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terça-feira, 30 de março de 2010

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Incidente em Antares



Autoria: Nelson Nadotti e Charles Peixoto
Direção: Paulo José e Nelson Nadotti
Direção geral: Paulo José
Direção artística: Carlos Manga
Período de exibição: 29/11/1994 - 16/12/1994
Horário: 21h30
Nº de capítulos: 12

Elenco:
Adolfo Prado - estudante
Adriana Carneiro - Dona Natividade
Alexandra Marzo - estudante
Alexandre Borges - Padre Pedro Paulo
Ana Kutner - estudante
Andrea Dantas - Cecília
Andrea Guerra - menina bordel
Antonio Carnevale - guarda delegacia
Araci Cardoso - Natalina
Ariel Coelho - Alambique
Bernadete Castro - empregada Vacarianos
Adriana Carneiro - Dona Natividade
Betty Faria - Rosinha
Camilo Bevilaqua - Nico Vacariano
Cândido Damm - Pacheco
Carla Daniel - Lavinha
Carlos Abel - Tranquilino
Carlos Eduardo Dolabela- Quintiliano do Vale
Carlos Loffler - Scorpio
Carlos Seidl - Resende
Cláudia Moras - Lolita
Cláudio Corrêa e Castro - Major Vivaldino Brazão
Daniela Hochmann - estudante
David Herman - Jefferson Monroe
David Pond - Chang Ling
Diogo Vilela - João Paz
Edelweiss Lemos - estudante
Eduardo Canuto - estudante
Eliane Giardini - Eleutéria
Elias Gleizer - Barcelona
Ênio Santos - Aristarco
Eva Todor - Venusta
Fernanda Montenegro - Quitéria Campolargo
Flávio Migliaccio - Padre Gerôncio
Gianfrancesco Guarnieri - Pudim de Cachaça
Gilles Gwizaek - Monsieur François Duplessis
Giovana Gold - Rita Paz
Guilherme Piva - estudante
Heloísa Perissê - Marfisa
Ivan Cândido - Dr. Lázaro Bertioga
Ivone Gomes - Dona Purezinha
Jacqueline Laurence - Solange
Jorge Cherques - Egon Stum
Josette Babo - estudante
Laura de Vison - soprano gorda
Luciana Migliaccio - menina bordel
Luiz Henrique Nogueira - estudante
Luiz Salém - Lucas Faia
Magali West - menina bordel
Marcela Leal - menina bordel
Marcelo Valle - estudante
Marcos França Filho - Gouveia
Maria Helena Pader - Dona Virginia
Maria Ribeiro - Gessy
Mariane Vicentini - Matilde
Marília Pêra - Erotildes
Mauro Mendonça - Geminiano Ramos
Nani Venâncio - Cléo
Naria Helena Pader - Dona Virginia
Nestor de Montemar - Yaroslav
Nicette Bruno - Briolanja Vacariano (D. Lanja)
Odenir Fraga - Valerio Trancoso
Oswaldo Loureiro - Inocêncio Pigarço
Pai Mei Chu - Gong Ling
Paulo Betti - Cícero Branco
Paulo Goulart - Tibério Vacariano
Paulo Goulart Filho - Xisto Vacariano
Quenya Costa - Dominique Duplessis
Regina Duarte - Shirley Terezinha
Renata Moreno - menina do bordel
Renato Reston - estudante
Rui Rezende - Menandro Olinda
Sandro Isaac - amante Eleutéria
Silvia Salgado - Cecilinha
Valéria Monteiro - Valentina
Vanessa Cardoso - estudante
Victor Castiel - Peixoto
Winnie Fellows - Millicent

A Trama:
- Uma adaptação da obra homônima de Érico Veríssimo publicada em 1971, Incidente em Antares trata com ironia a incomum história de sete mortos que falecem no mesmo dia na fictícia cidade de Antares, no sul do Brasil. Durante uma greve geral na cidade, os coveiros se negam a realizar os enterros, a fim de aumentar a pressão sobre os patrões. Com isso, durante a noite, os próprios mortos voltam para reivindicar o direito de serem enterrados com dignidade. A volta dos falecidos causa um pânico geral na cidade. A situação piora quando eles começam a contar todos os podres dos moradores, desde as falcatruas envolvendo os políticos até os escândalos sexuais dos habitantes.
- Utilizando o coreto da cidade como palanque, os mortos se encontram e começam seus discursos inflamados. São eles: Quitéria Campolargo (Fernanda Montenegro), matriarca de uma das famílias mais importantes do local, que havia falecido com problemas de coração; Cícero Branco (Paulo Betti), que havia sido advogado dos poderosos da cidade, morto de aneurisma; Menandro Olinda (Rui Rezende), um pianista que se suicidou cortando os pulsos; João da Paz (Diogo Vilela), pacifista e idealista, que havia sido torturado e morto em uma delegacia acusado injustamente de ser subversivo; Barcelona (Elias Gleizer), um anarquista espanhol bem-humorado e sempre debochado, morto por um aneurisma cerebral; Erotildes (Marília Pêra), uma prostituta ingênua, que morre vítima de tuberculose; e Pudim de Cachaça (Gianfrancesco Guarnieri), o bêbado da cidade que morrera envenenado pela esposa.
- Toda a roupa suja é lavada em público, pois como os protagonistas são cadáveres, e, portanto, livres das pressões sociais, são capazes de criticar ferozmente toda a sociedade. Antares é uma cidade marcada pela acomodação política, onde os Campolargo e os Vacariano tendem a propagar amplamente conceitos morais e sociais de tendência reacionária. Essas facções se unem para acabar com a ameaça comunista, representada pela classe operária da cidade, que reivindica direitos e é taxada de subversiva. Assim, Quitéria Campolargo era líder dos Legionários da Cruz, um grupo católico que buscava resgatar os princípios morais da cidade. Seu poder sobre a sociedade antarense só se comparava ao do coronel Tibério Vacariano (Paulo Goulart), que se autodenominava chefe político do município.
- Coronel Vacariano está entre aqueles que mais sofrem com os ataques dos mortos feitos em praça pública. Em conseqüência dos ataques e do desejo dos cidadãos de Antares de dar fim àquele pesadelo, Vacariano comanda um ataque ao coreto onde estavam os falecidos para queimá-los e acabar de vez com a situação.
- Sob os aplausos da cidade, o coronel comanda o ataque, que fracassa, já que os mortos não sofrem dano algum após o fogo. Depois disso, entretanto, os próprios defuntos se percebem como um incômodo para a cidade. Assim, eles propõem sua rendição, seguindo novamente para o cemitério.
- O coronel assume aquilo como uma vitória e aproveita para dar um golpe. Ele destitui o prefeito e assume o poder local. Só assim pode pôr em prática seu violento plano de acabar com a greve à força, utilizando repressão armada para intimidar os grevistas que estavam no sindicato da cidade. Por fim, os rebelados acabam se rendendo. O seu líder, Geminiano Ramos (Mauro Mendonça), se entrega, e a cidade volta a funcionar.
- Nesse ínterim, descobre-se que o coronel havia chamado a imprensa para cobrir os estranhos acontecimentos da cidade. Mas, em função da queda de uma árvore, que obstruiu o caminho até Antares, os repórteres só chegam quando tudo se normalizou. Dessa forma, durante um churrasco oferecido pelo coronel, os jornalistas são convencidos de que tudo não passou de um mal entendido, e o motivo deles terem sido chamados seria a divulgação de uma suposta convenção agrária que a cidade iria sediar.
- O coronel Tibério, enquanto está nos braços de uma prostituta no bordel da cidade, tem uma visão com Quitéria, que volta para lhe dizer que o tempo deles sobre a cidade havia terminado. O coronel, então, sente dores no peito, recebe o convite de Quitéria para segui-la e morre. A minissérie acaba com uma estátua dele sendo erguida em praça pública, no lugar do antigo coreto. Ele e Quitéria assistem à inauguração de uma janela próxima.
- Quem faz a ligação entre os capítulos da série é Shirley (Regina Duarte), uma telefonista fofoqueira que trabalha na central telefônica de Antares. Ela, que sempre conta os fatos e suas repercussões às amigas, funciona na trama como uma espécie de narradora, enquanto as ações se desenvolvem em meio ao realismo fantástico.

Produção:
- Foram as próprias anotações, rascunhos e documentos de Érico Veríssimo que ajudaram a equipe de produção a realizar a minissérie. A partir do desenho original da fictícia Antares feito pelo autor é que foram construídos os cenários, roteiro e também a direção da série. Para acentuar o clima fantástico, foram utilizados efeitos especiais, com destaque para os que eliminavam o reflexo dos sete mortos no espelho e os que simulavam o vôo de Erotildes e Pudim de Cachaça sobre a cidade, realizado com efeito chromakey.
- O desafio da maquiagem foi caracterizar os personagens principais, que eram mortos-vivos, de acordo com a morte de cada um. Quitéria Campolargo, por exemplo, morreu do coração e, em função disso, ganhou um tom amarelado na pele. Barcelona adquiriu uma palidez total. Mas os que precisaram de mais tempo e dedicação dos maquiadores foram João Paz, que teve ferimentos expostos em função da morte por tortura, e Cícero Branco, morto por um aneurisma, tendo que ser feita uma mancha avermelhada na cabeça que denunciasse a causa de sua morte.
- Merece destaque a cena em que Pudim de Cachaça bebe, e o líquido ingerido sai pelas costuras da necropsia, realizada após seu falecimento. A comicidade da cena demandou o trabalho conjunto da maquiagem com a equipe responsável pelos efeitos especiais. O recurso utilizado foi uma prótese acoplada ao abdômen do ator, com uma pequena bomba que fazia jorrar água enquanto ele bebia. Todo o aparato era encoberto pela maquiagem.
- O figurino aproveitou poucas peças utilizadas em minisséries anteriores. Mais de 80% das roupas de Antares foram confeccionadas especialmente para a série.
- A minissérie foi gravada durante um mês em Pelotas, Rio Grande do Sul.
- A cidade de Antares foi criada por Keller Veiga, sendo construída em Jacarepaguá, e as gravações internas aconteceram nos estúdios da Cinédia. No total, foram 33 cenários em 12.000m² de construções. Foram utilizadas também algumas locações, no Rio de Janeiro e nas cidades de Petrópolis e Niterói (RJ).

Curiosidades:
- Publicada em plena ditadura, a obra de Érico Veríssimo narra o incidente como acontecendo no dia 13 de dezembro, uma referência do autor ao dia 13 de dezembro de 1968, quando foi decretado o Ato Institucional nº 5.
- Incidente em Antares foi o primeiro trabalho da Rede Brasil Sul (RBS) em coprodução com a Rede Globo.
- A minissérie foi vendida para Portugal e, em 2005, foi lançada em DVD, em comemoração ao centenário de nascimento do escritor Erico Verissimo (1905-1975).

Fonte: Memória Globo

Memorial de Maria Moura



Autoria: Jorge Furtado e Carlos Gerbase
Colaboração: Renato Campão e Glênio Póvoas
Direção: Denise Saraceni, Mauro Mendonça Filho, Marcelo de Barreto e Roberto Farias
Direção artística: Carlos Manga
Período de exibição: 17/05/1994 - 17/06/1994
Horário: 22h30
Nº de capítulos: 24

Elenco:
Adele Fátima - cafetina
Alexandre Zacchia - Genésio
Amir Haddad - Mascate
Ana Carneiro - mãe da família assaltada
André Ricardo - Zezinho
Andrea Ribeiro -Zita
Angelo de Matos - pai de Maria Moura
Antônio Gonzales - Leocádio
Antonio Grassi - Anacleto
Ariclê Perez - Gertrudes
Beija-Flor - homem barbudo
Bertrand Duarte - Zé Soldado
Bete Mendes - mãe de Maria Moura
Bia Seidl - Bela
Bruno Silva - Jardilino aos dez anos
Camilo Bevilacqua - Alípio
Carla Jardim - Dina
Carlos Gregório - Dr. Silvino
Cassiano Carneiro - Novato
Celso Frateschi - Liberato
Chica Xavier
Chico Diaz - Duarte
Chico Expedito - Zé Pedro
Claudio Gabriel - Maninho
Clementino Kelé
Cléo Pires - Maria Moura menina
Creo Kelab - Jesuíno
Cris Leonardo - moleque de marias pretas
Cristiana Caldas - Zita aos cinco anos
Cristiana Oliveira - Marialva
Élio Penteado - homem do bando de Tonho e Irineu
Ernani Moraes - Tonho
Expedito Barreira - Juvêncio
Francisco de Assis - delegado
Francisco Nagem - dono do armazém
George Vinícius - Juco
Geraldo Capeta - Jeová
Germano Filho - Bispo
Gilberto Periqui - capitão
Gilson Moura - Salviano
Glória Pires - Maria Moura
Helio Souto - Tio Hércules
Isabela Bicalho - Berenice
Ivone Hoffmann - D. Mocinha
Jackson Antunes - Valentim
Jece Valadão
João do Reino
Joel Barcellos - Roque
Jorge de Souza Macedo - atirador de facas
José Marinho - tenente
Kadu Moliterno - padre José Maria
Leônidas Aguiar - vaqueiro
Lui Mendes - Jardilino
Luis Carlos Arutin - Tonico
Manfredo Bahia - Mestre Luca
Marcelo Bragança - dono do Sítio dos Sete Riachos
Marcos Palmeira - Cirino
Maria Ribeiro - velha
Maria Silvia - jovem
Matias Corrêa - feitor
Miriam da Penha - Iria
Miriam Pires - Gerusa
Nelson Xavier - Padre Marcelino
Neusa Navarro - dona da pensão
Otávio Muller - Irineu
Pablo Cabral - pagão
Paulo Pereira - rapazote da família assaltada
Paulo Vespúcio - Pé de Bode
Paulo Wuedes - amigo de Anacleto
Renata Fronzi - Aldenora
Ricardo Pavão - pai da família assaltada
Rodrigo Drippê - Raimundinho
Rodrigo Faria - moleque das marias pretas
Rômulo Marinho - tenente-médico Rodrigo Mendonça (soldado)
Rosamaria Murtinho - Eufrásia
Rubens de Falco - Tibúrcio
Ruth de Souza - Siá Mena
Ruy Rezende - Damião
Sebastião Vasconcellos - João Rufo
Sergio Britto - Eliseu
Thereza Amayo - Joaninha
Toninho da Cruz - feitor da fazenda Atalaia
Vanda Lacerda - D. Francisca
Vic Militello - D. Ninosa
Vicente Barcellos - praça
Zezé Motta - Rubina
Zezé Polessa - Firma
Zózimo Bubul - Mestre Quixó

A Trama:
- Adaptada do romance homônimo de Rachel de Queiroz, Memorial de Maria Moura conta a saga de uma mulher que enfrenta as adversidades de uma sociedade machista no século XIX. Tendo como protagonista a personagem Maria Moura (Glória Pires), a quem todas as histórias e personagens paralelas acabam remetendo, a minissérie trata de temas como a luta por justiça, amores impossíveis e mortes. Tudo em acordo para conotar uma época e um contexto social rude e frio, em que a posse de terras significava não apenas poder econômico, mas também poder político e posição social.
- Maria Moura tem um histórico familiar difícil. Perde o pai na infância e, aos 17 anos, encontra a mãe (Bete Mendes) morta, pendurada no teto de casa pelo pescoço, como num suicídio. A moça sabe, no entanto, que sua mãe não possuía motivos para isso. O provável assassino é o seu padrasto, que passou a aliciá-la após a morte da mãe. Apesar disso tudo, Maria Moura não se deixa abater e cresce forte, com enorme amor pela vida. Protegida por empregados da família, forma um bando para perseguir seu sonho: a conquista da terra herdada de seu pai, a Serra dos Padres. Tal fato passa a ser sua maior luta após a perda dos pais. Para se vingar do padrasto e matá-lo, Maria Moura seduz Jardilino (Lui Mendes), amigo de infância e empregado da família, que é quem executa o crime.
- Imersa na violência e nas disputas tão presentes em seu contexto de vida, ela passa a reagir com igual rivalidade com todos que descumprem suas regras e leis. Assim, enfrenta uma jornada até a Serra dos Padres com o intuito de repelir a invasão do seu sítio pelos primos Tonho (Ernani Moraes), Irineu (Otávio Muller) e Firma (Zezé Polessa), pessoas inescrupulosas, a quem ela ataca mesmo sabendo que eles têm direito à posse, já que sua mãe só possuía um terço da propriedade. Dos primos, Maria Moura só se afeiçoa a Marialva (Cristiana Oliveira), a quem trata como se fosse uma irmã.
- Indo contra as regras sociais estabelecidas por um sistema patriarcal, onde a submissão feminina é uma constante, a protagonista é capaz de tudo por sua liberdade, sendo cruel com seus adversários e extremamente leal com os que a apóiam. Sua rudeza cai ao perceber-se apaixonada por Cirino (Marcos Palmeira), um sedutor imaturo e irresponsável. Nessa altura, ela fraqueja por um momento e recupera a ingenuidade que julgava perdida.
- Marialva conhece Valentim (Jackson Antunes), um integrante do circo, malabarista e atirador de facas, por quem se apaixona e com quem acaba fugindo para a casa de Maria Moura. Ambos passam a fazer parte dos que lutam com ela. Marialva encontra a possibilidade de escapar do duro convívio com os irmãos Firma, Tonho e Irineu, sendo amiga somente do irmão Duarte (Chico Diaz), que também segue para ajudar Maria Moura. Marialva acaba tendo uma filha, que recebe o nome de Raquel.
- Maria Moura, ao se ver traída pelo homem que amava e se sentindo refém desse amor, pede a Valentim que atire uma de suas facas em Cirino para matá-lo. Em seguida, recebe de volta em suas mãos um lenço com o sangue do amado, e sofre muito com a morte dele.
- O padre José Maria (Kadu Moliterno) tem um papel emocionante na trama. Ao se apaixonar por Bela (Bia Seidl), uma mulher sensual, casada com Anacleto (Antonio Grassi), homem capaz de brutais violências, José Maria acaba sendo vítima de uma tragédia. Ao ser incapaz de manter-se fiel à castidade, a seus valores pessoais e mesmo ao amor que sentia por Bela, ele se sente culpado. Chega a desfrutar da paixão pela amada, mas sua história acaba quando ela, grávida, é assassinada pelo marido. Depois do episódio, José Maria vai se embrutecendo. Acaba procurando proteção em terras de Maria Moura, e passa a integrar seu bando.
- Maria Moura, aos poucos, perde sua família, sua honra e, por último, tentam lhe tomar a terra, que ela defende até a morte. Para a batalha final, armam-se dois lados. Em um está Maria Moura e seu bando; no outro, um grupo liderado por seus primos e Eufrásia (Rosamaria Murtinho), o núcleo de vilões da história.
- Entretanto, na véspera da luta, Maria Moura deixa a escritura das terras da Serra dos Padres com Marialva e Valentim, pedindo-os que dêem a Raquel a posse de tudo que lhe pertence. No dia marcado para o enfrentamento, Maria Moura ordena a seu bando que permaneça na casa e segue sozinha para cumprir seu destino, pensando em se entregar ou mesmo morrer, para poupar os outros. Ela havia percebido que os adversários estavam mais bem preparados. Descumprindo suas ordens, Duarte a segue. Montados em seus cavalos, com os inimigos atirando contraos dois, Duarte morre primeiro. Maria Moura tira o lenço ensangüentado que guardara consigo e solta um brado, correndo em direção ao campo adversário.

Produção:
- Para evitar a extensa repetição da caatinga como locação, o diretor artístico Carlos Manga optou por centralizar a história em um Brasil colonial, em Goiás. Entretanto, as gravações aconteceram na cidade histórica de Tiradentes (MG), que foi dividida em duas. A praça principal foi locação do vilarejo de Vargem da Cruz, já nas ruas adjacentes ao Centro, o de Bom Jesus das Almas. Para a transformação, a praça teve que ser forrada com lona plástica antes de receber a terra. Também foram colocadas plantas e centenas de animais, entre cavalos, bois, cabras e galinhas – transportados de caminhão do Rio de Janeiro –, além de todos os atores e técnicos. Parte da minissérie também foi gravada em Teresópolis, no Estado Rio de Janeiro.
- A Rede Globo decidiu instalar na cidade uma sofisticada ilha de edição computadorizada e contratou 200 operários locais para ajudar na montagem e adaptação dos cenários de Mário Monteiro. Até os telhados das casas tiveram que ser envelhecidos. Fachadas falsas e paredes de pau-a-pique foram construídas para o cenário do Bar do Coruja.

Curiosidades:
- Durante 15 dias a cidade de Tiradentes praticamente viveu em função das gravações da minissérie. E para que houvesse uma compensação pelo transtorno provocado, a Rede Globo forneceu material para a reforma de algumas das igrejas barrocas da cidade.
- Memorial de Maria Moura foi um grande sucesso de audiência.
- No final do livro, a personagem Maria Moura sai vitoriosa da batalha. Mas Raquel de Queiroz acompanhou as modificações com agrado e elogiou a adaptação. Apesar de, no livro, Marialva ter tido um filho, e não uma filha, como na minissérie, a modificação foi feita em homenagem à autora, cujo nome foi dado à criança.
- A venda do romance Memorial de Maria Moura, lançado em 1992, havia sido de cinco mil exemplares até a estréia da minissérie. Durante a exibição, esse número dobrou e chegou a ultrapassar 40 mil exemplares vendidos.
- A minissérie foi exibida em diversos países, como Angola, Bolívia, Canadá, Guatemala, Indonésia, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
- Memorial de Maria Moura foi reapresentada a partir de julho de 1998.
- Em 2004, a minissérie foi lançada em DVD.


Fonte: Memória Globo

segunda-feira, 29 de março de 2010

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A Madona de Cedro



Autoria: Walther Negrão
Colaboração: Nelson Nadotti e Charles Peixoto
Direção: Tizuka Yamasaki e Denise Saraceni
Direção geral: Tizuka Yamasaki
Direção artística: Carlos Manga
Período de exibição: 26/04/1994 - 06/05/1994
Horário: 22h30
Nº de capítulos: 8

Elenco:
Alexandre Blasifero
Andrea Beltrão - Marta
Andrea Bernardino
Andrea Richa - Lola Boba
Antonella Fabra
Carlos Vereza - Vilanova
Carlos Zara - Juvenal
Daniela Escobar
Eduardo Moscovis - Delfino Montiel
Eliane Abreu
Eloísa Mafalda - Efigênia
Eva Wilma - Maria
Fabio Sabag - Delegado
Gil Góes
Henrique Taxman
Humberto Martins - Manuel Mourão - Maneco
Isadora Ribeiro - Neusa
Julio Arbex
Lorena Rigaud
Luigi Palhares
Milton Gonçalves - Sinval
Nara Gil
Paulo José - Pedro (sacristão)
Renato Grego
Renato Reston
Roberto Bomtempo - Alfredo
Roberta Indio do Brasil
Stênio Garcia - Padre Estevão
Yara Cortes - Emerenciana

A Trama:
- Uma adaptação da obra homônima de Antônio Callado, A madona de cedro se passa no início da década de 1960. Delfino (Eduardo Moscovis), um jovem escultor, é católico praticante, temente a Deus, morador de Congonhas do Campo, no interior de Minas. Ele é um pequeno comerciante que vive da venda de suas obras e foi criado por sua tia Efigênia (Eloísa Mafalda). Delfino luta contra os desejos carnais que sente por Neusa (Isadora Ribeiro), uma mulher atraente e sedutora. Ao se confessar com padre Estevão (Stênio Garcia), é aconselhado a se casar logo. Mas Delfino ainda não encontrou a pessoa certa.
- Delfino recebe a visita de um amigo de infância, Maneco (Humberto Martins), que se diz representante do rico colecionador de arte e peças sacras Dr. Vilanova (Carlos Vereza) e o convida para trabalhar com eles. Para conversar com Vilanova, Delfino faz uma viagem ao Rio de Janeiro. Ao chegar à cidade, em plena efervescência da Bossa Nova, ele se encanta com os atrativos da metrópole. Conhece Marta (Andréa Beltrão), moça moderna, mas de formação igualmente religiosa.
- É no Rio que, pela primeira vez, Delfino avista o mar. Seu horizonte, antes limitado pelas pesadas montanhas mineiras, ganha a amplitude do oceano. Sua paixão por Marta é imediata. Após se verem na praia, os dois iniciam um romance, e o jovem pensa em se casar. Mas os pais de Marta só permitem o enlace se o jovem demonstrar ter posses que dêem estabilidade à união.
- Conversando com o escultor, Vilanova o convence a roubar a madona esculpida por Aleijadinho, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Vilanova é capaz de qualquer coisa para obter a peça para sua coleção e vale-se da necessidade de dinheiro de Delfino para seduzi-lo a cometer o crime. Em troca da madona de cedro, que se encontra guardada na igreja em que Delfino freqüentava, o obcecado Vilanova oferece uma pequena fortuna.
- Mesmo ficando dividido entre valores éticos e religiosos, Delfino acaba optando pela chance de viver a felicidade ao lado de Marta e rouba a escultura, fotografando tantas outras. O amor de Delfino por Marta é o verdadeiro centro da história. Pelo amor que sente, Delfino rouba, mente e se afasta da igreja, indo contra tudo em que acredita. Após o casamento, Delfino e Marta mudam-se para Minas.
- Padre Estevão é o pároco que está à frente da igreja de onde a imagem foi roubada, além de amigo de Delfino, sobre quem exerce grande influência. Há também o sacristão Pedro (Paulo José), rejeitado em sua cidade em função de sua deficiência física – uma corcunda. Ele é obcecado por sexo e relaciona-se com Lola Boba (Andrea Richa), uma espécie de mendiga que vaga pelas ruas da cidade com véu de noiva, atordoada por lembranças escondidas em sua mente e esperando um noivo imaginário.
- Pedro suspeita que Delfino é o autor do roubo da madona e ameaça o rapaz o tempo todo. Pedro conhece Marta, que se encanta com o conhecimento dele de literatura e poesia. O sacristão apaixona-se por ela, chegando a fazer uma composição de amor no órgão, recitando trechos de Ricardo III, de William Shakespeare. Apesar da sua anomalia, Marta o aceita e o trata bem.
- O padre Estevão adverte Pedro sobre suas relações com Lola. Com medo, o sacristão assassina a moça e, sob ameaça, acaba indo embora da cidade.
- Vilanova se surpreende com a incrível semelhança que possui com a imagem de Judas feita por Aleijadinho. Pesquisando, descobre que um protestante antepassado seu era adversário de Aleijadinho, que se vingou colocando sua face na figura do traidor de Jesus. Ele procura novamente Delfino e propõe que ele roube a imagem de Judas, para que ela seja destruída. Em troca, Vilanova devolveria a imagem da madona. Delfino, que não conseguia mais viver em paz com sua consciência, aceita trocar a imagem da madona pela de Judas.
- No dia da procissão do Senhor Morto, quando a troca seria efetuada, Delfino consegue devolver a imagem da santa à igreja e, para não ser visto, se esconde no esquife do Senhor Morto. Como conseqüência, toma o lugar de Cristo na procissão, sendo levado por toda cidade sem que as pessoas desconfiem de coisa alguma. Já de volta à igreja, Dona Emerenciana (Yara Cortes), uma beata que rezava no templo, vê Delfino se mexer. Ela sai correndo da igreja, exclamando que vira o Senhor ressuscitado. A emoção é tão forte que ela não resiste e morre. A experiência convence Delfino de que ele não deve cometer um novo delito. O rapaz sai da igreja sem pegar a imagem de Judas e devolve o dinheiro que Vilanova lhe dera.
- Irritado, Vilanova despede Maneco e sai da cidade. Maneco retoma sua vida de comerciante no interior.
- Delfino, ao chegar em casa, vê sua mulher vestida da santa e, pensando ter uma visão, conta tudo o que fizera aos prantos, pedindo perdão e se confessando. Atormentado pela culpa e o remorso, diz que tudo o que fizera foi por amor.
- Marta diz que até perdoaria um ladrão, mas não um profano. Ela acaba arrumando suas malas para ir embora, de volta ao Rio. Culpado, Delfino segue para se confessar ao padre Estevão, que diz que seu perdão depende do que ele está disposto a fazer por Deus. Assim, o padre ordena que Delfino leve uma grande e pesada cruz por toda Congonhas.
- Tendo inicialmente relutado por vergonha, Delfino acaba aceitando a penitência, se expondo ao sarcasmo, risadas, ataques e outras reações das pessoas que, chocadas, o vêem passar com a cruz. Na caminhada, é ajudado por sua tia, por Neusa, que lhe seca o suor, e por Maneco, que o ajuda a se reerguer.
- Ao fim da caminhada, já de volta à igreja, Delfino é recebido pelo padre e por Marta, que o ampara e o beija.

Produção:
- Com a maior parte das cenas gravadas em externas, A madona de cedro teve como locações as cidades de Congonhas do Campo, Mariana e Ouro Preto (MG). Além dos figurantes, a equipe era composta por 95 pessoas, entre atores e técnicos.
- Durante as gravações em Congonhas, choveu quase ininterruptamente por duas semanas, o que adiou por dez dias o início dos trabalhos. A diretora Tizuka Yamasaki optou, então, por inserir a chuva em cenas importantes. A procissão, um dos principais momentos da minissérie, por exemplo, foi filmada sob chuva com mais de 400 figurantes, o que acabou por favorecer a dramaticidade da cena.
- A madona de cedro de Aleijadinho foi copiada pelo escultor Hélio Petrus para as gravações. O escultor, natural de Mariana, também emprestou à produção materiais de seu ateliê e outras obras, para compor o cenário do local de trabalho do personagem Delfino.
- Foi necessário um exaustivo trabalho de maquiagem, de quatro horas de duração, para que o sacristão Pedro tivesse exposta em cena sua corcunda.

Curiosidades:
- A madona de cedro abriu a programação anual da Rede Globo em 1994.
- A minissérie foi vendida para vários países, como Angola, Colômbia, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela

Fonte: Memória Globo

quinta-feira, 25 de março de 2010

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1994



1994 - A Madona de Cedro
1994 - Memorial de Maria Moura
1994 - Incidente em Antares