esteve presente nas três fases da minissérie e ilustrou a trajetória dos coronéis da borracha, desde o auge da exportação do látex, no final do século XIX, até a decadência dos seringais, vendidos a agropecuaristas e transformados em pasto para gados. O doce e honesto Bento é casado com Carminha (Cristiana Oliveira), mas nunca esqueceu Ritinha, seu único e verdadeiro amor. Com o apoio de outros líderes seringueiros, Bento e Chico Mendes lutam contra os interesses de Tavares (Paulo Goulart), Darly Alves (Ricardo Petráglia) e Brito (Tato Gabus), poderosos fazendeiros da região. Os três decidem neutralizar as ações de Chico Mendes e, para aterrorizar os seringueiros, mandam matar Wilson Pinheiro (Leonardo Medeiros).
- Os seringueiros ficam arrasados com a morte do companheiro, mas Chico Mendes não desiste de sua luta. Ele conta com o apoio de dois amigos influentes: a antropóloga Mary Alegretti (Sílvia Buarque) e o cineasta inglês Adrian (Leopoldo Pacheco). Mary vai para o Acre por conta de sua tese sobre seringais e acaba se tornando participante ativa na luta dos seringueiros. Ao lado de Chico Mendes, realiza o projeto seringueiro, que inclui o levantamento de escolas nos seringais e a formação de uma cooperativa. Depois de assistir a um discurso de Chico Mendes em Brasília, Adrian decide fazer um filme sobre ele, e passa a segui-lo dia e noite. Através do apoio dos dois amigos, Chico Mendes consegue expor suas idéias para os membros de uma instituição financeira internacional em uma reunião nos Estados Unidos. O seringueiro vai a Washington e sensibiliza as autoridades estrangeiras para a causa da Amazônia. A repercussão do discurso de Chico Mendes é grande e ele chega a ser entrevistado pelo jornal New York Times. O financiamento aos fazendeiros no Acre é suspenso, o que gera revolta entre eles. Tavares, Brito e Darly não vêem outra alternativa a não ser acabar com a vida de Chico Mendes. Ameaçado, o seringueiro passa a andar com seguranças.
- Chico Mendes recebe diversos prêmios internacionais pelo serviço prestado à causa do meio ambiente e seu nome torna-se cada vez mais conhecido no mundo todo. Sua causa também era apoiada pelo padre Cláudio (Bertrand Duarte) e pelo jornalista Elson Martins (Alexandre Liuzzi), entre outros. O padre Cláudio defendia as ações de Chico Mendes em suas missas e também se tornou inimigo dos fazendeiros locais, que o obrigaram a deixar a cidade. Cláudio decide largar a batina em nome da luta pela preservação da Amazônia e ao apoio a Chico Mendes. O jornalista Elson Martins acompanhou de perto toda a saga de Chico Mendes, de 1975 até a sua morte, em dezembro de 1988.
- A situação se agrava quando Chico Mendes impede que Darly compre as terras dos seringueiros e o fazendeiro tem suas terras desapropriadas pelo governo. Ciente dos inimigos que conquistou devido à sua luta, Chico dá uma entrevista à imprensa e afirma que será assassinado. Em 22 de dezembro de 1988, o seringueiro é baleado em sua própria casa, em Xapury, e morre nos braços de sua mulher, Ilzamar (Vanessa Giácomo), que assiste, sem poder fazer nada, a omissão dos policiais responsáveis pela segurança de seu marido.

Produção:
- Entre agosto e outubro de 2006, durante 72 dias, a equipe gravou cenas na região Norte, em locações no Acre e no Amazonas. Ao todo, 150 profissionais, entre as equipes de direção, produção, cenografia, figurino, produção de arte, caracterização, efeitos especiais, técnicos e elenco gravaram em florestas, rios, praias e centros históricos. Foram enviadas cerca de 20 toneladas de equipamento e mais de 16 mil peças de figurino confeccionadas especialmente para a minissérie.
- No Acre, a locação para a construção da cidade cenográfica foi escolhida em função da paisagem: no meio da floresta, em Porto Acre. Às margens do Rio Acre, a equipe da TV Globo construiu duas cidades cenográficas que reproduziam o mesmo local, porém em épocas distintas do final do século XIX. Uma delas é Puerto Alonso, após a chegada de Luiz Galvez, que depois passou a se chamar Porto Acre. As cidades foram levantadas numa área de mais de dois mil metros quadrados em apenas um mês. Foram contratados cerca de 300 profissionais para auxiliar a equipe da TV Globo. Todas as edificações foram produzidas com material da região.
- Em Manaus foram gravadas as cenas que retratavam o glamour da belle époque. No início do século XX, a capital amazonense era a cidade mais desenvolvida e uma das mais prósperas do mundo, pois todo o lucro obtido com a venda do látex era investido na cidade, que se transformou também em um atraente pólo cultural. São desse período o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Palácio Rio Negro e o prédio da Alfândega, cenários que serviram de pano de fundo para as gravações da minissérie.
- Para reproduzir o porto da cidade, um dos locais mais importantes da época, por causa da entrada e saída do látex, sete barcos e quatro canoas foram adaptados para as cenas que mostram a movimentação comercial no rio Acre e a chegada e partida dos personagens da história. A equipe de cenografia também procurou materiais desgastados pelo tempo para dar maior veracidade à época retratada pela primeira fase da minissérie.
- A produção de arte também contou com o trabalho de profissionais locais para fabricação de objetos de cena. Moringas, garrafas de barro com pinturas específicas, entre outros artefatos, foram encomendados a artesãos e às tribos indígenas locais. As carroças e cangalhas, utilizados para o transporte de carga, também foram produzidas na região. A equipe de produção de arte teve a incumbência de reproduzir materiais específicos da época, como balanças do século XIX, onde a borracha era pesada, as machadinhas usadas para a extração do látex da seringueira, armas e facões, entre outros objetos. Todo esse material saiu do Rio de Janeiro rumo ao Acre em quatro caminhões.
- Outro desafio da produção de arte foi reproduzir os uniformes dos guerrilheiros bolivianos, que eram retratados na minissérie. A equipe entrou em contato com pesquisadores na Bolívia para reunir informações sobre o uniforme.
- Outros cenários da minissérie foram feitos na Central Globo de Produção, em Jacarepaguá. Em uma área de aproximadamente 5.500 m², foram construídas cinco cidades cenográficas que contaram os cem anos retratados pela trama. Para a elaboração do projeto das cidades cenográficas foram consultados fotos, livros e enciclopédias sobre o desenvolvimento de Manaus. A sede do seringal foi igualmente reproduzida na Central Globo de Produção. Para reproduzir os seringais, a equipe de cenografia visitou alguns abrigos ainda existentes em Xapury, no Acre. Todo o projeto tem o estilo dos chalés dos seringais do início do século XX. Entre os cenários em estúdio, destacam-se o cabaré da personagem Lola e os interiores das casas de Manaus e do Acre de Firmino. Graças à computação gráfica, atrás da casa de Firimino podia se ver o Teatro Municipal do Amazonas. A cidade de Rio Branco também foi reproduzida na Central Globo de Produção.
- A equipe de figurino de Amazônia realizou um trabalho cuidadoso para reproduzir as diferentes fases dos personagens da história. Na primeira fase, que começa no final do século XIX, estão representadas três diferentes comunidades: a aristocracia, os seringueiros e as tribos indígenas. Durante o áureo período da borracha, os seringueiros usavam um uniforme fornecido pelos seringalistas: uma calça, uma camisa de material resistente chamada gandola e um barrete, uma espécie de chapéu. Destaca-se o figurino da parteira Maria Ninfa (Regina Case), que usava um cinto com apoio, onde ficavam ervas, facas, crucifixos, entre outros utensílios para benzer e fazer partos.
- Em oposição aos figurinos do núcleo de personagens do seringal estava o glamour da belle epoque de Manaus. Seguindo a moda européia, homens e mulheres esbanjavam riqueza. O figurino de Maria Alonso, personagem de Christiane Torloni, fazia referência à cultura espanhola, muito sensual e feminino. As roupas de Lola, interpretada por Vera Fisher, foram inspiradas no visual da Rainha Alexandra. A tiara usada pela personagem é o símbolo de Diana, a deusa grega da caça.
- Para auxiliar na composição de seus personagens, alguns atores visitaram o Seringal Chico Mendes, uma área de preservação em Xapury, no Acre, para se familiarizarem com o cotidiano do universo dos seringueiros. Thiago Oliveira, Anderson Muller, Márcio Vito, Val Perre, Paulo Nigro, Antônio Pitanga, Humberto Martins, entre outros atores, passaram três noites no local, absorvendo um pouco do linguajar e das tarefas desempenhadas pelos seringueiros. Letícia Spiller, Giovanna Antonelli, Magdale Alves, Cacau Melo, Tânia Alves e Suyanne Moreira ficaram no alojamento, acompanhando a rotina das mulheres dos seringueiros. Elas aprenderam sobre culinária local e conheceram histórias reais de quem vivenciou a época retratada pela minissérie.

Curiosidades:
- Filha de acreanos, Gloria Perez nasceu no Rio de Janeiro. Com um mês de idade, voltou para o Acre com os pais, e lá morou até os 16 anos. A autora conta que narrar a história de sua terra natal era um sonho antigo. Com o desenvolvimento de novas tecnologias e equipamentos que permitem gravar em plena floresta amazônica, o projeto pôde ser concretizado.
- Em julho de 2006, autora, diretor, elenco e equipe se reuniram em um workshop especial sobre os temas abordados pela minissérie, como o cotidiano dos seringueiros e a conquista territorial do Acre. Participaram do workshop o então governador do Acre, Jorge Viana, o seringueiro Aldenor da Costa Cruz, a parteira Martinha de Almeida Pinto, Lupércio Freire Maia, antigo soldado da borracha que migrou do Nordeste para o Acre para servir na Amazônia, entre outros nomes. A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também participou do encontro e, entre outros temas, falou sobre Chico Mendes. Os filhos de Chico Mendes, Sandino e Elenira, estiveram presentes ao workshop, que também contou com a presença dos jornalistas Armando Nogueira e Zuenir Ventura – o primeiro por ter nascido no Acre e o segundo, por ter feito a cobertura da morte do seringalista Chico Mendes.
- A minissérie marcou a estréia na televisão de muitos atores: Brendha Hadad, Sóstenes Vidal, José Ramos, Val Perre, Eunice Bahia, Luci Pereira, Magdale Alves, Marcio Vito, Suyanne Moreira, entre outros nomes.
- Cora Rónai, Zuenir Ventura, Mary Akiersztein e Elson Martins fizeram uma participação especial no último capítulo da minissérie, durante a seqüência do enterro de Chico Mendes.
- A soprano Claudia Riccitelli e o tenor Marcos Paulo fizeram uma participação especial na história.
- A Rede Globo promoveu uma exposição sobre a minissérie no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Através de vídeos e fotos, o público pôde conhecer um pouco sobre a história do Acre e da Amazônia. Além disso, o visitante se deparou com um painel de 83 metros de comprimento e quatro metros de altura reproduzindo a selva amazônica. Peças usadas pela cenografia e produção de arte da minissérie também estavam expostas.
- Em novembro de 2006, a autora Glória Perez, o diretor Marcos Schechtman, a produtora de arte Ana Maria Magalhães, a cenógrafa Juliana Carneiro e a figurinista Emilia Duncan participaram de um seminário na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo, sobre a minissérie. A iniciativa foi do Globo Universidade, setor da TV Globo que tem o objetivo de gerar um intercâmbio de conhecimento e diálogo acadêmico com instituições de ensino superior. Em parceria com a FAAP, o seminário Amazônia, de Galvez a Chico Mendes reuniu a equipe da minissérie para debater e refletir com estudantes e professores sobre os processos de criação e produção da minissérie filmada no Acre.
- A autora Glória Perez foi homenageada pelo então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, pelo trabalho desenvolvido na minissérie. A homenagem foi feita durante um evento em comemoração a Plácido de Castro e aos 104 anos da revolução acreana comandada pelo militar gaúcho.

Trilha sonora:
- A música de abertura da minissérie foi Caminho das águas, de Rodrigo Maranhão, interpretada por Maria Rita. Entre as canções nacionais da trilha sonora, destacam-se A noite de meu bem, sucesso de Dolores Duran na voz de Milton Nascimento; Espere por mim, morena, de Gonzaguinha; e Luar do sertão, composição de Catulo da Paixão Cearense na voz de Roberta Miranda.

Fonte: Memória Globo

0 comentários: