terça-feira, 30 de março de 2010

Memorial de Maria Moura



Autoria: Jorge Furtado e Carlos Gerbase
Colaboração: Renato Campão e Glênio Póvoas
Direção: Denise Saraceni, Mauro Mendonça Filho, Marcelo de Barreto e Roberto Farias
Direção artística: Carlos Manga
Período de exibição: 17/05/1994 - 17/06/1994
Horário: 22h30
Nº de capítulos: 24

Elenco:
Adele Fátima - cafetina
Alexandre Zacchia - Genésio
Amir Haddad - Mascate
Ana Carneiro - mãe da família assaltada
André Ricardo - Zezinho
Andrea Ribeiro -Zita
Angelo de Matos - pai de Maria Moura
Antônio Gonzales - Leocádio
Antonio Grassi - Anacleto
Ariclê Perez - Gertrudes
Beija-Flor - homem barbudo
Bertrand Duarte - Zé Soldado
Bete Mendes - mãe de Maria Moura
Bia Seidl - Bela
Bruno Silva - Jardilino aos dez anos
Camilo Bevilacqua - Alípio
Carla Jardim - Dina
Carlos Gregório - Dr. Silvino
Cassiano Carneiro - Novato
Celso Frateschi - Liberato
Chica Xavier
Chico Diaz - Duarte
Chico Expedito - Zé Pedro
Claudio Gabriel - Maninho
Clementino Kelé
Cléo Pires - Maria Moura menina
Creo Kelab - Jesuíno
Cris Leonardo - moleque de marias pretas
Cristiana Caldas - Zita aos cinco anos
Cristiana Oliveira - Marialva
Élio Penteado - homem do bando de Tonho e Irineu
Ernani Moraes - Tonho
Expedito Barreira - Juvêncio
Francisco de Assis - delegado
Francisco Nagem - dono do armazém
George Vinícius - Juco
Geraldo Capeta - Jeová
Germano Filho - Bispo
Gilberto Periqui - capitão
Gilson Moura - Salviano
Glória Pires - Maria Moura
Helio Souto - Tio Hércules
Isabela Bicalho - Berenice
Ivone Hoffmann - D. Mocinha
Jackson Antunes - Valentim
Jece Valadão
João do Reino
Joel Barcellos - Roque
Jorge de Souza Macedo - atirador de facas
José Marinho - tenente
Kadu Moliterno - padre José Maria
Leônidas Aguiar - vaqueiro
Lui Mendes - Jardilino
Luis Carlos Arutin - Tonico
Manfredo Bahia - Mestre Luca
Marcelo Bragança - dono do Sítio dos Sete Riachos
Marcos Palmeira - Cirino
Maria Ribeiro - velha
Maria Silvia - jovem
Matias Corrêa - feitor
Miriam da Penha - Iria
Miriam Pires - Gerusa
Nelson Xavier - Padre Marcelino
Neusa Navarro - dona da pensão
Otávio Muller - Irineu
Pablo Cabral - pagão
Paulo Pereira - rapazote da família assaltada
Paulo Vespúcio - Pé de Bode
Paulo Wuedes - amigo de Anacleto
Renata Fronzi - Aldenora
Ricardo Pavão - pai da família assaltada
Rodrigo Drippê - Raimundinho
Rodrigo Faria - moleque das marias pretas
Rômulo Marinho - tenente-médico Rodrigo Mendonça (soldado)
Rosamaria Murtinho - Eufrásia
Rubens de Falco - Tibúrcio
Ruth de Souza - Siá Mena
Ruy Rezende - Damião
Sebastião Vasconcellos - João Rufo
Sergio Britto - Eliseu
Thereza Amayo - Joaninha
Toninho da Cruz - feitor da fazenda Atalaia
Vanda Lacerda - D. Francisca
Vic Militello - D. Ninosa
Vicente Barcellos - praça
Zezé Motta - Rubina
Zezé Polessa - Firma
Zózimo Bubul - Mestre Quixó

A Trama:
- Adaptada do romance homônimo de Rachel de Queiroz, Memorial de Maria Moura conta a saga de uma mulher que enfrenta as adversidades de uma sociedade machista no século XIX. Tendo como protagonista a personagem Maria Moura (Glória Pires), a quem todas as histórias e personagens paralelas acabam remetendo, a minissérie trata de temas como a luta por justiça, amores impossíveis e mortes. Tudo em acordo para conotar uma época e um contexto social rude e frio, em que a posse de terras significava não apenas poder econômico, mas também poder político e posição social.
- Maria Moura tem um histórico familiar difícil. Perde o pai na infância e, aos 17 anos, encontra a mãe (Bete Mendes) morta, pendurada no teto de casa pelo pescoço, como num suicídio. A moça sabe, no entanto, que sua mãe não possuía motivos para isso. O provável assassino é o seu padrasto, que passou a aliciá-la após a morte da mãe. Apesar disso tudo, Maria Moura não se deixa abater e cresce forte, com enorme amor pela vida. Protegida por empregados da família, forma um bando para perseguir seu sonho: a conquista da terra herdada de seu pai, a Serra dos Padres. Tal fato passa a ser sua maior luta após a perda dos pais. Para se vingar do padrasto e matá-lo, Maria Moura seduz Jardilino (Lui Mendes), amigo de infância e empregado da família, que é quem executa o crime.
- Imersa na violência e nas disputas tão presentes em seu contexto de vida, ela passa a reagir com igual rivalidade com todos que descumprem suas regras e leis. Assim, enfrenta uma jornada até a Serra dos Padres com o intuito de repelir a invasão do seu sítio pelos primos Tonho (Ernani Moraes), Irineu (Otávio Muller) e Firma (Zezé Polessa), pessoas inescrupulosas, a quem ela ataca mesmo sabendo que eles têm direito à posse, já que sua mãe só possuía um terço da propriedade. Dos primos, Maria Moura só se afeiçoa a Marialva (Cristiana Oliveira), a quem trata como se fosse uma irmã.
- Indo contra as regras sociais estabelecidas por um sistema patriarcal, onde a submissão feminina é uma constante, a protagonista é capaz de tudo por sua liberdade, sendo cruel com seus adversários e extremamente leal com os que a apóiam. Sua rudeza cai ao perceber-se apaixonada por Cirino (Marcos Palmeira), um sedutor imaturo e irresponsável. Nessa altura, ela fraqueja por um momento e recupera a ingenuidade que julgava perdida.
- Marialva conhece Valentim (Jackson Antunes), um integrante do circo, malabarista e atirador de facas, por quem se apaixona e com quem acaba fugindo para a casa de Maria Moura. Ambos passam a fazer parte dos que lutam com ela. Marialva encontra a possibilidade de escapar do duro convívio com os irmãos Firma, Tonho e Irineu, sendo amiga somente do irmão Duarte (Chico Diaz), que também segue para ajudar Maria Moura. Marialva acaba tendo uma filha, que recebe o nome de Raquel.
- Maria Moura, ao se ver traída pelo homem que amava e se sentindo refém desse amor, pede a Valentim que atire uma de suas facas em Cirino para matá-lo. Em seguida, recebe de volta em suas mãos um lenço com o sangue do amado, e sofre muito com a morte dele.
- O padre José Maria (Kadu Moliterno) tem um papel emocionante na trama. Ao se apaixonar por Bela (Bia Seidl), uma mulher sensual, casada com Anacleto (Antonio Grassi), homem capaz de brutais violências, José Maria acaba sendo vítima de uma tragédia. Ao ser incapaz de manter-se fiel à castidade, a seus valores pessoais e mesmo ao amor que sentia por Bela, ele se sente culpado. Chega a desfrutar da paixão pela amada, mas sua história acaba quando ela, grávida, é assassinada pelo marido. Depois do episódio, José Maria vai se embrutecendo. Acaba procurando proteção em terras de Maria Moura, e passa a integrar seu bando.
- Maria Moura, aos poucos, perde sua família, sua honra e, por último, tentam lhe tomar a terra, que ela defende até a morte. Para a batalha final, armam-se dois lados. Em um está Maria Moura e seu bando; no outro, um grupo liderado por seus primos e Eufrásia (Rosamaria Murtinho), o núcleo de vilões da história.
- Entretanto, na véspera da luta, Maria Moura deixa a escritura das terras da Serra dos Padres com Marialva e Valentim, pedindo-os que dêem a Raquel a posse de tudo que lhe pertence. No dia marcado para o enfrentamento, Maria Moura ordena a seu bando que permaneça na casa e segue sozinha para cumprir seu destino, pensando em se entregar ou mesmo morrer, para poupar os outros. Ela havia percebido que os adversários estavam mais bem preparados. Descumprindo suas ordens, Duarte a segue. Montados em seus cavalos, com os inimigos atirando contraos dois, Duarte morre primeiro. Maria Moura tira o lenço ensangüentado que guardara consigo e solta um brado, correndo em direção ao campo adversário.

Produção:
- Para evitar a extensa repetição da caatinga como locação, o diretor artístico Carlos Manga optou por centralizar a história em um Brasil colonial, em Goiás. Entretanto, as gravações aconteceram na cidade histórica de Tiradentes (MG), que foi dividida em duas. A praça principal foi locação do vilarejo de Vargem da Cruz, já nas ruas adjacentes ao Centro, o de Bom Jesus das Almas. Para a transformação, a praça teve que ser forrada com lona plástica antes de receber a terra. Também foram colocadas plantas e centenas de animais, entre cavalos, bois, cabras e galinhas – transportados de caminhão do Rio de Janeiro –, além de todos os atores e técnicos. Parte da minissérie também foi gravada em Teresópolis, no Estado Rio de Janeiro.
- A Rede Globo decidiu instalar na cidade uma sofisticada ilha de edição computadorizada e contratou 200 operários locais para ajudar na montagem e adaptação dos cenários de Mário Monteiro. Até os telhados das casas tiveram que ser envelhecidos. Fachadas falsas e paredes de pau-a-pique foram construídas para o cenário do Bar do Coruja.

Curiosidades:
- Durante 15 dias a cidade de Tiradentes praticamente viveu em função das gravações da minissérie. E para que houvesse uma compensação pelo transtorno provocado, a Rede Globo forneceu material para a reforma de algumas das igrejas barrocas da cidade.
- Memorial de Maria Moura foi um grande sucesso de audiência.
- No final do livro, a personagem Maria Moura sai vitoriosa da batalha. Mas Raquel de Queiroz acompanhou as modificações com agrado e elogiou a adaptação. Apesar de, no livro, Marialva ter tido um filho, e não uma filha, como na minissérie, a modificação foi feita em homenagem à autora, cujo nome foi dado à criança.
- A venda do romance Memorial de Maria Moura, lançado em 1992, havia sido de cinco mil exemplares até a estréia da minissérie. Durante a exibição, esse número dobrou e chegou a ultrapassar 40 mil exemplares vendidos.
- A minissérie foi exibida em diversos países, como Angola, Bolívia, Canadá, Guatemala, Indonésia, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
- Memorial de Maria Moura foi reapresentada a partir de julho de 1998.
- Em 2004, a minissérie foi lançada em DVD.


Fonte: Memória Globo

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