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quarta-feira, 31 de março de 2010

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A Pedra do Reino



Autoria: Luiz Fernando Carvalho, Luís Alberto de Abreu e Braulio Tavares
Direção geral e de núcleo: Luiz Fernando Carvalho
Período de exibição: 12/06/2007 – 16/06/2007
Horário: 22h
Nº de capítulos: 5

Elenco:
Irandhir Santos - Dom Pedro Diniz Quaderna
Abdias Campos - João Melchíades Ferreira
Allyne Pereira - Dina me Dói
Américo Oliveira - Argemiro
Anthero Montenegro - Gustavo de Moraes
Beatriz Lélis - Mãe
Claudete de Andrade - Joana Quaderna Garcia-Barreto
Elias Mendonça - Dom Ezequiel Veras
Everaldo Pontes - Pedro Beato
Flávio Rocha - Lino Pedra Verde
Frank dos Santos - Leônidas
Germano Haiut - Edmundo Swendson
Hilda Torres - Genoveva Moraes
Iziane Mascarenhas - Clara Swendson/Isabel
João Ferreira - Velho Nazário
Jones Melo - Antônio de Moraes
José Yago TR vilar - Dom Pedro Sebastião Garcia-Barreto
Júlio César da Rocha - Dr. Pedro Gouveia
Jyokonda Rocha - Onça Caetana/Maria Inominata
Lázaro Machado - Ludugero Cobra-Preta
Luiz Carneiro - Bastião
Maneol Constantino - Dom Manoel Viana
Márcio Tadeu - Frei Simão
Mayana Neiva - Heliana/Moça Caetana
Mestre Salustiano - Pedro Cego
Millene Ramalho - Margarida
Moisés Gonçalves - Pedro Justino Quaderna
Nelson Lima - Severino Brejeiro
Nill de Pádua - Malaquias/Dom João Ferreira Quaderna, o Execrável
Paulo César Ferreira - Sinésio
Pedro Henrique Dias - Garcia-Barreto
Pedro Salustiano - Rei Azul
Prazeres Barbosa - Comendador Basílio Monteiro/Dom Eusébio Monturo
Sandra Belê - Maria do Badalo
Servílio de Holanda - Silvestre
Soia Lira - Dona Carmem Torres Martins
Tavinho Teixeira - Luís do Triângulo
Tay Lopez - Adalberto Coura
Vanderléia Pimenta - Maria Sulpícia
Zé Borba - Mateus
Frank Menezes - Samuel Wandernes
Jackson Costa - Clemente Ravasco
Jessier Quirino - Euclydes Villar
Luiz Carlos Vasconcelos - Arésio
Renata Rosa - Maria Safira
Marcélia Cartaxo - Tia Filipa Quaderna
Felipe Rodrigues - Quaderna (criança)
Jéssica Araújo - Rosa
Vanderson Taveira - Arésio (criança)
Cacá Carvalho - Juiz Corregedor

A Trama:
- A pedra do reino é uma minissérie adaptada do livro O romance d´a pedra do reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta, considerado a obra-prima do escritor paraibano Ariano Suassuna. Co-produção da TV Globo com a produtora independente Academia de Filmes, foi exibida de 12 a 16 de junho de 2007, em comemoração aos 80 anos do escritor, que fez aniversário no dia da exibição do último capítulo.
- A minissérie, filmada em 16 mm e finalizada em alta definição, foi adaptada por Braulio Tavares, Luís Alberto de Abreu e Luiz Fernando Carvalho – que também assinou a direção da trama. Foi a primeira realização do projeto Quadrante, idealizado para mostrar a diversidade cultural do país através da adaptação de obras literárias nacionais filmadas na região onde se passa a história original, com a participação de elenco e mão-de-obra locais. O projeto visa descentralizar o processo artístico e de produção, além de ajudar na formação de novos profissionais, criando um viés educacional. A pedra do reino teve como cenário a cidade de Taperoá, no sertão da Paraíba.
- Escrito em 1971, o livro é um misto de romance de cavalaria e novela picaresca, mostrando que as culturas nordestina e sertaneja têm raízes ibéricas, com muitos elementos da Idade Média, da commedia dell´arte e também da cultura árabe, por conta de mais de 700 anos de dominação de Portugal e Espanha pelos mouros. Lendas, sebastianismo, fatos verídicos, muita sátira e o universo das cavalhadas, dos romancistas, cordelistas, cantadores e repentistas do sertão estão presentes na adaptação feita para a TV, que ganhou desfechos inexistentes no livro, criados pelo próprio Ariano Suassuna especialmente para a minissérie.
- A epopéia sertaneja criada por Suassuna narra as aventuras, delírios e desventuras do cronista-fidalgo, rapsodo-acadêmico e poeta-escrivão D. Pedro Dinis Ferreira Quaderna (Irandhir Santos), um sertanejo contador de histórias, que recorre a seus antepassados e a suas memórias para lidar com as inquietações existenciais. Quaderna sonha ser o Grande Gênio da Raça, o autor de um “romance heróico-brasileiro, ibero-aventuresco, criminológico-dialético e tapuio-enigmático de galhofa e safadeza, de amor legendário e de cavalaria épico-sertaneja” ou, ainda, de “uma espécie de Sertaneida, Nordestíada ou Brasiléia”. Em suma, o escritor de uma grande obra literária que expresse a verdadeira identidade nacional. Em seu “estilo régio” de enxergar e contar o mundo, ele usa a imaginação para dar novo colorido à realidade. Tanto no livro quanto na adaptação para a TV, Quaderna atua como o narrador da história.
- Ficção e fatos reais se misturam na narrativa desenvolvida por Ariano Suassuna. Quaderna é bisneto de João Ferreira Quaderna, o Execrável (Nill de Pádua), real líder sebastianista que se proclamou legítimo rei do Brasil e causou a morte de muitos fiéis em nome da ressurreição de Dom Sebastião, o rei português desaparecido em 1578, aos 24 anos, na famosa batalha entre mouros e cristãos em Alcácer-Quibir, no Marrocos. O derramamento de sangue orquestrado por João Ferreira se deu em 1838, aos pés de duas rochas compridas e paralelas, conhecidas como Pedra Bonita - nome primitivo da Pedra do Reino -, na região de São José do Belmonte, em Pernambuco. Sua seita, formada por fanáticos religiosos, defendia que aquelas eram as torres da catedral do reino de Dom Sebastião, que seriam desencantadas com o sangue de sacrifícios humanos. Após muitas mortes, os fanáticos foram presos ou mortos pela polícia.
- Quaderna junta a história de seu bisavô a outro acontecimento trágico - a morte misteriosa de seu tio-padrinho, o rico fazendeiro D. Pedro Sebastião Garcia-Barreto (Pedro Henrique), quem ele considerava um pai. Ele é afilhado e sobrinho de Dom Pedro Sebastião por parte de mãe, Maria Sulpícia (Vanderléia Pimenta). Em suas pesquisas, conclui que suas duas famílias remontam ao mesmo rei: Dom Sebastião, de Portugal. Influenciado pelas histórias de realeza e pela cultura sertaneja em que foi criado, convivendo com cantadores, poetas populares, folguedos e cavalhadas do sertão, Quaderna passa a sonhar com um novo reino. Ele vai à Pedra do Reino e se coroa Rei, herdeiro legítimo do trono do sertão e do Brasil, e dá início ao projeto de sua grande obra.
- Quaderna pretende juntar referências eruditas, políticas e intelectuais em seu projeto literário. Para tanto, mescla conhecimentos sobre genealogia, astrologia e cultura popular, herdados de seu pai, Pedro Justino (Moisés Gonçalves), e do violeiro e poeta João Melchíades (Abdias Campos), com as idéias políticas e literárias de seus dois mentores, o revolucionário comunista Clemente Ravasco (Jackyson Costa) e o monarquista conservador Samuel Wandernes (Frank Menezes).
- Samuel é um promotor de justiça, fidalgo dos engenhos do Recife, apaixonado pela aristocracia e pelos brasões armoriais. Ele sustenta que a família Garcia-Barreto tem origem no próprio rei Dom Sebastião de Portugal, que, após escapar da morte na batalha contra os mouros, teria vindo incógnito para o Brasil. Direitista, Samuel declara fidelidade a Plínio Salgado, o fundador do movimento ultranacionalista Ação Integralista Brasileira.
- Já Clemente é um advogado e historiador negro-tapuia, que foi professor de Quaderna na infância e, como esquerdista e partidário do líder comunista Luís Carlos Prestes, sonha com revoluções como as de Zumbi dos Palmares e a que o líder religioso Antônio Conselheiro empreendeu em Canudos, no interior da Bahia. Companheiros e eternos adversários, ele e Samuel se desentendem constantemente, mas não conseguem ficar afastados um do outro.
- Quaderna funda com seus dois mentores a Academia dos Emparedados do Sertão da Paraíba, integrada apenas pelos três. Influenciado pelas diferentes vertentes políticas e culturais, passa a se intitular “monarquista de esquerda”. E em sua busca pela real identidade do Brasil, defende que a verdadeira base do povo brasileiro está na miscigenação dos povos europeu, africano e indígena.
- Na minissérie, a história tem início com a chegada de uma trupe circense, liderada por um velho palhaço, a um povoado. Em sua carroça-palco, ele abre um grosso livro e dá início à representação de um romance memorialístico: A pedra do reino. O palhaço é Pedro Dinis Quaderna, o protagonista do romance, já envelhecido, e as histórias são suas próprias lembranças. A partir daí, a narrativa se desdobra em três tempos e espaços diferentes, que se comunicam entre si: o momento em que o velho palhaço comanda um espetáculo popular de rua; as imagens em que ele, mais jovem, está preso e escreve sua história; e as cenas do inquérito, promovido pelo Juiz Corregedor da capital (Cacá Carvalho), que o levam à prisão.
- Longe de ser um problema, o interrogatório acaba sendo a solução para que Quaderna escreva sua obra. Por causa do “cotoco”, uma proeminência óssea no final de sua coluna, ele não pode ficar sentado por muito tempo, dedicado à redação de sua epopéia. Uma vez no inquérito, poderia contar, em pé, todos os acontecimentos relacionados a sua vida, aproveitando o depoimento datilografado pela escrivã Margarida (Millene Ramalho), moça pura e recatada da alta sociedade taperoaense, para escrever sua saga.
- Quaderna sente atração por Margarida, mas é repelido por ela, que, no entanto, sucumbe às investidas do depoente após ser provocada por relatos maliciosos de episódios, que a deixam constrangida e excitada. A máquina de escrever acaba unindo os dois personagens, pois é ela que registra as memórias que Quaderna sonha em transformar em livro. Com o depoimento escrito, ele pode, enfim, fazer a obra do Gênio da Raça e concluí-la antes de seus dois concorrentes, Clemente e Samuel, que também desejam o título.
- A razão da prisão de Quaderna, que acontece no ano de 1938, é a invasão da cidade de Taperoá, três anos antes, por uma estranha cavalgada de ciganos que conduz um jovem e enigmático rapaz montado num cavalo branco: Sinésio, o Alumioso (Paulo César Ferreira), filho de D. Pedro Sebastião, dado como morto. A cavalgada é comandada pela misteriosa figura do Doutor Pedro Gouveia (Júlio César) e acompanhada por Frei Simão (Márcio Tadeu), misto de frade e cangaceiro, e por Luís do Triângulo (Tavinho Teixeira), guerreiro da guerra civil de Princesa, ocorrida em 1930. Mas o grupo é emboscado às portas da cidade, pelo bando de cangaceiros de Ludugero Cobra-Preta (Lázaro Machado), e todos acreditam que a armadilha foi armada a mando de Arésio (Luiz Carlos Vasconcelos), meio-irmão de Sinésio, com quem ele não queria dividir a herança deixada pelo pai. Quaderna é intimado por causa de uma carta anônima endereçada ao Juiz Corregedor da capital que o acusa de envolvimento nos acontecimentos, tidos como uma rebelião popular. Afinal, vivia-se um clima político carregado, com a Revolução de 1930, a Revolução Comunista de 1935 e o golpe do Estado Novo, em 1937.
- A trama também mostra acontecimentos de 1930, quando Dom Pedro Sebastião Garcia-Barreto - pai de Arésio, do primeiro casamento; de Silvestre (Servílio de Holanda), filho bastardo; e de Sinésio, do segundo casamento - dá a Quaderna a missão de conduzir o filho caçula à capital da Paraíba, onde ficaria em segurança na casa do sócio Edmundo Swendson (Germano Haiut). D. Pedro Sebastião participara da Revolução de 30, deflagrada contra o presidente do Estado da Paraíba, João Pessoa, e considera prudente afastar o filho da cidade. É na casa do sócio de seu pai que Sinésio conhece Heliana Swendson (Mayana Neiva), por quem se apaixona. No mesmo ano, porém, D. Pedro Sebastião é apunhalado e morto de forma misteriosa, num pequeno quarto sem janelas, na torre de sua fazenda, com a porta trancada por dentro, enquanto Sinésio desaparece sem deixar rastro, e Silvestre perde-se pelos caminhos do sertão, vivendo como guia do rabequeiro Pedro Cego (Mestre Salustiano) e empreendendo uma busca incessante por Sinésio. Em seus últimos anos de vida, D. Pedro Sebastião estava se tornando cada vez mais místico e misterioso: encomendava escavações e dizia ter encontrado um tesouro escondido. Chegou a preparar um mapa do tesouro, prometendo a Quaderna que lhe revelaria sua localização, mas morre antes disso.
- Conhecido como “o prinspo do povo e do sangue do vai-e-volta”, Sinésio ressurge cinco anos depois, em 1935, na tal estranha cavalgada, no momento em que Arésio receberia toda a herança do pai, depois dos anos de interdição, em função do desaparecimento tanto do testamento quanto do filho caçula. A cidade se divide entre os mais abastados, que tomam o partido de Arésio, e o povo, que adere a Sinésio. Ao ver o “príncipe” ressuscitado, a população acredita que ele é a encarnação do rei Dom Sebastião de Portugal, que, finalmente, voltou para instaurar seu reino mítico, representando a redenção de todo o povo pobre sertanejo. Instaura-se o conflito, com emboscadas e tiros entre os partidários dos dois filhos de Dom Pedro.
- No longo depoimento prestado ao Juiz Corregedor, Quaderna desfia os acontecimentos relacionados a sua história, entre eles o sangrento movimento messiânico de seus antepassados na Pedra do Reino; a infância na fazenda de seu padrinho; a formação religiosa no Seminário da Paraíba, de onde foi expulso quando expôs suas idéias sobre o inusitado catolicismo-sertanejo, religião regada a mulheres e vinho; e os encontros amorosos com Maria Safira (Renata Rosa), a esposa de Pedro Beato (Everaldo Pontes) - velho sábio e penitente que nunca lhe tocou o corpo. Foi Safira, mulher tida como possessa, quem salvou Quaderna dos efeitos do “chá de cardina” que seu pai lhe dava na adolescência para “abrir” a inteligência, mas que prejudicava a virilidade.
- Quaderna também relata suas estranhas visões com personagens míticos como a Moça Caetana (Mayana Neiva), mulher bela e terrível, com dorso felino de onça e pescoço envolto em uma cobra coral que lhe serve de colar. É uma mensageira da Morte, assim como a Onça Caetana (Jyokonda Rocha), mistura de bicho-fêmea e mulher, que exerce um fascínio próprio de sua divindade. Além disso, Quaderna também discorre sobre o misterioso mapa do tesouro, a morte do padrinho, o desaparecimento de seu filho predileto e a associação entre o primogênito Arésio e o maior inimigo de seu pai em vida, o usineiro Antonio de Moraes (Jones Melo).
- Muitos outros personagens aparecem nos relatos do depoente. Como o idealista e visionário Adalberto Coura (Tay Lopez), jovem revolucionário que tenta convencer Arésio a usar sua ferocidade e personalidade dominadora a favor da Revolução Socialista. Mas, embora despreze as autoridades, Arésio é um individualista, contrário às teorias revolucionárias. No meio dos dois está a jovem Maria Inominata (Jyokonda Rocha), noiva de Adalberto e antiga paixão de Arésio, que ele viola para desafiar o amigo a continuar querendo a moça “por amor aos oprimidos”.
- Na narração de Quaderna também aparecem Clara Swendson (Iziane Mascarenhas) e Gustavo de Moraes (Anthero Montenegro), filhos de Edmundo Swendson e Antônio de Moraes, adversários nas atividades econômicas e políticas. Os dois jovens são a favor de um “embranquecimento” da raça humana e fazem um pacto de amor casto, em uma alusão ao nazi-fascismo.
- Outro personagem destacado por Quaderna é o violeiro Lino Pedra-Verde (Flávio Rocha), seu amigo de infância, acostumado a ter visagens desde menino. Suas premonições se agravaram depois que passou a mascar erva-moura e beber o vinho encantado da Pedra do Reino, cuja receita foi descoberta por Quaderna.
- Ao final do inquérito, o Juiz, exasperado com o intimado - que mistura informações reais e concretas, formulações eruditas e lendas, relatos, crenças e superstições populares -, considera-o louco e o liberta. Mas Quaderna pede-lhe que seja preso, confessando que foi ele próprio quem escreveu a denúncia anônima para se utilizar do depoimento datilografado e escrever sua saga.
- O Juiz satisfaz o desejo de Quaderna e o coloca na prisão. Lá, ele escreve sua história. E, já bem envelhecido, como que inserido em um sonho, é sagrado rei da Távola Redonda da Literatura do Brasil, por poetas, escritores e acadêmicos do Brasil e do mundo, entre eles Shakespeare (Frank dos Santos), Cervantes (Maurício Castro), Arthur Azevedo (João Irênio) e Olavo Bilac (Tavinho Teixeira).

Produção:
- As filmagens de A pedra do reino em Taperoá, incluindo o período de preparação do elenco, foram realizadas durante os três últimos meses de 2006. Habitantes da cidade e de regiões próximas passaram por um processo de seleção para trabalhar nas mais diversas atividades, atendendo à proposta da minissérie de formação de profissionais locais. Quatro integrantes do elenco são taperoaenses de nascimento, a menina que viveu a pequena Rosa é moradora de Taperoá e os intérpretes de Quaderna e Arésio crianças moram, respectivamente, nas cidades vizinhas de Juazeirinho e Assunção.
- Taperoá conviveu com mais de 250 “forasteiros”, entre profissionais das diversas áreas e os cerca de 60 atores escalados para a minissérie. O elenco de A pedra do reino é formado essencialmente por atores nordestinos, em grande parte escolhidos após pesquisas e testes nos principais centros culturais do Nordeste. Todos com as mais diversas origens artísticas, desde integrantes de grupos de teatro de rua a profissionais com passagens pelo cinema e larga experiência teatral, que nunca haviam feito TV e, por isso, desconhecidos do grande público. A começar pelo intérprete do narrador Quaderna, o ator Irandhir Santos. Pernambucano, ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante no 39º Festival de Brasília, por sua atuação no filme Baixio das bestas (2007), de Cláudio Assis. Ele fez sua estréia na TV nesta minissérie.
- Uma cidade cenográfica foi construída no trecho final da principal rua de Taperoá, conhecido como Chã da Bala. O cenário foi concebido como uma cidade-lápide, com detalhes que lembravam um cemitério. A idéia era criar um espaço de louvor à memória dos antepassados. As casas existentes no local ganharam revestimentos nas fachadas, o chão recebeu 40 cm de terra e a área, de 2 mil metros quadrados, ganhou 35 nichos e foi fechada de forma a transformá-la em uma arena octogonal. Um portal, com um espaço interno cenografado como uma igreja, foi construído para, dentro do contexto da história, servir de ligação entre o mundo externo e o universo mágico da arena. Também foi erguida uma edificação representando os Arcos de Roma. Uma das casas da arena foi usada como base para os camarins de figurino e caracterização. A área de cenografia, chefiada pelo cenógrafo João Irênio, aproveitou cerca de 80 pessoas da região para levantar e adereçar a cidade cenográfica em pouco mais de 25 dias. A carroça de Quaderna, posicionada no centro da arena, também mereceu atenção especial. Ela foi inspirada nas carroças ciganas e tinha dois palcos giratórios, cujo movimento circular representava o ponteiro de um relógio: uma forma de trabalhar o tempo cíclico.
- Também foram usados como locações uma cadeia desativada (cenário do inquérito a que Quaderna é submetido); a Serra do Pico - o ponto mais alto de Taperoá; e uma área na cidade vizinha de Cabaceiras. O cenário da cadeia tinha uma estrutura semelhante a um octógono tridimensional, intercalando paredes móveis que se deitavam no chão com duas arquibancadas, onde se sentavam todos os personagens, fazendo as vezes de platéia. O espaço, todo em madeira, multiplicava-se em diversas formas, a partir da improvisação dos atores e da câmera.
- O supervisor de caracterização Vavá Torres também recrutou pessoal para dar apoio na maquiagem. Assim que chegou em Taperoá, foi em busca de cabeleireiros e maquiadores e formou um grupo de cinco meninas para confeccionar perucas. Em troca de sobras de cabelos para montar perucas, barbas e bigodes, ofereceu cortes gratuitos de cabelo na cidade. Não faltaram voluntários.
- Para ter maior controle da luz e alcançar a fotografia desejada, as filmagens contaram com um butterfly de 2600m2, dividido em três módulos de 800m2 cada, sustentado por 16 colunas de 14m de altura. O butterfly foi montado pelos funcionários da empresa Cinecidade, de José Macedo de Medeiros, o Jamelão, com o apoio de mais seis trabalhadores locais.
- Obras de artistas plásticos como Giotto, El Greco, Goya e Velásquez, além de referências barrocas, medievais e sertanejas, serviram de inspiração para a estética adotada na minissérie.
- Couro, metal, chapas de fotolito, lata, tapeçarias, restos de ossos, palha, madeira, palitos de picolé, enfim, os mais diversos materiais foram utilizados tanto na confecção dos figurinos supervisionados por Luciana Buarque quanto na criação dos objetos alegóricos elaborados no ateliê de arte. A oficina de arte, supervisionada pelo artista plástico Raimundo Rodriguez, envolveu 24 artesãos na criação de objetos e animais cenográficos, entre coroas, espadas, marionetes, bichos selvagens e mais de 40 cavalos em tamanho natural, feitos com sobras de materiais como palha de milho e de carnaúba, estopa, resto de isopor, ossos, latas, serragem e papel, todos equipados com um mecanismo que permitia a sua movimentação em cena. A equipe de artesãos contou com profissionais reconhecidos, como o pernambucano José Lopes da Silva Filho, conhecido como Mestre Zé Lopes, um dos mais conceituados criadores de mamulengos do Brasil, responsável pela produção dos bichos articulados utilizados em diferentes seqüências da minissérie.
- As equipes de figurino, arte, cenografia e caracterização foram encabeçadas pelos mesmos profissionais que trabalharam com Luiz Fernando Carvalho na minissérie Hoje é dia de Maria (2005).
- O trabalho de preparação do elenco da minissérie A pedra do reino envolveu três meses de intensa dedicação, entre aulas de expressão corporal e voz, interpretação, leitura do texto, palestras e mergulho na obra do escritor. A atriz Fernanda Montenegro, embora não estivesse no elenco, foi convidada pelo diretor para abrir os ensaios com uma palestra para os atores. O psicanalista junguiano Carlos Byington e o próprio escritor Ariano Suassuna também falaram ao elenco: o primeiro analisou os arquétipos dos personagens, e o autor discorreu sobre a obra e suas motivações ao escrevê-la.
- Diariamente, o elenco ensaiava com o diretor Luiz Fernando Carvalho e sua equipe de colaboradores, entre eles: Tiche Vianna, diretora e pesquisadora da linguagem teatral no Barracão Teatro em Campinas, que trabalhou a preparação do corpo através de máscaras de expressão; o ator Ricardo Blat, que atuou nas duas jornadas de Hoje é dia de Maria e trabalhou como preparador do elenco na área de interpretação; a professora de dança Lúcia Cordeiro, responsável pelo trabalho de consciência corporal e respiração; e a bailarina Mônica Nassif, que deu aulas de dança para o grupo.
- Os atores também tiveram uma iniciação à estética e aos passos de dança do Cavalo Marinho, teatro popular de rua nascido na zona da mata pernambucana, utilizado pela direção na transposição do romance para a TV. Instrumentos, personagens e reconhecidos músicos do folguedo, como os tocadores de rabeca Mestre Salustiano e Luiz Paixão, atuaram na minissérie. Além da rabeca, instrumentos como bage, pandeiro, ganzá e apito fazem parte da brincadeira, que é composta por música, dança, poesia, coreografias, loas, toadas e reúne cerca de 76 personagens divididos em três categorias: animais, humanos e fantásticos. Os personagens, com suas máscaras próprias, improvisam a partir do tema das toadas tocadas pelo banco de instrumentistas e cantadores. Mateus e Bastião são os dois palhaços responsáveis por levarem todos os personagens para dentro da roda. É a commedia dell’arte brasileira. Inserir o cavalo marinho na adaptação da obra de Suassuna foi mais uma forma de enriquecer a encenação com elementos da cultura popular, linha que norteou todo o trabalho. As roupas usadas pelo Quaderna velho, o palhaço medieval, por exemplo, foram inspiradas na imagem do personagem Cucurucu, da commedia dell’arte, e nos palhaços Mateus e Bastião, mostrando como a cultura brasileira foi impregnada pela cultura medieval e ibérica.
- Outra manifestação de rua presente no enredo é a Cavalhada, folguedo popular do Nordeste inspirado nas lutas dos cristãos contra os mouros, que contrapõe 12 participantes vestidos de azul a outros 12 vestidos de vermelho, respectivamente liderados pelo Rei Azul (interpretado na série pelo dançarino pernambucano Pedro Salustiano, filho do famoso músico Mestre Salustiano) e pelo Rei Encarnado (Henrique Albuquerque). Os integrantes vestiam burrinhas feitas em papelão e metal, penduradas em suspensórios, inspiradas no personagem Capitão, do Cavalo Marinho. Os passos do Cavalo Marinho, ensinados ao elenco por Pedro Salustiano, serviram de base para a coreografia da Cavalhada encenada na minissérie.
- A popular Folia de Reis serviu de inspiração para a criação do coro da Maria do Badalo, formado pelas cantoras Sandra Belê e Renata Rosa, e por Zefinha e Maíca - duas cantadeiras da região de Aliança (PE). O grupo formou uma espécie de coro de tragédia grega, que acompanha a fábula e age como a consciência crítica do povo. Sandra Belê é de Zabelê, uma cidade incrustada no sertão paraibano, que tem apenas dois mil habitantes. Renata Rosa nasceu em São Paulo, mas se apaixonou pelo canto e folguedos populares da zona da mata pernambucana e do baixo São Francisco alagoano e passou a se dedicar a eles, inclusive tocando rabeca. O coro era acompanhado pela rabeca do músico Luiz Paixão.
- As duas formações rochosas pontiagudas conhecidas como Pedra do Reino foram pintadas em um enorme painel, de 14m de altura e 8m de largura, pelo artista plástico Dantas Suassuna, filho de Ariano Suassuna. O painel foi usado como cenário para as cenas do massacre sebastianista promovido pelo bisavô de Quaderna.
- A minissérie conta com alguns efeitos especiais, como imagens inseridas por computação gráfica, realizados pelas equipes da Lobo e da Vetor Zero, empresas de São Paulo.

Curiosidades:
- Atores estreantes na minissérie foram convidados a trabalhar em outras produções da TV Globo. Mayana Neiva, intérprete de Heliana Swendson e da Onça Caetana, foi escalada para viver a personagem Karina na minissérie Queridos amigos (2007), de Maria Adelaide Amaral. Prazeres Barbosa, que interpretou três papéis em A pedra do reino, viveu uma doméstica na novela Duas caras (2007), de Aguinaldo Silva.
- Jackyson Costa, que estava há anos afastado da TV, desde sua estréia como o padre Lívio na novela Renascer (1993), de Benedito Ruy Barbosa, ganhou o papel do personagem Waterloo, em Duas caras. Marcélia Cartaxo também voltou ao ar, como a personagem Tonha, da novela Desejo proibido (2007), de Walther Negrão.
- Millene Ramalho, intérprete de Margarida, ficou quase duas horas em um molde de gesso para que a equipe de arte, com o auxílio do supervisor de caracterização Vavá Torres, desenvolvesse um corpete que pudesse adaptar a máquina de escrever a seu corpo. No total, o figurino da atriz pesava sete quilos e meio.
- Assim como na ficção, o ator Abdias Campos, cordelista e violeiro na vida real, foi quem ensinou o colega de elenco Flávio Rocha (Lino Pedra Verde) a tocar viola.
- A figura imponente de João Ferreira, o Execrável (Nill de Pádua), foi inspirada nos ícones russos e em personagens da ópera de Pequim (China). O personagem tinha três metros de altura, barbas longas e vestia um manto de mangas largas e uma coroa de metal cravejada de pedras vermelhas que lhe davam ainda mais grandiosidade.
- O diretor homenageou o filme As mil e uma noites (1974), do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, na primeira vez que o Juiz Corregedor aparece na trama: um enorme pálio nas cores azul e vermelha, com detalhes em dourado, foi especialmente feito para a seqüência.
- A Editora Globo lançou dois volumes sobre a realização da minissérie. O primeiro contendo os fac-símiles dos roteiros de filmagem de Luiz Fernando Carvalho, com anotações, desenhos e comentários rabiscados pelo diretor durante as gravações, e um livreto com trechos dos diários do diretor, do elenco e da equipe criados espontaneamente durante os períodos de ensaios e filmagens. O segundo volume é um livro de fotos com o registro do trabalho de preparação dos atores e das filmagens.
- Durante o mês de exibição da minissérie, uma exposição montada no Centro Cultural da Ação da Cidadania, no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro, mostrou ao público parte da cenografia, dos figurinos e dos objetos de arte criados para o programa.
- O Quadrante foi o primeiro projeto de teledramaturgia da TV Globo trabalhado em multiplataforma, com conteúdos complementares exibidos em diferentes mídias. O canal GNT realizou um documentário sobre a vida e a obra de Ariano Suassuna. O Multishow exibiu uma edição especial do Revista Bastidor, mostrando o processo de criação, entrevistas e o dia-a-dia das filmagens. E o Sistema Globo de Rádio transmitiu entrevistas com os atores da minissérie e artistas ligados ao Movimento Armorial.
- No último dia de filmagem da minissérie, em 22 de dezembro de 2006, a TV Globo, a Fundação Roberto Marinho, o governo do estado da Paraíba e a prefeitura de Taperoá assinaram na cidade paraibana os termos de cooperação técnica para os projetos “Casa de Cultura Ariano Suassuna” e “Tecendo o Saber”, sistema de educação do ensino fundamental. A Casa de Cultura Ariano Suassuna, que entraria em funcionamento na estréia da minissérie, foi concebida para ser um centro de referência da cultura local. O imóvel escolhido para sediar o projeto, construído por João Dantas Suassuna, pai de Ariano, e onde o escritor passou a adolescência, abrigou os ateliês de direção de arte e cenografia. Além de uma sala de visitação com exposição permanente da obra do escritor e de criações feitas para a minissérie, abrigaria uma oficina e uma loja de artesanato para atender aos artistas da região e aos que integraram as equipes de figurino e arte, para que eles pudessem dar continuidade às suas produções.
- Exibições especiais da minissérie A pedra do reino foram realizadas em salas de cinema de alta definição, em sete cidades brasileiras - Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, João Pessoa e Porto Alegre -, entre os meses de agosto e setembro de 2007. As sessões foram divididas em duas partes: episódios 1, 2 e 3; intervalo; e episódios 4 e 5. O público pôde assistir às duas sessões em seqüência ou em dias diferentes. Foi a primeira vez no país que uma série feita para a televisão ganhou as salas de cinema conservando seu formato original - dividida em cinco partes. As exibições em salas digitais, em um curto intervalo de tempo desde a transmissão na televisão, foram possíveis porque toda a pós-produção da série foi realizada com tecnologia digital de alta definição. Nas salas de cinema digitais, a série foi projetada com qualidade de imagem inédita e mixagem de som em 5.1. Em algumas cidades, foram realizados fóruns com o diretor, o elenco e a equipe de criação da minissérie.
- Em outubro de 2007, a Globo Marcas, em parceria com a Som Livre, lançou o DVD A pedra do reino, contendo dois discos que reúnem os capítulos da minissérie, o documentário “Taperoá” - sobre o processo de criação vivido na cidade e a interação da equipe com os moradores locais - e um ensaio fotográfico em preto e branco batizado de “Nossa carroça”.
- Em 2008, os diretores de fotografia Adrian Teijido e José Tadeu Ribeiro ganharam o prêmio de Melhor Direção de Fotografia oferecido pela Associação Brasileira de Cinematografia (ABC).

Trilha sonora:
- A trilha original de A pedra do reino foi elaborada por Marco Antônio Guimarães, compositor do renomado grupo mineiro Uakti, conhecido por desenvolver seus próprios instrumentos musicais. Ele reeditou com o diretor Luiz Fernando Carvalho a parceria do filme Lavoura arcaica (2001) e criou uma mistura estético-cultural unindo ritmos ibéricos, árabes, indianos, nordestinos, ciganos e indígenas. Entre os instrumentos que usou na minissérie estão o “chori” (feito com uma cabaça grande e duas cordas) e o “iarra”, ambos tocados com arco.


Fonte: Memória Globo

Amazônia - De Galvez a Chico Mendes



Autoria: Glória Perez
Direção: Marcelo Travesso, Pedro Vasconcellos, Carlo Milani, Roberto Carminatti e Emilio Di Biasi
Direção geral: Marcos Schechtman
Período de exibição: 02/01/2007 – 06/04/2007
Horário: 23h
N de capítulos: 55

Elenco:
Acacio Ferreira – capataz
Adalberto Nunes – pai de Heraldo
Adassa Martins – Rosilda
Adilson Magha – Raimundão
Adriano Garib – advogado
Alessandra Maestrini – Soledad
Alessio Abdon de Castro – Binho
Alex Reis – aluno
Alexandre Basilio – policial
Alexandre Borges – Plácido de Castro
Alexandre Liuzzi – Elson Martins
Alonso Gonçalves – Santivanez
Ana Paula Bouzas – Cida
Anderson Müller – Osmarino
André Arteche – Toinho
André Gonçalves – Zuca / Zé Ambrósio
André Luiz Rocha – cocheiro com Tavinho
Antonio Calloni – Padre José
Antonio Petrin – prefeito Gabino Besouro
Antonio Pitanga – Alcedino
Arlindo Lopes – Alcides
Arthur Kohl – amigo de Gomes
Aury Porto – Limirio
Bayard Tonelli – maestro
Bebeto Baía – seringueiro
Beno Bider – deputado
Bernardo Rebello – Guto
Bertrand Duarte – padre Cláudio
Betina Vianny – Aída
Betty Gofman – Amelinha
Beto Quirino – Cesarino, 2ª fase
Bianca Comparato – Celinha, 3ª fase
Brenda Haddad – Ritinha
Bruna Marquezine – filha de Wilson
Bruno Abrahão – Chico Mendes, criança
Caca Amaral – José Galdino
Cacau Hygino – homem
Cacau Melo – Diná
Caco Baresi – homem
Caio Blat – Ramiro
Camila Rodrigues – Ciça
Cândido Damm – Uhthoff
Carmelita Menezes – Luisa
Carolyna Aguiar – amiga Risoleta
Cássio Gabus Mendes – Chico Mendes
Cássio Pandolfi – Paravicini
Carl Schumacher – pai de Ilka
Carlos Estupiã – rapaz cortador
Carlos Faccin – Comandante
Carlos Sato – japonês
Carolina Holanda – Carminha
Cecília Lage – senhora
Charles Myara – Raimundo Doido
Chica Xavier – velha
Chico Santana – Jaime
Christiane Torloni – Maria Alonso
Christovam Netto – Zeca
Clarice Derziê – Joana
Clarisse Baptista – Zilá, 2ª fase
Cláudio Jaborandy – Benedito
Claudio Marzo – Ramalho Jr.
Clemente Viscaíno – Rodriguez
Clementino Kele – seringueiro velho
Cosme dos Santos – seringueiro
Crispim Junior – Delegado
Cristiana Oliveira – mulher de Bento
Cristovam Netto – Mestre Irineu
Cyria Coentro – Socorro
Dan Stulbach – Leandro, 2ª fase
Daniela Pinto – Delzuite, 1ª fase, criança
Debora Bloch – Beatriz
Dico Pantaleão – policial
Diego Guerra – rapaz que beija Ritinha
Diogo Vilela – poeta Juvenal Pontes
Duda Mamberti – Nassif
Duda Ribeiro – Doutor
Edmo Luis – Pascoal
Edney Giovenazzi – Silveira
Eduardo Galvão – Joaquim Victor
Eduardo Moreira – Arquilau
Emerson Montovani – soldado boliviano
Emilio Di Biasi – Dom Moacyr, 3ª fase
Emilio Orciollo Neto – Bento, 2ª fase
Eriberto Leão – Genesco
Ernani Moraes – Tiburtino
Eunice Bahia – Ayani
Eva Todor – Branquinho
Fabio Tomasini – Gal. Olympio
Fernanda Carvalho – Detinha
Fernanda Paes Leme – Belinha
Fernando Paganote – menino escola
Flavia Guedes – Marilsia
Flaviano de Oliveira – homem
Franciely Freduzeski – Amparito
Francisco Alencar – seringueiro que vai casar
Francisco Carvalho – Seu Moacir
Francisco Cuoco – Augusto, 3ª fase
Francisco Silva – seringueiro
Gabriela Barbosa Rodrigues e Silva – menina, cozinha
Gaspar Filho – assassino de Wilson
Giovanna Antonelli – Delzuite, 1ª e 2ª fase
Graça de Andrade – Waldizia
Gustavo Mello – Bento, 1ª fase, criança
Guti Fraga – paulista
Heitor Goldflus – Aldemar
Helena Giffoni – parteira
Helio Ribeiro – locutor
Henry Pagnoncelli – Proença
Humberto Martins – Augusto, 2ª fase
Humberto Martins Duarte Filho – menino
Igor Magalhães Almassy – Ramiro, 1ª fase
Ilya São Paulo – Viriato
Irene Ravache – Beatriz
Isabela da Cunha Rodrigues – Elenira
Isio Ghelman – Mr. Scott
Ivan de Almeida – Leorne
Ivens Godinho – Siqueira
Jackson Antunes – Bastião
Janaína Prado – Cleonice, 2ª fase
Jandira Martini – Donana, 2ª fase
Jassy Oliveira – Generina
Javert Monteiro – Coronel 1, 1ª fase
Jayme Del Cueto – juiz
Jayme Periard – Rebello
João Junior – seringueiro moribundo
João Miguel – Heraldo
João Signorelli – Ruy
José Antonio Gomes – Genésio
José de Abreu – Coronel Firmino Rocha
José Ramos – Zuca
José Wilker – Luiz Galvez Rodrigues de Arias
Josimar Mello – Mundinha
Juca de Oliveira – José de Carvalho
Julia Cruz de Souza – mulher
Julia Lemmertz – Risoleta
Juliana Alves – Áurea, 2ª fase
Julio Adrião – Távora
Julio Andrade – João Maia
Jurandir Oliveira – Russo
Kadu Moliterno – Souza Braga
Karla Martins – D. Filó, 2ª fase
Leona Cavalli – Justine, 1ª fase
Leonardo Medeiros – Wilson Pinheiro
Leopardo Yawabane – índio
Leopoldo Pacheco – Adrian
Letícia Spiller – Anália
Lima Duarte – Bento, 3ª fase
Lourdes de Moraes – Irmã Zélia
Luci Pereira – Jovina
Luis Bacelli – Campelo, 1ª fase
Luiz Fernando Coutinho – Professor
Luiz Vitalli
Magda Gomes – Bá de Augusto
Magdale Alves – Angelina
Malu Valle – Julia
Mano Melo – homem acreano
Marcello Gonçalves – Trindade
Marcelo Aquino – ecologista
Marcelo Assumpção – Tenente
Marcelo Borghi – homem
Marcelo Capobianco – João da Matta
Marcelo Dias – policial 2
Marcelo Faria – Romildo
Marcia do Valle – Diva
Marcio Seixas – locutor
Marcio Vito – Clemente
Marco Antonio Rosas – homem
Marcos Winter – Neto
Mariana Ribeiro – mulher Plácido
Mariangela Cantu – mãe de Ilka
Marina Filizola – Zulmira
Mario Hermeto – locutor quermesse
Matheus Nachtergaele – Poeta
Maurício Gonçalves – Irineu, jovem
Melise Maia – enfermeira
Milena Toscano – Ilca Jobim
Milton Gonçalves – Mestre Irineu Serra
Murilo Elbas – Alexandrino
Murilo Grossi – Delegado da Polícia Federal
Mussunzinho – Dico
Nardel Ramos – policial
Natalio Maria – seringueiro velho 3
Neusa Borges – Zefinha
Nildo Parente – tio de Plácido
Nilvan Santos – seringueiro
Norival Rizzo – José Maia
Octacilio Coutinho – seringueiro
Odilon Wagner – Alarico
Osmar Prado – Gianni
Osvaldo Mil – Raimundão
Paschoal Vilaboim – Genésio
Patrick de Oliveira – Alípio
Pattricia de Aquino – mulher de Wilson
Paula Pereira – Maroca, 2ª fase
Paulo Ascenção – soldado
Paulo Betti – Gomes
Paulo Cesar Pereio – poeta 1, 1ª fase
Paulo Giardini – Juiz Longhini
Paulo Goulart – Tavares, 3ª fase
Paulo Nigro – Tavinho
Paulo Vespúcio – Alexandrino
Pedro Furtado – Carlinhos, 2ª fase
Pedro Magaldi – Augusto, infância
Pedro Paulo Rangel – Conrado
Pimentha Junior – rapaz armazém
Raul Franco – Geraldo
Ravi Lacerda – seringueiro 2
Regina Casé – Maria Ninfa
Renato Oliveira – Valdo
Ricardo Bravo – Lino Romero
Ricardo Magaldi
Ricardo Petraglia – Darly
Roberto Azzolinni – homem (palácio do governo)
Roberto Bonfim – Elias
Roberto Frota – Pedro Freire
Rogerio Barros – seringueiro professor
Ronaldo Dappes – Augusto, adolescência
Rony Cássio – Amâncio, 2ª fase
Rosane de Souza – outro dia
Rosimar de Mello – Mundinha
Ruth de Souza – madrinha entrevada, 2ª fase
Sergio Lelys – capataz
Sergio Monte – Tavares
Sheron Menezes – Veronica, 2ª fase
Silvia Buarque – Mary Alegretti
Silvio Pozatto – Reitor
Simone Debet – babá
Sóstene Vidal – Honório
Stepan Nercessian – Rola
Suyanne Moreira – Ianká
Suzana Faini – Zeferina
Sylvia Massari – Dalva de Oliveira, 2ª fase
Tania Alves – Dos Anjos
Tarcísio Filho – Orlando Lopes
Tatiana Tibúrcio – empregada de Beatriz
Tato Gabus – Brito, 3ª fase
Teca Pereira – Nazaré
Tereza Seiblitz – Olguinha, 2ª fase
Thales Coutinho – Lago
Thales Mendonça Mendes da Silva – menino
Theodoro Cochrane – organizador
Thiago Oliveira – Bento, 1ª fase, jovem
Thiago Tenório – Jorge
Thomaz Veloso Rebelo da Silva –menino 2
Tião D'Ávila – Helio Melo
Tonico Pereira – Genival
Tony Ravan – Lula
Totia Meireles – Dalva
Val Perre – Vitorino
Valter Santos – Nilo
Vanessa Giácomo – Ilzamar
Vanessa Priscila – Silvana
Vera Fischer – Lola
Victor Fasano – Gentil
Vinicius Soares – seringueiro
Wal Scheneider – seringueiro que a noiva não veio
Werner Schunemann – Rodrigo de Carvalho
William Ferreira – Senador Kasten
William Vita – Viriato
Wilson Rabelo – seringueiro 2
Yeda Dantas – mulher acreana
Zezé Polessa – Justine, 2ª fase

A Trama:
- Baseada nos romances O seringal, de Miguel Ferrante e Terra caída, de José Potyguara, a minissérie Amazônia – de Galvez a Chico Mendes narra a história do Acre, a última região a ser anexada ao território brasileiro. Durante muitos anos, o estado, antes Boliviano, atraiu nordestinos e estrangeiros que deixavam suas cidade em busca de uma vida melhor através da extração do látex. A busca incansável por novas áreas de extração prejudicou a natureza, cada vez mais explorada de forma predatória, e trouxe pobreza para a região. A minissérie conta todo esse processo, ao longo de 100 anos, através de três personagens centrais: Galvez (José Wilker), Plácido de Castro (Alexandre Borges) e Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes). Para narrar a minissérie, Glória Perez misturou dados reais e ficção.
- A história começa em 1899, no Acre, e mostra a vida nos seringais no período áureo da borracha, quando apenas a região era produtora do material e despertava o interesse do mundo inteiro. De um lado, a família do seringueiro Bastião (Jackson Antunes). De outro, a do seringalista Firmino (José de Abreu). Fugindo da seca nordestina, Bastião chega ao Acre com a esperança de conseguir um futuro melhor para sua família. Ele é casado com Angelina (Magdale Alves), com quem tem dois filhos: Delzuite (Daniela Pinto) e Bento (Thiago Oliveira). Bastião se decepciona quando chega ao seringal Santa Rita, propriedade de Firmino, e percebe que a prosperidade que esperava ter não passava de ilusão. Assim como os demais seringueiros, Bastião e sua família estão nas mãos do coronel, que controla todos os seus gastos, monopolizando os produtos à venda no armazém e estabelecendo preços abusivos. Além disso, os seringueiros são obrigados a vender o látex que conseguiram para o dono do seringal onde trabalham. Os anos passam e Bastião vai nutrindo um ódio pelo coronel Firmino. Com a ajuda do Padre José (Antônio Calloni), ele e outros seringueiros passam a reivindicar seus direitos.
- Outra trama de destaque na primeira parte da minissérie é a de Delzuite (Giovanna Antonelli), filha de Bastião. Ela se transforma em uma linda jovem e desperta o interesse do seringueiro Viriato (Ilya São Paulo), que a pede em casamento. Delzuite aceita e acredita que a união lhe dará uma vida melhor. Ela não contava, no entanto, que um outro homem cruzaria o seu caminho e transformaria inteiramente seu destino. Ao conhecer Tavinho (Paulo Nigro), filho mais velho do coronel Firmino, ela se apaixona perdidamente por ele e não percebe que o rapaz, apesar de inúmeras promessas e juras de amor, não quer nada a sério com ela.
- Enquanto isso, o irmão de Delzuite, Bento (Emilio Orciollo Netto) torna-se cada vez mais amigo do filho mais novo do coronel Firmino, Augusto (Ronaldo Dappes). Os dois são os únicos personagens que permanecem nas três fases da história. Bento acredita que quando assumir as terras do pai, Augusto implementará mudanças para beneficiar os seringueiros. Mas o tempo acaba separando os dois e a velha e sincera amizade termina. Bento se decepciona com Augusto, que se torna um coronel tão autoritário e cruel como seu pai, Firmino.
- Outro personagem central da primeira fase da história é o Luiz Galvez. Paralelamente às tramas do seringal, a minissérie mostra a chegada do espanhol em Manaus, onde ele encontra uma antiga amiga, a bela Lola (Vera Fisher), uma cortesã esperta e ambiciosa, apaixonada por ele. Os dois decidem abrir uma casa noturna, que passa a ser freqüentada pelos grandes coronéis da borracha. Através do cabaré, Galvez descobre que a Bolívia está prestes a arrendar a região do Acre a um consórcio anglo-americano e decide iniciar um movimento pela conquista do Acre. A primeira fase também apresenta o advogado José de Carvalho (Juca de Oliveira), personagem que batalha para conquistar a independência do Acre. Ele é amigo e advogado de Firmino.
- Sedutor, Galvez atrai e se envolve com muitas mulheres. Além de Lola, ele tem uma história mal resolvida com Beatriz (Débora Bloch). No início da trama, Beatriz é amante de Galvez. Bonita e cheia de vida, Beatriz vive no Rio de Janeiro com o marido Gomes (Paulo Betti). Ela acredita nas promessas do espanhol e decide abandonar o marido para fugir com ele. Galvez, no entanto, não cumpre o prometido e parte sozinho para Manaus. Abandonada pelo amante e pelo marido, Beatriz decide ir atrás de Galvez, em Manaus. No norte do país, depois de se envolver com Lola, Galvez se apaixona por Maria Alonso, dançarina da Companhia Zarzuela que se apresenta em seu cabaré. A dançarina não resiste aos encantos do espanhol e decide largar o marido Gianni (Osmar Prado) e a carreira para ficar com ele. Quando Galvez decide ir para o Acre para lutar pela independência do estado, Maria Alonso se arrepende de ter deixado o marido. Com o passar do tempo, ele decide pedir perdão a Gianni e os dois se reconciliam. Já Beatriz não consegue esquecer Galvez e passa as três fases da história sofrendo por não ter conseguido ficar ao lado de seu amor.
- A família do coronel Firmino também traz outro núcleo de personagens importantes na história. Ele é casado com Julia (Malu Valle), mas mantém um caso com Justine (Leona Cavalli), dançarina do cabaré de Lola. Justine se apaixona pelo coronel e engravida dele. Firmino decide deixar o bebê em uma cesta na frente de sua própria casa para que Julia, comovida com a criança abandonada, decida criá-la. Julia sabe que aquele menino é filho de seu marido com Justine, mas decide educá-lo com todo seu amor e Leandro (Dan Stulbach) cresce como irmão de Tavinho e Augusto. Em determinado momento da história, Julia toma um chá de uma erva venenosa e morre. Beatriz acha que com a morte da irmã, se casará com Firmino, mas ela se revolta ao saber que o cunhado irá se casar com Justine e ela continuará solitária.
- Ciente da conflituosa situação do Acre, Galvez decide agir. O estado vive uma difícil situação, pois, apesar de ser território boliviano, fora povoado por brasileiros que migravam do Nordeste atraídos pela exploração da borracha. Quando a Bolívia decide retomar seu território, de olho no lucro obtido com o látex extraído das seringueiras, o governo brasileiro não se opõe, pois a região, de acordo com o Tratado de Ayacuchi, pertencia ao país vizinho. O povo acreano se revolta com a situação e seringueiros, liderados por Galvez, resistem à ocupação boliviana. Em 14 de julho, concretizam a criação do Estado Independente do Acre, com capital na cidade do Acre, antes chamada Puerto Alonso. Galvez é aclamado presidente do novo país, com bandeira e hino próprios. Com o tempo, Galvez acaba despertando o descontentamento de muitos seringalistas, que se revoltam com os impostos cobrados pelo novo governo. Galvez foi deposto pelo seringalista Antônio de Souza Braga, que não consegue se manter no poder e devolve o comando ao espanhol. O Governo Federal Brasileiro, porém, sabendo que o não cumprimento do tratado coloca em risco suas relações internacionais, ameaça entrar em guerra com o novo país. Sem saída, Galvez é destituído e o Brasil devolve a região do Acre à Bolívia. Galvez, com malária, parte para Belém, onde fica durante um tempo, até retornar à Espanha.
- Enquanto isso, Plácido de Castro, jovem militar gaúcho, decide tentar a sorte no Norte do país, demarcando seringais na Amazônia. Apesar de jovem, é um homem austero e rígido, um militar por vocação. É nesse mesmo momento que o ex-governador do Acre, Ramalho Jr. (Cláudio Marzo), financia a Expedição dos Poetas, sem o conhecimento do governo central, liderada por Orlando Lopes (Tarcísio Filho), com o apoio de Rodrigo de Carvalho (Werner Schunemann), para expulsar os bolivianos e retomar o Acre. O levante intelectual, no entanto, é derrotado. Amigo de Plácido, Orlando o convoca para lidera um novo embate. Plácido aceita e passa a ensinar noções militares e treinar os seringueiros, que, armados com facões, conseguem derrotar o exército formal boliviano. Ao alcançar Xapury e obter a adesão de toda população local, Plácido proclama a independência do estado do Acre e é aclamado governador do Estado Independente. A Bolívia reage novamente, mas é derrotada. O governo Brasileiro interfere e envia tropas à região, com o intuito de tomar o poder. Plácido recusa-se a lutar contra o Exército Brasileiro e dissolve o exército acreano. O militar decide se mudar para o Rio de Janeiro. Quando volta ao Acre, algum tempo depois, é nomeado prefeito, mas por pouco tempo. Em agosto de 1908, Plácido de Castro sofre uma emboscada e morre. Apesar da luta de sua família por justiça, seus assassinos nunca foram punidos.
- Há uma passagem de tempo de quatro décadas e a segunda parte da minissérie tem início na década de 1940. A fase retrata o período de decadência da borracha e é contada através de tramas ficcionais. Com a plantação organizada das seringueiras na Malásia, o Brasil perde a liderança na produção e vê o preço do látex cair no mercado. Nessa segunda fase, toda a riqueza decorrente do ciclo da borracha estava distribuída desigualmente, o que acentuava ainda mais a diferença entre as classes dominantes e os seringueiros.
- O coronel Firmino morre e, como Tavinho mora na Europa, cabe a Augusto (Humberto Martins) a tarefa de cuidar dos negócios do pai. Para decepção de Bento, Augusto se torna um patrão tão injusto quanto seu pai. Augusto está de casamento marcado com a doce Risoleta (Julia Lemertz), mas ele é amante de Anália (Letícia Spiller), mulher de Tiburtino (Ernani Moraes). Seu irmão Leandro não gosta do jeito que Augusto trata Risoleta, por quem é apaixonado. Leandro é um homem digno e honesto, que discorda das atitudes de seu irmão com os seringueiros. Ao longo da trama, Leandro declara seu amor à Risoleta. No início, ela resiste, mas aos poucos, acaba cedendo às investidas do cunhado. Com medo da perseguição de Augusto, os dois decidem fugir juntos. Quem não gosta nada da aproximação entre Leandro e Risoleta é Beatriz (Irene Ravache). Ela teme que o filho bastardo de Firmino atrapalhe o casamento de seu sobrinho, assim como Justine (Zezé Polessa) fez com o casamento da irmã. Beatriz e Justine vivem trocando farpas e não escondem a raiva que sentem uma da outra.
- Outro personagem importante da segunda fase da história é Ramiro (Caio Blat), filho de Delzuite e Tavinho. O rapaz pensa que é filho do boto, história que sua mãe contara na época que engravidou, quando Tavinho não assumiu a paternidade. Ramiro trabalha no seringal Santa Rita e é casado com Ciça (Camila Rodrigues). Os dois vivem felizes até o dia em que Ramiro resolve dar abrigo a Heraldo (João Miguel), um soldado da borracha que não tem onde morar. Heraldo tenta seduzir Ciça, causando uma situação desconfortável para ela. Um dia, Ramiro chega em casa e vê Heraldo tentando agarrar Ciça. Descontrolado, ele o mata e acaba preso.
- Mestre Irineu Serra (Milton Gonçalves) é outro personagem de destaque na segunda fase da minissérie. Ele leva a ayahuasca para Rio Branco e funda, em torno da bebida, uma comunidade religiosa atualmente conhecida como o Santo Daime. Mestre Irineu vai ao seringal a pedido da Madrinha Entrevada (Ruth de Souza), que ficou com as pernas paralisadas depois de ser atacada por uma onça quando era jovem. Com o passar dos anos, ela começou a sentir dores muito fortes. Madrinha Entrevada também conta com a ajuda da neta Ritinha (Brendha Haddad). A jovem é fisicamente idêntica à sua mãe, por quem Bento fora apaixonado quando era mais moço. Ao encontrar Ritinha no seringal, Bento fica confuso com a semelhança entre a jovem e seu grande amor. Ritinha, no entanto, se envolve com Toinho (André Arteche), deixando Bento sem esperanças. Ele desiste de Ritinha e decide se casar com a seringueira Carminha (Carolina Holanda).
- Outras tramas paralelas da segunda da história são: a vida de Conrado (Pedro Paulo Rangel) e Maroca (Paula Pereira); o poeta Juvenal (Diogo Vilela), recém-chegado ao território para ocupar o cargo de promotor de justiça, apaixonado por Verônica (Sheron Menezes); e a família do governador do Acre (Roberto Bomfim): sua mulher Olguinha (Tereza Seiblitz) e seu filho Carlinhos (Pedro Furtado). A segunda fase da minissérie também mostra a infância de Chico Mendes (Brunno Abrahão) e suas primeiras experiências no seringal.
- A terceira fase da história se passa na década de 1980 e apresenta Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes) adulto, a terceira figura emblemática na história do Acre. Preocupado com a exploração desenfreada da floresta amazônica e a precária situação dos seringueiros, Chico Mendes decide se organizar para lutar por mudanças. Além da desvalorização dos seringais, da exploração dos fazendeiros locais, que desmatavam as áreas para fazer pastos de gado, a construção da Transamazônica também leva prejuízo para a região. Chico Mendes une seringueiros e índios em uma grande frente e desperta a revolta dos fazendeiros locais.
- O grande amigo de Chico Mendes é Bento (Lima Duarte), personagem que acompanha toda a história do seringal. Seu amigo de infância Augusto (Francisco Cuoco), também esteve presente nas três fases da minissérie e ilustrou a trajetória dos coronéis da borracha, desde o auge da exportação do látex, no final do século XIX, até a decadência dos seringais, vendidos a agropecuaristas e transformados em pasto para gados. O doce e honesto Bento é casado com Carminha (Cristiana Oliveira), mas nunca esqueceu Ritinha, seu único e verdadeiro amor. Com o apoio de outros líderes seringueiros, Bento e Chico Mendes lutam contra os interesses de Tavares (Paulo Goulart), Darly Alves (Ricardo Petráglia) e Brito (Tato Gabus), poderosos fazendeiros da região. Os três decidem neutralizar as ações de Chico Mendes e, para aterrorizar os seringueiros, mandam matar Wilson Pinheiro (Leonardo Medeiros).
- Os seringueiros ficam arrasados com a morte do companheiro, mas Chico Mendes não desiste de sua luta. Ele conta com o apoio de dois amigos influentes: a antropóloga Mary Alegretti (Sílvia Buarque) e o cineasta inglês Adrian (Leopoldo Pacheco). Mary vai para o Acre por conta de sua tese sobre seringais e acaba se tornando participante ativa na luta dos seringueiros. Ao lado de Chico Mendes, realiza o projeto seringueiro, que inclui o levantamento de escolas nos seringais e a formação de uma cooperativa. Depois de assistir a um discurso de Chico Mendes em Brasília, Adrian decide fazer um filme sobre ele, e passa a segui-lo dia e noite. Através do apoio dos dois amigos, Chico Mendes consegue expor suas idéias para os membros de uma instituição financeira internacional em uma reunião nos Estados Unidos. O seringueiro vai a Washington e sensibiliza as autoridades estrangeiras para a causa da Amazônia. A repercussão do discurso de Chico Mendes é grande e ele chega a ser entrevistado pelo jornal New York Times. O financiamento aos fazendeiros no Acre é suspenso, o que gera revolta entre eles. Tavares, Brito e Darly não vêem outra alternativa a não ser acabar com a vida de Chico Mendes. Ameaçado, o seringueiro passa a andar com seguranças.
- Chico Mendes recebe diversos prêmios internacionais pelo serviço prestado à causa do meio ambiente e seu nome torna-se cada vez mais conhecido no mundo todo. Sua causa também era apoiada pelo padre Cláudio (Bertrand Duarte) e pelo jornalista Elson Martins (Alexandre Liuzzi), entre outros. O padre Cláudio defendia as ações de Chico Mendes em suas missas e também se tornou inimigo dos fazendeiros locais, que o obrigaram a deixar a cidade. Cláudio decide largar a batina em nome da luta pela preservação da Amazônia e ao apoio a Chico Mendes. O jornalista Elson Martins acompanhou de perto toda a saga de Chico Mendes, de 1975 até a sua morte, em dezembro de 1988.
- A situação se agrava quando Chico Mendes impede que Darly compre as terras dos seringueiros e o fazendeiro tem suas terras desapropriadas pelo governo. Ciente dos inimigos que conquistou devido à sua luta, Chico dá uma entrevista à imprensa e afirma que será assassinado. Em 22 de dezembro de 1988, o seringueiro é baleado em sua própria casa, em Xapury, e morre nos braços de sua mulher, Ilzamar (Vanessa Giácomo), que assiste, sem poder fazer nada, a omissão dos policiais responsáveis pela segurança de seu marido.

Produção:
- Entre agosto e outubro de 2006, durante 72 dias, a equipe gravou cenas na região Norte, em locações no Acre e no Amazonas. Ao todo, 150 profissionais, entre as equipes de direção, produção, cenografia, figurino, produção de arte, caracterização, efeitos especiais, técnicos e elenco gravaram em florestas, rios, praias e centros históricos. Foram enviadas cerca de 20 toneladas de equipamento e mais de 16 mil peças de figurino confeccionadas especialmente para a minissérie.
- No Acre, a locação para a construção da cidade cenográfica foi escolhida em função da paisagem: no meio da floresta, em Porto Acre. Às margens do Rio Acre, a equipe da TV Globo construiu duas cidades cenográficas que reproduziam o mesmo local, porém em épocas distintas do final do século XIX. Uma delas é Puerto Alonso, após a chegada de Luiz Galvez, que depois passou a se chamar Porto Acre. As cidades foram levantadas numa área de mais de dois mil metros quadrados em apenas um mês. Foram contratados cerca de 300 profissionais para auxiliar a equipe da TV Globo. Todas as edificações foram produzidas com material da região.
- Em Manaus foram gravadas as cenas que retratavam o glamour da belle époque. No início do século XX, a capital amazonense era a cidade mais desenvolvida e uma das mais prósperas do mundo, pois todo o lucro obtido com a venda do látex era investido na cidade, que se transformou também em um atraente pólo cultural. São desse período o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Palácio Rio Negro e o prédio da Alfândega, cenários que serviram de pano de fundo para as gravações da minissérie.
- Para reproduzir o porto da cidade, um dos locais mais importantes da época, por causa da entrada e saída do látex, sete barcos e quatro canoas foram adaptados para as cenas que mostram a movimentação comercial no rio Acre e a chegada e partida dos personagens da história. A equipe de cenografia também procurou materiais desgastados pelo tempo para dar maior veracidade à época retratada pela primeira fase da minissérie.
- A produção de arte também contou com o trabalho de profissionais locais para fabricação de objetos de cena. Moringas, garrafas de barro com pinturas específicas, entre outros artefatos, foram encomendados a artesãos e às tribos indígenas locais. As carroças e cangalhas, utilizados para o transporte de carga, também foram produzidas na região. A equipe de produção de arte teve a incumbência de reproduzir materiais específicos da época, como balanças do século XIX, onde a borracha era pesada, as machadinhas usadas para a extração do látex da seringueira, armas e facões, entre outros objetos. Todo esse material saiu do Rio de Janeiro rumo ao Acre em quatro caminhões.
- Outro desafio da produção de arte foi reproduzir os uniformes dos guerrilheiros bolivianos, que eram retratados na minissérie. A equipe entrou em contato com pesquisadores na Bolívia para reunir informações sobre o uniforme.
- Outros cenários da minissérie foram feitos na Central Globo de Produção, em Jacarepaguá. Em uma área de aproximadamente 5.500 m², foram construídas cinco cidades cenográficas que contaram os cem anos retratados pela trama. Para a elaboração do projeto das cidades cenográficas foram consultados fotos, livros e enciclopédias sobre o desenvolvimento de Manaus. A sede do seringal foi igualmente reproduzida na Central Globo de Produção. Para reproduzir os seringais, a equipe de cenografia visitou alguns abrigos ainda existentes em Xapury, no Acre. Todo o projeto tem o estilo dos chalés dos seringais do início do século XX. Entre os cenários em estúdio, destacam-se o cabaré da personagem Lola e os interiores das casas de Manaus e do Acre de Firmino. Graças à computação gráfica, atrás da casa de Firimino podia se ver o Teatro Municipal do Amazonas. A cidade de Rio Branco também foi reproduzida na Central Globo de Produção.
- A equipe de figurino de Amazônia realizou um trabalho cuidadoso para reproduzir as diferentes fases dos personagens da história. Na primeira fase, que começa no final do século XIX, estão representadas três diferentes comunidades: a aristocracia, os seringueiros e as tribos indígenas. Durante o áureo período da borracha, os seringueiros usavam um uniforme fornecido pelos seringalistas: uma calça, uma camisa de material resistente chamada gandola e um barrete, uma espécie de chapéu. Destaca-se o figurino da parteira Maria Ninfa (Regina Case), que usava um cinto com apoio, onde ficavam ervas, facas, crucifixos, entre outros utensílios para benzer e fazer partos.
- Em oposição aos figurinos do núcleo de personagens do seringal estava o glamour da belle epoque de Manaus. Seguindo a moda européia, homens e mulheres esbanjavam riqueza. O figurino de Maria Alonso, personagem de Christiane Torloni, fazia referência à cultura espanhola, muito sensual e feminino. As roupas de Lola, interpretada por Vera Fisher, foram inspiradas no visual da Rainha Alexandra. A tiara usada pela personagem é o símbolo de Diana, a deusa grega da caça.
- Para auxiliar na composição de seus personagens, alguns atores visitaram o Seringal Chico Mendes, uma área de preservação em Xapury, no Acre, para se familiarizarem com o cotidiano do universo dos seringueiros. Thiago Oliveira, Anderson Muller, Márcio Vito, Val Perre, Paulo Nigro, Antônio Pitanga, Humberto Martins, entre outros atores, passaram três noites no local, absorvendo um pouco do linguajar e das tarefas desempenhadas pelos seringueiros. Letícia Spiller, Giovanna Antonelli, Magdale Alves, Cacau Melo, Tânia Alves e Suyanne Moreira ficaram no alojamento, acompanhando a rotina das mulheres dos seringueiros. Elas aprenderam sobre culinária local e conheceram histórias reais de quem vivenciou a época retratada pela minissérie.

Curiosidades:
- Filha de acreanos, Gloria Perez nasceu no Rio de Janeiro. Com um mês de idade, voltou para o Acre com os pais, e lá morou até os 16 anos. A autora conta que narrar a história de sua terra natal era um sonho antigo. Com o desenvolvimento de novas tecnologias e equipamentos que permitem gravar em plena floresta amazônica, o projeto pôde ser concretizado.
- Em julho de 2006, autora, diretor, elenco e equipe se reuniram em um workshop especial sobre os temas abordados pela minissérie, como o cotidiano dos seringueiros e a conquista territorial do Acre. Participaram do workshop o então governador do Acre, Jorge Viana, o seringueiro Aldenor da Costa Cruz, a parteira Martinha de Almeida Pinto, Lupércio Freire Maia, antigo soldado da borracha que migrou do Nordeste para o Acre para servir na Amazônia, entre outros nomes. A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também participou do encontro e, entre outros temas, falou sobre Chico Mendes. Os filhos de Chico Mendes, Sandino e Elenira, estiveram presentes ao workshop, que também contou com a presença dos jornalistas Armando Nogueira e Zuenir Ventura – o primeiro por ter nascido no Acre e o segundo, por ter feito a cobertura da morte do seringalista Chico Mendes.
- A minissérie marcou a estréia na televisão de muitos atores: Brendha Hadad, Sóstenes Vidal, José Ramos, Val Perre, Eunice Bahia, Luci Pereira, Magdale Alves, Marcio Vito, Suyanne Moreira, entre outros nomes.
- Cora Rónai, Zuenir Ventura, Mary Akiersztein e Elson Martins fizeram uma participação especial no último capítulo da minissérie, durante a seqüência do enterro de Chico Mendes.
- A soprano Claudia Riccitelli e o tenor Marcos Paulo fizeram uma participação especial na história.
- A Rede Globo promoveu uma exposição sobre a minissérie no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Através de vídeos e fotos, o público pôde conhecer um pouco sobre a história do Acre e da Amazônia. Além disso, o visitante se deparou com um painel de 83 metros de comprimento e quatro metros de altura reproduzindo a selva amazônica. Peças usadas pela cenografia e produção de arte da minissérie também estavam expostas.
- Em novembro de 2006, a autora Glória Perez, o diretor Marcos Schechtman, a produtora de arte Ana Maria Magalhães, a cenógrafa Juliana Carneiro e a figurinista Emilia Duncan participaram de um seminário na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo, sobre a minissérie. A iniciativa foi do Globo Universidade, setor da TV Globo que tem o objetivo de gerar um intercâmbio de conhecimento e diálogo acadêmico com instituições de ensino superior. Em parceria com a FAAP, o seminário Amazônia, de Galvez a Chico Mendes reuniu a equipe da minissérie para debater e refletir com estudantes e professores sobre os processos de criação e produção da minissérie filmada no Acre.
- A autora Glória Perez foi homenageada pelo então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, pelo trabalho desenvolvido na minissérie. A homenagem foi feita durante um evento em comemoração a Plácido de Castro e aos 104 anos da revolução acreana comandada pelo militar gaúcho.

Trilha sonora:
- A música de abertura da minissérie foi Caminho das águas, de Rodrigo Maranhão, interpretada por Maria Rita. Entre as canções nacionais da trilha sonora, destacam-se A noite de meu bem, sucesso de Dolores Duran na voz de Milton Nascimento; Espere por mim, morena, de Gonzaguinha; e Luar do sertão, composição de Catulo da Paixão Cearense na voz de Roberta Miranda.

Fonte: Memória Globo

quinta-feira, 25 de março de 2010

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