terça-feira, 30 de março de 2010

Incidente em Antares



Autoria: Nelson Nadotti e Charles Peixoto
Direção: Paulo José e Nelson Nadotti
Direção geral: Paulo José
Direção artística: Carlos Manga
Período de exibição: 29/11/1994 - 16/12/1994
Horário: 21h30
Nº de capítulos: 12

Elenco:
Adolfo Prado - estudante
Adriana Carneiro - Dona Natividade
Alexandra Marzo - estudante
Alexandre Borges - Padre Pedro Paulo
Ana Kutner - estudante
Andrea Dantas - Cecília
Andrea Guerra - menina bordel
Antonio Carnevale - guarda delegacia
Araci Cardoso - Natalina
Ariel Coelho - Alambique
Bernadete Castro - empregada Vacarianos
Adriana Carneiro - Dona Natividade
Betty Faria - Rosinha
Camilo Bevilaqua - Nico Vacariano
Cândido Damm - Pacheco
Carla Daniel - Lavinha
Carlos Abel - Tranquilino
Carlos Eduardo Dolabela- Quintiliano do Vale
Carlos Loffler - Scorpio
Carlos Seidl - Resende
Cláudia Moras - Lolita
Cláudio Corrêa e Castro - Major Vivaldino Brazão
Daniela Hochmann - estudante
David Herman - Jefferson Monroe
David Pond - Chang Ling
Diogo Vilela - João Paz
Edelweiss Lemos - estudante
Eduardo Canuto - estudante
Eliane Giardini - Eleutéria
Elias Gleizer - Barcelona
Ênio Santos - Aristarco
Eva Todor - Venusta
Fernanda Montenegro - Quitéria Campolargo
Flávio Migliaccio - Padre Gerôncio
Gianfrancesco Guarnieri - Pudim de Cachaça
Gilles Gwizaek - Monsieur François Duplessis
Giovana Gold - Rita Paz
Guilherme Piva - estudante
Heloísa Perissê - Marfisa
Ivan Cândido - Dr. Lázaro Bertioga
Ivone Gomes - Dona Purezinha
Jacqueline Laurence - Solange
Jorge Cherques - Egon Stum
Josette Babo - estudante
Laura de Vison - soprano gorda
Luciana Migliaccio - menina bordel
Luiz Henrique Nogueira - estudante
Luiz Salém - Lucas Faia
Magali West - menina bordel
Marcela Leal - menina bordel
Marcelo Valle - estudante
Marcos França Filho - Gouveia
Maria Helena Pader - Dona Virginia
Maria Ribeiro - Gessy
Mariane Vicentini - Matilde
Marília Pêra - Erotildes
Mauro Mendonça - Geminiano Ramos
Nani Venâncio - Cléo
Naria Helena Pader - Dona Virginia
Nestor de Montemar - Yaroslav
Nicette Bruno - Briolanja Vacariano (D. Lanja)
Odenir Fraga - Valerio Trancoso
Oswaldo Loureiro - Inocêncio Pigarço
Pai Mei Chu - Gong Ling
Paulo Betti - Cícero Branco
Paulo Goulart - Tibério Vacariano
Paulo Goulart Filho - Xisto Vacariano
Quenya Costa - Dominique Duplessis
Regina Duarte - Shirley Terezinha
Renata Moreno - menina do bordel
Renato Reston - estudante
Rui Rezende - Menandro Olinda
Sandro Isaac - amante Eleutéria
Silvia Salgado - Cecilinha
Valéria Monteiro - Valentina
Vanessa Cardoso - estudante
Victor Castiel - Peixoto
Winnie Fellows - Millicent

A Trama:
- Uma adaptação da obra homônima de Érico Veríssimo publicada em 1971, Incidente em Antares trata com ironia a incomum história de sete mortos que falecem no mesmo dia na fictícia cidade de Antares, no sul do Brasil. Durante uma greve geral na cidade, os coveiros se negam a realizar os enterros, a fim de aumentar a pressão sobre os patrões. Com isso, durante a noite, os próprios mortos voltam para reivindicar o direito de serem enterrados com dignidade. A volta dos falecidos causa um pânico geral na cidade. A situação piora quando eles começam a contar todos os podres dos moradores, desde as falcatruas envolvendo os políticos até os escândalos sexuais dos habitantes.
- Utilizando o coreto da cidade como palanque, os mortos se encontram e começam seus discursos inflamados. São eles: Quitéria Campolargo (Fernanda Montenegro), matriarca de uma das famílias mais importantes do local, que havia falecido com problemas de coração; Cícero Branco (Paulo Betti), que havia sido advogado dos poderosos da cidade, morto de aneurisma; Menandro Olinda (Rui Rezende), um pianista que se suicidou cortando os pulsos; João da Paz (Diogo Vilela), pacifista e idealista, que havia sido torturado e morto em uma delegacia acusado injustamente de ser subversivo; Barcelona (Elias Gleizer), um anarquista espanhol bem-humorado e sempre debochado, morto por um aneurisma cerebral; Erotildes (Marília Pêra), uma prostituta ingênua, que morre vítima de tuberculose; e Pudim de Cachaça (Gianfrancesco Guarnieri), o bêbado da cidade que morrera envenenado pela esposa.
- Toda a roupa suja é lavada em público, pois como os protagonistas são cadáveres, e, portanto, livres das pressões sociais, são capazes de criticar ferozmente toda a sociedade. Antares é uma cidade marcada pela acomodação política, onde os Campolargo e os Vacariano tendem a propagar amplamente conceitos morais e sociais de tendência reacionária. Essas facções se unem para acabar com a ameaça comunista, representada pela classe operária da cidade, que reivindica direitos e é taxada de subversiva. Assim, Quitéria Campolargo era líder dos Legionários da Cruz, um grupo católico que buscava resgatar os princípios morais da cidade. Seu poder sobre a sociedade antarense só se comparava ao do coronel Tibério Vacariano (Paulo Goulart), que se autodenominava chefe político do município.
- Coronel Vacariano está entre aqueles que mais sofrem com os ataques dos mortos feitos em praça pública. Em conseqüência dos ataques e do desejo dos cidadãos de Antares de dar fim àquele pesadelo, Vacariano comanda um ataque ao coreto onde estavam os falecidos para queimá-los e acabar de vez com a situação.
- Sob os aplausos da cidade, o coronel comanda o ataque, que fracassa, já que os mortos não sofrem dano algum após o fogo. Depois disso, entretanto, os próprios defuntos se percebem como um incômodo para a cidade. Assim, eles propõem sua rendição, seguindo novamente para o cemitério.
- O coronel assume aquilo como uma vitória e aproveita para dar um golpe. Ele destitui o prefeito e assume o poder local. Só assim pode pôr em prática seu violento plano de acabar com a greve à força, utilizando repressão armada para intimidar os grevistas que estavam no sindicato da cidade. Por fim, os rebelados acabam se rendendo. O seu líder, Geminiano Ramos (Mauro Mendonça), se entrega, e a cidade volta a funcionar.
- Nesse ínterim, descobre-se que o coronel havia chamado a imprensa para cobrir os estranhos acontecimentos da cidade. Mas, em função da queda de uma árvore, que obstruiu o caminho até Antares, os repórteres só chegam quando tudo se normalizou. Dessa forma, durante um churrasco oferecido pelo coronel, os jornalistas são convencidos de que tudo não passou de um mal entendido, e o motivo deles terem sido chamados seria a divulgação de uma suposta convenção agrária que a cidade iria sediar.
- O coronel Tibério, enquanto está nos braços de uma prostituta no bordel da cidade, tem uma visão com Quitéria, que volta para lhe dizer que o tempo deles sobre a cidade havia terminado. O coronel, então, sente dores no peito, recebe o convite de Quitéria para segui-la e morre. A minissérie acaba com uma estátua dele sendo erguida em praça pública, no lugar do antigo coreto. Ele e Quitéria assistem à inauguração de uma janela próxima.
- Quem faz a ligação entre os capítulos da série é Shirley (Regina Duarte), uma telefonista fofoqueira que trabalha na central telefônica de Antares. Ela, que sempre conta os fatos e suas repercussões às amigas, funciona na trama como uma espécie de narradora, enquanto as ações se desenvolvem em meio ao realismo fantástico.

Produção:
- Foram as próprias anotações, rascunhos e documentos de Érico Veríssimo que ajudaram a equipe de produção a realizar a minissérie. A partir do desenho original da fictícia Antares feito pelo autor é que foram construídos os cenários, roteiro e também a direção da série. Para acentuar o clima fantástico, foram utilizados efeitos especiais, com destaque para os que eliminavam o reflexo dos sete mortos no espelho e os que simulavam o vôo de Erotildes e Pudim de Cachaça sobre a cidade, realizado com efeito chromakey.
- O desafio da maquiagem foi caracterizar os personagens principais, que eram mortos-vivos, de acordo com a morte de cada um. Quitéria Campolargo, por exemplo, morreu do coração e, em função disso, ganhou um tom amarelado na pele. Barcelona adquiriu uma palidez total. Mas os que precisaram de mais tempo e dedicação dos maquiadores foram João Paz, que teve ferimentos expostos em função da morte por tortura, e Cícero Branco, morto por um aneurisma, tendo que ser feita uma mancha avermelhada na cabeça que denunciasse a causa de sua morte.
- Merece destaque a cena em que Pudim de Cachaça bebe, e o líquido ingerido sai pelas costuras da necropsia, realizada após seu falecimento. A comicidade da cena demandou o trabalho conjunto da maquiagem com a equipe responsável pelos efeitos especiais. O recurso utilizado foi uma prótese acoplada ao abdômen do ator, com uma pequena bomba que fazia jorrar água enquanto ele bebia. Todo o aparato era encoberto pela maquiagem.
- O figurino aproveitou poucas peças utilizadas em minisséries anteriores. Mais de 80% das roupas de Antares foram confeccionadas especialmente para a série.
- A minissérie foi gravada durante um mês em Pelotas, Rio Grande do Sul.
- A cidade de Antares foi criada por Keller Veiga, sendo construída em Jacarepaguá, e as gravações internas aconteceram nos estúdios da Cinédia. No total, foram 33 cenários em 12.000m² de construções. Foram utilizadas também algumas locações, no Rio de Janeiro e nas cidades de Petrópolis e Niterói (RJ).

Curiosidades:
- Publicada em plena ditadura, a obra de Érico Veríssimo narra o incidente como acontecendo no dia 13 de dezembro, uma referência do autor ao dia 13 de dezembro de 1968, quando foi decretado o Ato Institucional nº 5.
- Incidente em Antares foi o primeiro trabalho da Rede Brasil Sul (RBS) em coprodução com a Rede Globo.
- A minissérie foi vendida para Portugal e, em 2005, foi lançada em DVD, em comemoração ao centenário de nascimento do escritor Erico Verissimo (1905-1975).

Fonte: Memória Globo

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