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terça-feira, 30 de março de 2010

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Presença de Anita



Autoria: Manoel Carlos
Direção: Edgard Miranda
Direção geral: Ricardo Waddington e Alexandre Avancini
Direção de núcleo: Ricardo Waddington
Período de exibição: 07/08/2001 – 31/08/2001
Horário: 22h30
Nº de capítulos: 16

Elenco:
Adriane Amaral – participação especial
Alan Alencar – participação especial
Alexandre Barros - Heitor
André Cursino - Anselmo
André Gilson – participação especial
Antonio Destro - Edgar
Antonio Mastaler
Carolina Kasting - Julieta
Celso Frateschi - Igor
Clarisse Abujanra - Cecília
Daniel de Castro – participação especial
Dayse Braga - Cláudia
Erom Cordeiro - Pipoqueiro
Francisco Carvalho - Joel
Geraldo Oliveira - Rubão
Geraldo Roberto
Helena Ranaldi - Lúcia Helena
Ivan Gradin - Policial
Joanna Tristão - Neusa
Jorge Barros - Mecânico
José Mayer - Fernando
Julia Almeida - Luiza
Kátia Erbistes - Moça
Laís Clara - Anita (menina)
Larissa Prado - Moça 02
Leonardo Miggiorin - Zezinho
Linneu Dias - Venâncio
Marcos Caruso - Gonzaga
Maria Thereza Cruz Lima - Amélia
Mariano Marovatto - Garoto
Mel Lisboa - Anita
Nelson Sargento - João
Noemi Gerbelli - Suzana
Paulo Cesar Pereio - Armando
Pedro Kosovski – participação especial
Pedro Paulo Rossa - Luiz
Renata Briani - Celeste
Ricardo Lyra Jr – participação especial
Selma Reis - Cigana
Simone Vianna - Maria
Taiguara Nazareth - André
Ton Reis – participação especial
Tony Mastaler - Roberto
Umberto Magnani - Dr. Eugênio
Vera Holtz - Martha
Walter Breda - Antonio
Wolney de Assis - Delegado
Yara Mattana - Freguesa



A Trama:
- Livremente inspirada no livro homônimo de Mário Donato, Presença de Anita fala das armadilhas do destino.
- A trama começa quando o casal Lúcia Helena (Helena Ranaldi) e Fernando (José Mayer), em crise conjugal, resolvem sair em viagem com a família – o filho Luiz (Pedro Paulo Viana) e a filha de Fernando, Luiza (Júlia Almeida). Lúcia Helena é uma mulher bonita, muito insegura, que sofre com o fracasso de seu casamento e faz tudo para recuperar o fôlego da relação. Fernando é um arquiteto com aspirações literárias que não consegue concluir o primeiro livro. Com a proximidade das festas de final de ano, Lúcia Helena decide ir para sua cidade natal, Florença, no interior de São Paulo. Lá, ela se encontra com o pai, Venâncio (Linneu Dias), a irmã mais velha, Marta (Vera Holtz), a irmã caçula, Julieta (Carolina Kasting), e o marido dela, Heitor (Alexandre Barros).
- Tudo parece correr tranquilamente até que uma menina, Anita (Mel Lisboa), cruza o caminho de Lúcia e Fernando. Jovem, bonita e muito sensual, Anita se muda para Florença e vai morar num sobrado onde, no passado, aconteceu um crime passional. Irreverente e provocadora, ela diz ter orgulho de morar ali. Além de Fernando, Anita acaba transformando a vida e a rotina de outros moradores da pacata Florença. Um deles é Zezinho (Leonardo Miggiorin), um simplório ajudante da mercearia vizinha ao sobrado, um jovem inexperiente com as mulheres, ainda por descobrir os prazeres da vida adulta. Zezinho se apaixona perdidamente por Anita, mas, tímido, não consegue se declarar. Ela percebe o interesse dele e inicia um jogo de conquista com o rapaz.
- Ao conhecer Anita, Fernando acredita ter encontrado a grande inspiração que lhe faltava para começar o novo romance. Ele não poderia imaginar, no entanto, que aquele encontro transformaria inteiramente sua vida. Fernando conhece Anita no dia em que chega à Florença, quando decide dar uma volta pela pequena cidade após discutir com o sogro – que sempre foi contra o casamento dele com Lúcia. De repente, ele avista uma jovem mexendo em vasos de gerânios na varanda do sobrado. Fernando fica enfeitiçado. Anita o convida para subir, e ele aceita, inteiramente envolvido por ela. Anita é ao mesmo tempo cândida e provocadora, parece ingênua, mas é extremamente lasciva. A única coisa que sabemos sobre seu passado é que viveu com um artista plástico, Armando (Paulo César Pereio), muito mais velho do que ela, a quem conheceu quando tinha apenas 12 anos de idade. Além disso, Anita tem adoração por uma boneca de louça, a Conchita, que, segundo ela conta, guarda a alma da ex-moradora do sobrado, Cíntia, assassinada pelo amante.
- Disposta a salvar seu casamento, Lúcia Helena tenta agradar o marido de todas as formas: aceita suas paranóias sem discussão, incentiva ao máximo seus projetos literários e mostra-se disposta a participar de sua vida. No entanto, nada que Lúcia faça é capaz de mudar os sentimentos do marido por Anita. Fernando não resiste aos encantos da jovem e volta a procurá-la. Ela o seduz, e eles se amam pela primeira vez. A partir daí, assistimos à crescente obsessão de Fernando por Anita. Ela, maliciosa e manipuladora, se empenha em estar presente e atrapalhar a relação dele com Lúcia Helena. Certo dia, Lúcia escuta uma conversa do marido com outra mulher e decide se abrir com a irmã mais velha, Marta. Marta resolve seguir Fernando, descobre o endereço onde o cunhado passa a maior parte de seu tempo e conta para a irmã. Lucia decide ir até lá e encontra Fernando. Arrasada, ela pede o divórcio.
- Enquanto isso, Zezinho sofre por amor. Para atiçar o ciúme e a raiva de Fernando, Anita decide passar a noite com Zezinho. O rapaz perde a virgindade e se apaixona ainda mais por Anita, acreditando que terá um relacionamento sério com ela depois daquela noite. No dia seguinte, porém, pelo basculante de sua casa, Zezinho vê Fernando e Anita transarem e sofre uma grande decepção.
- A tórrida relação entre Fernando e Anita chega ao clímax quando ela exige que ele se separe da mulher. Durante uma forte discussão, Fernando a ameaça com um canivete e, descontrolado, acaba matando-a. Zezinho assiste à cena e corre para o sobrado para tentar salvar Anita. Perturbado ao vê-la morta, Zezinho parte para cima de Fernando com o canivete. A vizinhança escuta a briga e invade o sobrado. Todos pensam que Zezinho é o assassino de Anita. Apavorado, o rapaz decide fugir e é atropelado. Depois de passar alguns dias no hospital, acaba morrendo.
- Perturbado com a morte de Anita, Fernando passa a ter visões com ela. Ele tenta se reconciliar com Lúcia, mas ela diz que prefere pensar com calma quando voltar para São Paulo. Fernando decide passar a noite de natal longe da família e vai para o sobrado onde Anita morava. Ela aparece para ele, e os dois se amam. Com o vento forte, a cortina do quarto esbarra em uma vela acesa e inicia um incêndio. Fernando ainda tenta conter o fogo, mas Anita não deixa. O sobrado é destruído, e Fernando morre.
- Paralelamente à trama de Anita, há a história de Marta, uma viúva cheia de preconceitos. Marta é uma mulher que não alimenta nenhuma esperança em relação à sua vida sentimental. Aos poucos, ela vai revelando que sente um irresistível desejo por homens negros. Marta sente-se atraída pelo empregado da fazenda André (Taiguara Nazareth), um rapaz muito mais novo do que ela. André foi levado à fazenda por Neusa (Joanna Tristão), a empregada da casa, com quem ele mantém um romance às escondidas. Marta descobre a relação entre os dois e não mede esforços para separá-los. Cansados da perseguição da patroa, André e Neusa decidem deixar a fazenda. Às vésperas da noite de Natal, Marta chama André para acertar as contas e, muito insinuante, vai para a cama com ele.

Produção:
- As gravações externas de Presença de Anita foram realizadas em Vassouras, no Rio de Janeiro, que serviu como cenário da fictícia cidade de Florença e das cenas externas do casarão onde moram Venâncio e Marta. Também foi usada como locação uma fazenda na cidade de Valença, próxima a Vassouras. Lá, foram produzidas as cenas externas da fazenda de Marta.
- Para criar o clima de cidade do interior, a produtora de arte Cristina Medicis providenciou pipoqueiro, vendedor de algodão-doce, pipas, fotógrafo lambe-lambe e sorveteiro, que ficavam na praça central de Florença, cenário principal da narrativa.
- A sacada do sobradinho de Anita foi construída na cidade cenográfica do Projac. As cenas internas da minissérie foram gravadas nos estúdios da Renato Aragão Produções, onde foram planejados os interiores do casarão da família, além do pequeno interior do sobradinho. Para marcar bem os dilemas da personagem, a equipe de cenografia pensou em detalhes que revelassem suas características. Anita é uma jovem extremamente sensual, mas ao mesmo tempo, doce e infantil. A cortina do box de seu banheiro, por exemplo, era toda desenhada com bichinhos coloridos. A cenografia ficou a cargo de Mário Monteiro, Ana Maria Mello, Danilo Gomes e Maurício Rohlfs.
- As comidas que apareciam em cena também deveriam remeter ao clima de fazenda, de cidade do interior: não faltavam pães de queijo, broas e bolos de fubá, entre outros quitutes.
- A inseparável boneca da protagonista, Conchita, foi o destaque do trabalho da produção de arte. A boneca era uma reprodução de uma bailarina espanhola de cerca de 20cm, feita em gesso e criada nas oficinas de artesanato do Projac. A boneca funciona como um símbolo na narrativa. Segundo Anita, ela guarda a alma da ex-moradora do sobrado, Cíntia, que morrera assassinada pelo amante.
- Os figurinos, assinados por Helena Gastal, seguiram sugestões do texto. Para Anita, roupas de adolescente e peças sedutoras. Outra peça característica de seu figurino é uma camisa de seda masculina, herdada de seu mentor, Armando, que ela vestia sempre por cima de calcinhas de algodão. Foi desenvolvido para a personagem uma gargantilha, com um pingente em forma de estrela, de cristal com ouro. Para a romântica Lúcia Helena, Helena Gastal construiu um visual mais romântico, composto por tecidos suaves.

Curiosidades:
- Lançado em 1948, o romance de Mário Donato causou escândalo. A Igreja reprovou a obra do jornalista, que atraiu muitos leitores jovens e indignou senhoras cristãs de São Paulo. Manoel Carlos inspirou-se no enredo do livro de Mário Donato, mas criou personagens, eliminou outros, e desenvolveu tramas paralelas para escrever a minissérie.
- O livro de Mário Donato serviu de inspiração para a novela A outra face de Anita, de Ivani Ribeiro, exibida em 1964, pela TV Excelsior.
- Manoel Carlos e Ricardo Waddington queriam uma atriz desconhecida para interpretar Anita. A seleção foi concorrida. A estudante Mel Lisboa foi aprovada para o papel entre mais de 100 jovens.
- Com o sucesso de audiência e a repercussão da minissérie, a direção da TV Globo chegou a pensar na ampliação de Presença de Anita. No entanto, como grande parte da série já estava gravada – e como a exibição estava praticamente na metade –, não foi possível prolongar a trama. Além de cenas de sexo e nudez, a minissérie também ficou marcada pela presença do cigarro. Apesar da recomendação da emissora de que, nos folhetins, o tabaco só aparecesse associado a comportamentos negativos, foram consumidos, em média, quatro cigarros por capítulo. Para o autor, o excesso de cigarros ajudou a compor o perfil destrutivo dos personagens. Mesmo assim, ele foi criticado pelo diretor geral do Instituto Nacional do Câncer, Jacob Kligerman.
- A figurinista Helena Gastal conta que, assim que a minissérie entrou no ar, as lojas do Saara, popular centro de compras no Rio de Janeiro, começaram a vender o “kit Anita”, que vinha com uma calcinha, uma camiseta e uma gargantilha com pingente de estrela, visual da personagem.
- O sambista Nelson Sargento fez uma participação especial na minissérie.
- Reapresentada entre 17/09 e 11/10/2002, a minissérie também foi exibida no Multishow, canal da Globosat, em comemoração aos 40 anos da TV Globo.
- A minissérie foi vendida para o Equador, Honduras, Nicarágua Peru, Portugal e Uruguai, repetindo o sucesso de audiência do Brasil.
- Em agosto de 2001, foi lançado em livro o roteiro de Presença de Anita, escrito por Manoel Carlos. O livro trazia praticamente o mesmo script que o elenco recebia para as gravações, com exceção de alguns detalhes técnicos.
- Em 2002, a minissérie foi lançada em DVD.

Trilha sonora:
- A trilha sonora de Presença de Anita contou com músicas em francês, escolhidas pelo autor para dar um tom de romance trágico à trama. O tema de Anita era Pigalle, na voz de Georges Ulmer, e o de Lúcia Helena, Que c’est triste Venise, na voz de Charles Aznavour. A música de abertura, Ne me quittes pas, cantada por Maysa, adquiriu variações – uma mais alegre, outra melancólica e outra romântica -, idealizadas pelo produtor musical Alberto Rosenblit.
- A trilha contava ainda com Bachiana brasileira no. 4, de Villa-Lobos.
- Uma preocupação era que a base da trilha sonora fosse acústica e, toda vez que Anita entrasse em cena, virasse eletrônica.

Fonte: Memória Globo

Os Maias



Autoria: Maria Adelaide Amaral
Colaboração: Vincent Villari e João Emanuel Carneiro
Direção: Emílio Di Biasi e Del Rangel
Direção geral: Luiz Fernando Carvalho
Direção de núcleo: Luiz Fernando Carvalho
Período de exibição: 09/01/2001 – 24/03/2001
Horário: 23h
Nº de capítulos: 44

Elenco:
Adriano Leonel – Eusebiozinho (criança)
Alisson Silveira – Charles
Ana Carolina Herquet – Maria Eduarda (criança)
Ana Paula Arósio – Maria Eduarda
Antonio Calloni – Palma Cavalão
Ariclê Perez – Maria da Gama
Bruno Garcia – Adelino
Carlos Alberto – Dom Diogo Coutinho
Cecil Thiré – Jacob Cohen
Dan Stulbach – Craft
Eliane Giardini – condessa de Gouvarinho
Eva Wilma – Maria da Cunha
Ewerton de Castro – Manoel Vilaça
Fábio Assunção – Carlos Eduardo da Maia
Fábio Fulco – Tancredo
Felipe Martins – Eusebiozinho
Francisca Queiroz – Ana
Gilles Gwizdek – Monsieur Théodore
Giselle Itié – Lola
Hélio Ary – Batista
Ilya São Paulo – Cruges
Ivan Mesquita – Coronel Sequeira
Isabelle Drummond – Rosa
Jacqueline Dalabona – Joana Coutinho
Jandira Martini – Eugênia Silveira
José Lewgoy – Abade Custódio
Jussara Freire – Amélia
Leonardo Medeiros – Taveira
Leonardo Vieira – Pedro da Maia
Luís de Lima – Monsieur Guimarães
Maria Clara Fernandes – Encarnación
Maria Isabel Quinhões – Teresinha (criança)
Maria Luisa Mendonça – Rachel Cohen
Mariana Leoni – Adélia
Marília Pêra – Maria Monforte (velha)
Marina Ballarin – Melanie
Marcos França – Domingos
Matheus Nachtergaele – Teodorico Raposo
Mila Moreira – Viscondessa de Gafanha
Mirian Muniz – Titi
Mônica Martelli – Consuelo
Osmar Prado – Tomás de Alencar
Otávio Augusto – conde de Gouvarinho
Otávio Muller – Dâmaso Salcede
Paudlo Betti – Joaquim Castro Gomes
Phillip Croskin – Mr. Brown
Raul Cortez – Eça de Queiroz, o narrador
Renata Soffredini – Gertrudes
Rita Elmor – Teresinha
Rodrigo Penna – Artur Corvelo
Ronnie Marruda – Mulato Julião
Ruth Brennan – Miss Sarah
Samir Alves – Carlos (criança)
Selton Mello – João da Ega
Sérgio Viotti – padre Vásquez
Simone Spoladore – Maria Monforte
Stênio Garcia – Manuel Monforte
Walmor Chagas – Dom Afonso da Maia
Walter Breda – Xavier Thelma Reston – Vicência

A Trama:
- Inspirada no romance homônimo de Eça de Queiroz (1845–1900), a minissérie de Maria Adelaide Amaral traz também personagens de outros dois romances do autor português: A Relíquia e A Capital. A minissérie conta com um narrador, o ator Raul Cortez, que conta toda a história em off, como se fosse o próprio Eça de Queiroz.
- O enredo de Os Maias retrata a decadência da aristocracia portuguesa na segunda metade do século XIX, através da história de uma família tradicional. Dividida em duas partes, a minissérie conta os trágicos destinos dos Maias ao longo dos anos.
- A trama tem início em 1788, quando Pedro da Maia (Leonardo Vieira), filho do patriarca Afonso da Maia (Walmor Chagas), apaixona-se por Maria Monforte (Simone Spoladore). Herdeiro de uma das mais nobres famílias portuguesas, Pedro é um rapaz inseguro e frágil, o oposto de seu pai, que sempre foi contra à educação cristã que sua mulher dava ao filho. Desde a morte da mãe, Pedro vivia enclausurado pela melancolia, mas sua vida se transforma inteiramente quando ele conhece a bela e envolvente Maria Monforte. Apesar da evidente felicidade de seu único filho, Afonso reprova o romance, por causa do passado nebuloso do pai de Maria, Manuel Monforte (Stênio Garcia), um negreiro que não pertence à alta sociedade lisboeta. Dom Afonso da Maia é um homem rígido, de idéias firmes, muito íntegro. Quando jovem, aderiu aos ideais do Liberalismo e, antes de mudar-se para Lisboa, viveu na Inglaterra até a morte do pai. É liberal em suas convicções políticas, mas extremamente conservador quanto aos valores familiares e tenta impedir de todas as formas que seu filho se case com aquela mulher. A dura intervenção de Afonso, no entanto, não é capaz de alterar o destino de Pedro e Maria.
- Apaixonado e inteiramente envolvido, Pedro decide romper com o pai para se casar com seu grande amor. Eles têm dois filhos: Maria Eduarda (Ana Carolina Herquet) e Carlos Eduardo (Samir Alves). O casal vive em harmonia até o dia em que um acidente transforma a felicidade familiar. Durante uma caçada, Pedro fere o príncipe italiano Tancredo (Fabio Fulco) e, para se desculpar, leva-o para se recuperar em sua casa. Tancredo aceita e passa a conviver com a família. Do convívio, nasce uma paixão incontrolável entre ele e Maria Monforte. A situação se agrava quando Maria resolve fugir com o príncipe, levando com ela a pequena Maria Eduarda e deixando Carlos Eduardo para ser criado pelo pai. Inconsolável, Pedro resolve voltar para o Ramalhete, como é conhecida a casa de Dom Afonso. O pai o recebe, apesar de toda a mágoa.
- Os dias passam, e Pedro da Maia não se recupera do duro golpe que sofrera. Nem ao pequeno Carlos Eduardo ele consegue se dedicar. Deprimido e solitário, Pedro se suicida com um tiro no peito. Afonso decide, então, criar o neto segundo suas convicções. O patriarca deixa a mansão da família e se muda para a Quinta de Santa Olávia, outra propriedade dos Maias, onde inicia uma nova vida ao lado de Carlos Eduardo. Com muito amor e dedicação, Afonso cuida do neto seguindo preceitos ingleses, com rigorosa disciplina, exercícios físicos diários, apreço ao conhecimento e sem religião. Muitos reprovam a forma como Dom Afonso educa o pequeno Carlos, especialmente Abade Custódio (José Lewgoy) e Eugênia Silveira (Jandira Martini), que o criticam principalmente pela falta de orientação religiosa.
- Na segunda fase da minissérie, Carlos Eduardo (Fábio Assunção) está com 25 anos e conclui o curso de medicina na Universidade de Coimbra. É um rapaz belo e impetuoso. Forte e viril, é também muito carismático. Da mãe, puxou o jeito intenso e romântico. Do avô, a rigidez de valores, a honra e o caráter. O gênio apaixonado e a integridade moral o tornam um grande homem. Seus grandes amigos são João da Ega (Selton Mello), Vitorino Cruges (Ilya São Paulo), Teodorico Raposo (Matheus Nachtergaele) e Craft (Dan Stulbach).
- Seu fiel e inseparável companheiro é João da Ega, com quem Carlos desenvolve um grande elo afetivo, uma amizade sincera e duradoura. O amigo Teodorico é responsável pelo tom de humor da trama. Ele é sobrinho de Patrocínio das Neves (Mirian Muniz), a Titi. Carola e muito severa, Titi louva a Deus sobre tudo e todas as coisas, sente total repulsa ao sexo e mantém-se imaculada. Criou Teodorico Raposo como se fosse seu filho e nem desconfia que o sobrinho é o maior dos libertinos, amante de um bom fado, conhecido como o “Rapozão das espanholas”. Outro personagem jovem da história é Eusebiozinho (Felipe Martins), filho de Eugênia Silveira, um rapaz fraco, sem caráter. Extremamente fiel a Deus, mas capaz de trair um amigo íntimo. Através desse núcleo de personagens, a minissérie discute valores como educação, família e casamento, religião e política, além de mostrar como cada um desses jovens portugueses encara a vida, as mulheres e o futuro.
- Na segunda fase da história, Dom Afonso da Maia está com 75 anos. Continua a ser o grande alicerce da família Maia, um homem respeitado e adorado por todos. Seus valores permanecem rígidos, mas, com o tempo, torna-se um homem mais calmo e generoso. A relação com Carlos Eduardo é de extrema amizade e confiança. Dom Afonso conquista também a simpatia dos amigos do neto, que adoram se reunir em sua casa para ouvir as histórias daquele homem culto, com quem eles podem conversar sobre literatura, política e mulheres sem repressão.
- Com a formatura, Carlos retorna a Lisboa, e Dom Afonso decide voltar a morar no Ramalhete. Para isso, planeja uma reforma na mansão e conta com a ajuda de Vilaça (Ewerton de Castro), o administrador da família Maia, um homem íntegro e muito fiel a Dom Afonso.
- Maria Eduarda (Ana Paula Arósio) é mais uma personagem chave para o desenrolar da segunda fase da narrativa. Ela chega a Lisboa acompanhada do marido, Castro Gomes (Paulo Betti), um comerciante brasileiro, e da filha, Rosa (Isabelle Drummond). Bonita e inteligente, é uma mulher sensível e sensata, dotada de muito caráter. Tem um passado nebuloso, que vai se revelando ao longo da história. Ao conhecer Maria Eduarda, Carlos fica completamente apaixonado. O sentimento é recíproco, mas ela faz tudo para evitar a aproximação. Carlos, por sua vez, não consegue parar de pensar naquela mulher, que ele considera seu grande amor, cercando-a de todas as formas. Um dia, Castro Gomes parte para o Brasil a negócios. A pequena Rosa adoece, e Maria Eduarda é obrigada a permanecer em Lisboa para cuidar da filha. Com o afastamento de Castro Gomes, Carlos se sente livre para declarar todo seu amor e o faz. Apesar de muito resistir, o desejo é incontrolável, e Maria Eduarda acaba cedendo àquela envolvente paixão.
- Dom Afonso percebe o comportamento distante do neto e, aos poucos, descobre que Carlos está apaixonado por Maria Eduarda, uma mulher casada. Temendo que o neto tenha o mesmo destino do pai, Dom Afonso reprova o envolvimento do neto, pois compara Maria Eduarda à Maria Monforte, a mulher que desgraçou a vida de seu filho, Pedro. Dom Afonso é muito amigo de Maria da Cunha (Eva Wilma), uma mulher bonita, bem-humorada, generosa e muito irreverente. Apesar de não ter tido uma conduta exemplar ao longo da vida, não há quem fale de sua honra, todos a querem bem. É muito leal a Afonso, de quem se torna confidente. Maria da Cunha acaba compartilhando toda a angústia do amigo, por quem ela, na realidade, é apaixonada.
- Outro personagem importante na história é o poeta romântico Tomás de Alencar (Osmar Prado). Tomás fora muito amigo de Pedro da Maia e tem um carinho paternal por Carlos Eduardo. No passado, encantou-se por Maria Monforte, mas abdicou de seu amor pela jovem ao perceber que o amigo, Pedro, estava apaixonado por ela. Extremamente sensível, Tomás de Alencar emociona-se muito quando reencontra Carlos em Lisboa. Tomás aproxima-se também de João da Ega, com quem descobre ter grandes afinidades. Amantes da literatura, os dois vivem discutindo sobre romances, estilos literários e grandes poetas.
- Distante de Castro Gomes, Carlos e Maria Eduarda passam a viver dias de paixão e felicidade plena, sentindo-se capazes de enfrentar tudo e todos para ficarem juntos. Mas a felicidade é atrapalhada quando ficam sabendo dos rumores que começam a correr Lisboa sobre o romance dos dois. Interessado em destruir a reputação de Carlos Eduardo, Dâmaso Salcede (Otávio Muller), um francês que fora rejeitado por Maria Eduarda, decide escrever uma carta anônima a Castro Gomes contando que sua mulher o trai. A situação se complica quando Carlos Gomes volta a Lisboa e rompe com Maria Eduarda, humilhando-a. Extremamente racional, Castro Gomes revela que nunca foi casado com Maria Eduarda e que não é pai de sua filha. Amigo da mãe de Maria Eduarda, Castro Gomes, encantado com a beleza da jovem, acolheu-a quando a viu passando necessidades em Paris. Ele se propôs a ajudar a jovem e, ainda, pagar o tratamento de sua mãe, doente, se ela fosse viver com ele. Sem alternativas, Maria Eduarda aceitou a proposta do brasileiro.
- As tramas da narrativa vão se cruzando e se fechando até que a mãe de Maria Eduarda, à beira da morte, decide procurar a filha em Lisboa para revelar toda a verdade sobre seu passado. Ao chegar na casa de Maria Eduarda, ela encontra Carlos. Em seguida, vai ao Ramalhete, onde novamente vê o rapaz, que se apresenta como Carlos da Maia. A mãe de Maria Eduarda é Maria Monforte. Ao constatar que seu filho é o grande amor de sua filha, Maria Monforte se desespera, em uma comovente cena, quase um trecho de ópera.
- Dom Afonso, ciente da tragédia, exige que o neto vá à casa de Maria Eduarda contar-lhe toda a verdade. Ao chegar lá, Carlos não tem coragem de revelar a trágica descoberta, e os dois acabam se amando, numa das cenas mais fortes da minissérie. Dom Afonso, com maus pressentimentos e preocupado com a demora do neto, decide ir atrás dele. Ao ver que Carlos está trancado no quarto de Maria Eduarda, Dom Afonso sofre. Quando Carlos chega ao Ramalhete, troca apenas um olhar com o avô, confirmando a tragédia que assolava a família Maia. O golpe é duro, e Afonso não suporta. Ele desfalece e morre. Quando Carlos percebe, agarra-se ao corpo do avô, em desespero, pedindo desculpas. Enquanto sofre, abraçado ao avô morto, o narrador diz: “O seu desespero era que o avô assim tivesse partido para sempre. Sem que entre eles houvesse um adeus, uma doce palavra trocada. Nada, apenas aquele olhar angustiado quando ele passara para a morte”.
- Depois da morte do avô, Carlos revela à Maria Eduarda que os dois são irmãos e informa que ela terá todos os bens a que tem direito. Desesperada, Maria Eduarda cai em prantos. Ela decide visitar o túmulo de Dom Afonso antes de embarcar para Paris com a filha. A pedido de Carlos, João da Ega vai até a residência da mulher para lhe dar algum dinheiro e diz que Carlos irá à estação para se despedir dela. Maria Eduarda se prepara para embarcar e fica à espera de Carlos.
- Inicialmente, o telespectador entende que ele não apareceu na estação. Há uma passagem de tempo de dez anos. Carlos e o inseparável amigo João da Ega visitam o Ramalhete, abandonado. Depois, seguem caminhando pelas ruas de Lisboa e conversam sobre a cidade, o rumo que suas vidas tomaram e o destino de seus companheiros. “Falhamos a vida”, Carlos diz a Ega, “Éramos tão brilhantes, tão promissores”, prossegue. Ega pergunta sobre Maria Eduarda, e Carlos conta sobre a última vez que a viu, na estação de trem. Há um flashback, e o telespectador fica sabendo, então, que ele esteve lá para se despedir dela. Voltamos ao presente, à seqüência em que Carlos e Ega conversam sobre suas vidas, caminhando pelas ruas de Lisboa, apressados para pegar o próximo ônibus.
- Outros personagens de destaque na trama são Raquel Cohen (Maria Luisa Mendonça), casada com Jacob Cohen (Cécil Thiré), por quem João da Ega também é apaixonado; e o conde (Otávio Augusto) e a condessa de Gouvarinho (Eliane Giardini), apaixonada por Carlos da Maia.

Produção:
- Realizou-se uma minuciosa pesquisa para auxiliar o trabalho da produção. Figurinos, arte, cenografia, fotografia, maquiagem, entre outros aspectos, foram explorados com o objetivo de reproduzir com máxima fidelidade a estética e o comportamento da época.
- Alguns meses antes do início das gravações, o elenco e a equipe participaram de palestras feitas por especialistas na obra de Eça de Queiroz, realizadas no Projac. Os palestrantes foram Beatriz Berrini, doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, considerada a maior especialista em Eça de Queiroz no Brasil; Campos Matos, consagrado arquiteto português, estudioso e autor de livros sobre a obra do escritor; Nicolau Servcenko, historiador especializado no século XIX; Isabel Pires de Lima, portuguesa, membro do projeto Eça de Queiroz e conselheira de redação da Revista Queiroziana; e Carlos Reis, português, diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa.
- As cenas de interior foram gravadas no estúdio da Renato Aragão Produções, em Vargem Grande, no Rio de Janeiro. Outros locais da cidade também foram utilizados como locação para a minissérie, como o Teatro Municipal, o Palácio do Catete e o Museu do Açude, todos com caracterização de época.
- Os figurinos foram inteiramente confeccionados na oficina de costura da TV Globo. Alguns adereços e peças foram comprados em Londres, na Espanha e em Portugal, como os lenços de seda e os robes orientais usados por João de Ega. Todas as indumentárias seguiram as descrições detalhadas de Eça de Queiroz na apresentação de seus personagens. O autor dava detalhes de objetos, cores, tecidos, movimentos, sombrinhas e outros adereços. As roupas das atrizes contavam com crinolina (armação), blusa de baixo, calçola, botina, espartilho, vestido, luvas, bolsinha, leque e adereços de cabelo. Para os homens, sobrecasaca, capote, cartola, luvas, bengala, botas, calça, gravata e colete.
- A maquiagem também merece destaque. Cabelos volumosos, barbas, bigodes e cavanhaques marcavam a caracterização masculina. Entre as mulheres, várias atrizes tingiram os cabelos, como Ana Paula Arósio, que aparece loira, e usaram lentes de contato. Assim como Ana Paula Arósio, o ator Fábio Assunção também usou lentes de contato castanhas. A equipe de maquiagem contou com o trabalho da maquiadora inglesa Joan Hills, que trabalhou no filme Um Amor de Swann, de Volker Schlondorff.
- Para dar mais realismo às cenas ambientadas em Portugal, a minissérie foi gravada durante seis semanas em várias regiões do país, sendo a primeira produção da TV Globo a passar tanto tempo fora do Brasil. Foram a Portugal 26 integrantes de um elenco de mais de 50 atores, além de 95 pessoas da equipe de produção. Cerca de 50 portugueses trabalharam na minissérie, que também contou com a participação de três atores estrangeiros no elenco: os ingleses Philip Croskin (mister Brown) e Ruth Brennan (miss Sarah) e o italiano Fabio Fulco (Tancredo). Foram utilizados 16 carros, que davam suporte às equipes, incluindo três ônibus para o figurino, que também serviram como camarim.
- Em Portugal, a equipe gravou no Vale do Douro, ao norte do país, onde foram feitas as seqüências da colheita de milho e uva mostradas na história. Na estação de trem de Vargelas, foi gravado o embarque de trem de Carlos da Maia para Coimbra, quando o personagem ingressa na faculdade de Medicina. A cena do enterro de Pedro Maia foi realizada na vila de Monção, quase na fronteira com a Espanha. A cidade de Sintra também serviu de cenário para várias gravações.
- A tradicional casa dos Maias, conhecida como o Ramalhete, teve como fachada um antigo casarão abandonado em Lisboa, de 1788, de propriedade particular.
- Para ajudar na composição de seus personagens de época, os atores tiveram a assessoria de Nelly Laporte, que os instruía sobre postura e gestual, e de Glorinha Beuttenmüller, para a dicção.
- Para viver o poeta Tomás de Alencar, o ator Osmar Prado conta que emagreceu dez quilos, colocou megahair, deixou a barba e as unhas crescerem. Tudo para passar a imagem de um verdadeiro poeta romântico: um homem descompromissado com aparência, interessado somente na essência dos seres humanos.

Curiosidades:
- A série foi produzida em parceria com a emissora portuguesa SIC (Sociedade Independente de Comunicação) e estreou simultaneamente em Portugal e no Brasil.
- Os Maias marcou a volta do diretor Luiz Fernando Carvalho à TV Globo, após três anos afastado da televisão para se dedicar ao filme Lavoura Arcaica (2001).
- Em 2004, a Globo Vídeos lançou Os Maias em DVD. O DVD contou com edição de Luiz Fernando Carvalho, que fez alterações no formato da série, cortando as partes da narrativa que se referem aos romances A Relíquia e A Capital. São 940 minutos distribuídos em quatro discos. Os extras trazem depoimentos de alguns atores do elenco, como Ana Paula Arósio, Fábio Assunção, Walmor Chagas e Selton Mello, além de comentários da autora Maria Adelaide Amaral sobre a adaptação do romance para a televisão. Outro destaque do DVD são as notas sobre a obra literária, através de Beatriz Berrine, professora titular de literaturas portuguesa e brasileira da PUC - São Paulo. A versão exclusiva teve a primeira tiragem esgotada no Dia das Mães.
- Fábio Assunção conta que, por causa de um atraso nas gravações em Portugal, ele decidiu fazer uma viagem pela Europa. Em Paris, quando visitava o museu do Louvre, viu uma pintura em que aparecia o personagem criado por Eça de Queiroz, Carlos Eduardo da Maia. Entre muitos homens retratados pela obra, Carlos Eduardo era o mais cabeludo deles e com o olhar mais lúcido, segundo Fábio Assunção. O ator conseguiu uma reprodução da imagem e levou-a a Luiz Fernando Carvalho, propondo que aquela fosse a caracterização do personagem. O diretor concordou e, assim, foi decidido o visual que Carlos Eduardo da Maia teria.
- Eva Wilma conta que se sentiu lisonjeada com o convite de Luiz Fernando Carvalho para integrar o elenco de Os Maias. Segundo a atriz, o diretor ofereceu a ela três personagens da história, para que ela própria escolhesse a que mais lhe interessasse. Ele queria contar com sua participação, independente do papel. Eva Wilma escolheu viver a irreverente e apaixonada Maria da Cunha.
- Os Maias recebeu os prêmios de melhor cenografia, fotografia e direção de arte do II Festival Latino-Americano de Cine Vídeo de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Trilha sonora:
- A trilha sonora de Os Maias teve produção de André Sperling. Entre as canções, contou com a gravação especial de uma peça sinfônica inédita, feita pelo maestro John Neschling, que regeu uma orquestra de 90 integrantes.
- A música tema de abertura era a forte e marcante O Pastor, do grupo português Madredeus. A canção marcava também as seqüências impactantes da história. Além da música de abertura, o conjunto foi responsável por outras três faixas da trilha: As Ilhas dos Açores, Haja o que Houver e Matinal.


Fonte: Memória Globo

quinta-feira, 25 de março de 2010

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2001



2001 - Os Maias
2001 - Presença de Anita