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quarta-feira, 7 de abril de 2010

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Chapadão do Bugre



Baseada no romance homônimo de Mário Palmério
Autoria: Antônio Carlos Fontoura
Colaboração: Sérgio Sbragia
Direção: Walter Avancini e Jardel Mello
Período de exibição: 04/01/1988 - 29/01/1988
Emissora: Rede Bandeirantes
Horário: 21h30

Elenco:
Edson Celulari - José de Arimatéia
Eugênia Thereza de Andrade - Sinha Gorgota
Ítalo Rossi - Damasceno Soares
Paulo Goulart - Capitão Evaristo
Kito Junqueira - Clodolfo
Sebastião Vasconcelos - Coronel Americão Barbosa
Paulo Villaça - Perciva
Eduardo Abbas - Coronel Caristrato
Tony Tornado - Sargento Hermegenildo
Altair Lima - Capitão Tonho Inácio
Tássia Camargo - Ritinha
Mika Lins - Maria do Carmo
Sandra Annemberg - Vicença
Castro Gonzaga
Rogério Márcico - Carício
Geraldo Del Rey - Lico
Alexandre Frota - Estevãozinho
Denis Derkian - Tancredinho
Aldo César - Coronel Eusébio Salles
Rogério Fabiano - Zé Inácinho

A Trama:
José Arimatéia chega à fazendo de Tonho Inácio para atuar como dentista. Envolve-se com uma paciente, Maria do Carmo. Os seus problemas começam quando ele flagra a noiva com Inacinho, filho do fazendeiro. Enfurecido, Arimatéia mata o jovem a machadada e foge.
Tem início uma odisséia sangrenta entre vários coronéis que se dividem em opiniões a respeito do crime. Para aplacar a fúria chega à cidade o juiz Damasceno Soares, que processa os fazendeiros ao mesmo tempo que mostra sua ira contra o dentista ao se interessar por Do Carmo.

Curiosidades:
- Fantástica minissérie que se distanciou do estilo produzido pela Rede Globo, onde não havia espaço para tolerância.
- Com uma narrativa amarga e e literalmente sangrenta, Wálter Avancini mostrou outro de seus acertos na teledramaturgia nacional.
- Jardel Mello, um dos diretores, voltou a atuar como ator, destacando-se duplamente.
- De acordo com o Jornal do Brasil de 17/10/1996:
"Paulo Goulart interpretava o capitão Eucaristo Rosa, chefe da patrulha enviada a Santana do Boqueirão para prender os jagunços, coronéis e políticos corruptos. 'Era um personagem terrível, um torturador do cão', recorda. O ator lembra de histórias engraçadas ocorridas durante os dois meses em que foi produzida a minissérie. Uma delas aconteceu com Edson Celulari, segundo Paulo Goulart, o ator chegou a comprar uma mula como recordação."
- A minissérie foi reprisada de junho a agosto de 1991, de segunda a sexta-feira às 20h30.
Também de 7/10 a 11/1996, de segunda a sexta-feira às 20h40.

Trilha Sonora:
01. CHAPADÃO DO BUGRE
02. HERÓI DO CHAPADÃO
03. DESTINO
04. BONITINHA
05. ZOADA
06. PROSEAÇÃO
07. DIANHO DE ATRAPAIO
08. IZÉ
09. PIZZICATO
10. JARDINEIRO
11. CAPTURA
12. ZÉ DE ARIMATÉIA
13. DESTINO (REPRISE)
14. TRÊS CRUZES
15. MURÇA
16. CHAPADÃO DO BUGRE (REPRISE)


Sonoplastia: Salatiel Coelho
Direção Musical: Maestro Murilo Alvarenga
Direção de Produção: W. Rodrigues Poso

domingo, 28 de março de 2010

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O Pagador de Promessas - Abertura

O Primo Basílio - Abertura

Abolição - Abertura

sábado, 27 de março de 2010

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O Pagador de Promessas



Autoria: Dias Gomes
Direção: Tizuka Yamasaki
Direção de executiva I: Paulo Afonso Grisolli
Supervisão: Daniel Filho
Período de exibição: 05/04/1988 – 15/04/1988
Horário: 22h30
Nº de capítulos: 8

Elenco:
Aída Leiner
Ana Beatriz Nogueira
Ângela Figueiredo – Alice
Antonio Grassi – Pedro Santana
Carlos Eduardo Dolabella – Dr. Tião Gadelha
Chica Xavier
Chico Tenreiro – matador
Denise Milfont – Rosa
Diogo Vilela – Lula
Emiliano Queiroz – Zarolho
Ênio Santos – Rupió
Ernesto Picollo
Felipe Pinheiro – padre Mário
Gilberto Martinho
Guilherme Fontes – Aderbal
Harildo Deda – Romualdo
Joana Fomm – Marli
Joel Barcelos – Caveira
Jofre Soares – oficial de Caveira
Jorge Cherques – Dom Romário
José Mayer – Zé do Burro
Lúcio Mauro – Dr. Quindim
Maria Silva – dona Coló
Mário Lago – dom Germano
Nelson Xavier – Bonitão
Osmar Prado – padre Eloy
Paulo Barbosa – Felício
Pedro Cardoso – sacristão
Regina Dourado – Branca
Stênio Garcia – seu Dedé
Vicente Barcellos – padre Cipriano
Walmor Chagas – padre Olavo
Yara Cortes – Dagmar
Yara Lins – Dona Teca
Zeny Pereira – mãe Maria de Iansã

A Trama:
- Dias Gomes adaptou a peça teatral homônima de sua autoria para a televisão, em formato de minissérie. A peça já havia sido apresentada anteriormente pela Rede Globo como teleteatro, em 1974, no programa Fantástico.
- O tema central da história é a sobrevivência do homem e sua luta por aquilo em que acredita. O personagem condutor da narrativa é o humilde Zé do Burro (José Mayer), que, inconsolável, assiste ao padecimento de Nicolau, seu burro, vítima de um acidente.
- O ingênuo Zé do Burro é de uma família de posseiros, que luta contra latifundiários, cujo principal representante é Tião Gadelha (Carlos Eduardo Dolabella). Porém, Zé é alheio a esses conflitos e vive num mundo à parte com seu fiel companheiro Nicolau. Ao ver o animal em estado grave e sem responder a nenhum medicamento, Zé decide fazer uma promessa a Iansã, Santa Bárbara, na religião católica: caso o burro sobreviva, ele carregará uma cruz de madeira desde a sua roça, em Monte Santo, no interior da Bahia, até a igreja de Santa Bárbara, em Salvador.
- Após alguns dias de agonia, Nicolau finalmente se recupera. Zé, então, vai pagar a promessa. Ele inicia sua trajetória até Salvador, enfrentando muitas dificuldades pelo caminho. A partir daí desenrola-se a trama da minissérie.
- Zé vive em uma região de grandes conflitos sociais. Em meio a problemas de acesso à terra, vigora uma intensa religiosidade. Aos poucos, a promessa de Zé do Burro acaba sendo vista como panfleto para outras questões. Acompanhado da mulher, Rosa (Denise Milfont), ele chega a Salvador, depois de ter percorrido 350km a pé. Exausto, mas esperançoso, Zé do Burro aproxima-se da porta da Igreja de Santa Bárbara. O que ele não contava é que enfrentaria a oposição do padre Olavo (Walmor Chagas), ligado à ala conservadora da Igreja. Padre Olavo proíbe que o sertanejo entre no templo com sua cruz, porque a promessa havia sido feita a Iansã, num centro de candomblé. Inconformado, Zé do Burro se recusa a aceitar a proibição, afinal, ele é um homem íntegro, trabalhador e fiel a Deus. Obstinado em sua fé, Zé do Burro decide acampar em frente à igreja e diz que só sairá dali após cumprir sua promessa.
- A notícia se espalha. Em pouco tempo, o povo adere à causa do peregrino, e Zé do Burro começa a ganhar destaque. Além disso, o jornalista Aderbal (Guilherme Fontes) se interessa pela história e dá à promessa de Zé do Burro uma conotação política. Com o passar dos dias, no entanto, ele entende melhor a ingenuidade daquele homem e continua a lhe apoiar. O que deveria ser um simples ato de fé toma proporções gigantescas. De um dia para o outro, Zé do Burro é visto como santo e mártir. Cada segmento da sociedade passa a ver o simples homem da maneira como lhe é conveniente. Ele conta com o apoio popular, especialmente dos simpatizantes do candomblé.
- Em meio à enorme decepção e à dificuldade em compreender os motivos de tanto conflito, Zé do Burro ainda vê Rosa ser seduzida pelo gigolô Bonitão (Nelson Xavier). Para piorar a situação, a prostituta Marli (Joana Fomm), com ciúme de Bonitão, provoca uma briga com Rosa, e as duas se tornam inimigas.
- A situação faz com que o presbitério se reúna, sob a liderança de dom Germano (Mário Lago). De um lado, alguns padres defendem que Zé do Burro é apenas um homem do povo que quer cumprir uma promessa. De outro, muitos vêem naquela atitude uma conotação política, além de criticarem o sincretismo religioso do peregrino. O último capítulo da minissérie se passa no dia de Santa Bárbara, quando fiéis iniciam uma procissão por Salvador, comandada por Padre Olavo. Ao ver a multidão caminhando em direção à igreja, Zé decide se misturar a eles para tentar entrar no templo e, finalmente, cumprir sua promessa. Mas a tentativa é em vão, pois Padre Olavo fechas as portas para ele novamente.
- A polícia cerca a igreja, e inicia-se um grande tumulto. O inescrupuloso policial Zarolho (Emiliano Queiroz) agita a multidão e insiste em prender Zé do Burro, que não se deixa levar. Em meio a uma briga em plena escadaria da Igreja de Santa Bárbara, ouve-se um tiro. Zé do Burro fora atingido, para desespero de Rosa. Enquanto a polícia e o padre Olavo desaparecem, ela chora sobre o corpo de Zé, que morre sem conseguir cumprir sua promessa.
- Destaque também para Padre Eloy (Osmar Prado), de Monte Santo, adorado pela comunidade, que apóia os trabalhadores e sofre duras represálias das autoridades locais. Ao longo da trama, ele morre assassinado. O vendedor ambulante Seu Dedé (Stênio Garcia) também é um personagem forte na trama. Ele fica ao lado de Zé do Burro até o final de sua triste saga.

Produção:
- As gravações da série foram realizadas ao longo de dois meses, em Monte Santo e Salvador, na Bahia, onde a equipe de produção instalou-se durante o período.
- Para compor o personagem Zé do Burro, o ator José Mayer passou um mês em Monte Santo, morando numa casa simples, convivendo e cuidando do burro com o qual contracenava. José Mayer incorporou o personagem de tal forma que as pessoas da cidade chamavam-no de Zé do Burro.

Curiosidades:
- A história de Dias Gomes já havia sido adaptada para o cinema em 1962, pelo diretor Anselmo Duarte, com grande sucesso. O filme, que tinha no elenco Leonardo Villar (Zé do Burro), Glória Menezes (Rosa) e Dionísio Azevedo (padre Olavo), é até hoje a única produção brasileira a ser premiada com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O pagador de promessas também recebeu uma indicação para o Oscar, na categoria de melhor filme estrangeiro. Antes de ter feito sucesso no cinema, porém, o texto de Dias Gomes causou grande impacto em 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, quando foi levado aos palcos, com direção de Flávio Rangel.
- A minissérie sofreu cortes da Censura Federal. Por isso, embora concebida em 12 capítulos, ficou com apenas oito. O maior problema com a censura foi a abordagem política. As referências à luta contra os grandes proprietários de terra tiveram que ser suprimidas. A minissérie foi levada ao ar durante a Constituinte, instaurada em 1986, e uma das questões mais delicadas em discussão no Congresso era a reforma agrária. Outro tema polêmico era o conflito entre os padres progressistas e os padres conservadores, representados respectivamente por padre Mário (Felipe Pinheiro) e padre Olavo.
- Com essa minissérie a diretora de cinema Tizuka Yamasaki estreava na televisão.
- O ator José Mayer considera a minissérie um dos seus melhores trabalhos na TV. Ele conta que estava passando pelos corredores da emissora, quando ouviu alguém conversando com Dias Gomes pelo telefone. José Mayer sabia que o projeto de O pagador de promessas estava em andamento e ele tinha enorme vontade de estrelar a minissérie. Num ímpeto, decidiu interromper o telefonema e pediu para falar com Dias Gomes. Apresentou-se ao dramaturgo e pediu o papel. Dias Gomes titubeou, mas depois da insistência do ator, pediu ao diretor Paulo José que fizesse um teste com ele. Ninguém o via escalado para o papel, mas José Mayer não desistiu. Depois do teste com Paulo José, o ator conquistou o personagem protagonista da história.
- Para a caracterização de seu personagem, José Mayer trocou roupas e adereços novos por peças e objetos pessoais dos moradores de Monte Santo, na Bahia.
- A minissérie foi reapresentada entre maio e junho de 1991, no Vale a pena ver de novo, e em 1999, em homenagem a Dias Gomes, que falecera naquele ano.
- O pagador de promessas foi vendido para diversos países, entre eles Angola, Austrália, Cuba, Eslovênia, Finlândia, Hungria, Nicarágua e Portugal.

Trilha sonora:
- A trilha sonora de O pagador de promessas merece destaque. Especialmente compostas por Egberto Gismonti, as músicas eram interpretadas pela Orquestra Transarmônica D’Amla de Omrac. O tema de abertura era Iluminada.

Fonte: Memória Globo

O Primo Basílio



Autoria: Gilberto Braga e Leonor Bassères
Direção: Daniel Filho
Período de exibição: 09/08/1988 – 02/09/1988
Horário: 22h30
Nº de capítulos: 16

Elenco:
Alexandra Marzo – Mariana
Alexandre Zachia
André Valli – Ernesto Ledesma
Ângela Rabelo – Raimunda
Beth Goulart – Leopoldina
Carmem Silva
Cláudio Mamberti – João Noronha
Denise Fraga – Natália
Eduardo Lago – Arnaldo
Ênio Santos – Paula dos Móveis
Fabio Sabag – Castro
Fafy Siqueira – patroa de Juliana
Giulia Gam – Luísa
Guida Viana
Guilherme Leme – Pedro
Henriqueta Brieba – Rita
Hércules
Humberto Catalano – Gouveia
Ibanez Filho
Isaac Bardavid – Artur
Jorge Chaia
Jorge Napoleão
José de Abreu – Julião Zuzarte
José de Oliveira
Lafayette Galvão – Alves Coutinho
Lídia Mattos
Louise Cardoso – Joana
Ludoval Campos
Marcos Paulo – Basílio
Marga Abi Ramia
Maria Cristina Gatti
Maria Lucia Dahl – D. Jojó
Marília Pêra – Juliana
Marilu Bueno – D. Felicidade
Mirian Tereza – Helena
Nica Bonfim
Norma Geraldy – Henriqueta
Oswaldo Louzada – Cunha Rosado
Ovídio Abreu
Paulo Guarnieri – Fernando
Pedro Paulo Rangel – Sebastião
Peter Wooley
Raul Gazolla – cocheiro
Renato Consorte – Vicente
Salma Samyr
Sérgio Viotti – conselheiro Acácio
Suzana Kruber
Tina Ferreira
Thaís Portinho
Thelma Reston – Gertrudes
Tina Ferreira
Tonico Pereira – Mendonça
Tony Ramos – Jorge
Turíbio Ruiz
Ursula Canto
Vic Militello – Carvoeira
Virgínia Lemos
Walney Costa – Visconde Reynaldo
Zilka Sallaberry – Vitória

A Trama:
- Adaptado do romance homônimo de Eça de Queiroz, a trama de O primo Basílio se passa em Lisboa, no final do século XIX, e conta a história do envolvimento amoroso entre dois primos.
- A narrativa apresenta quatro personagens centrais: Luísa (Giulia Gam), seu primo Basílio (Marcos Paulo), seu marido, Jorge (Tony Ramos), e a empregada Juliana (Marília Pêra).
- A trama tem início quando Basílio, um jovem burguês rico e exibicionista, chega a Lisboa, após uma viagem à Inglaterra, e se envolve com a bela e sonhadora Luísa. Os dois se apaixonam, mas Basílio é obrigado a viajar para o Brasil devido à falência de uma firma de seu pai, na Bahia, e deixa a amada em Portugal. Ele promete a Luísa que voltará em breve e os dois se casarão antes do que ela imagina. Nos primeiros meses, Basílio escreve à Luísa com freqüência. Com o passar do tempo, no entanto, a relação entre os dois esfria, e ele deixa de mandar notícias. Certo dia, Luísa recebe uma carta na qual Basílio termina definitivamente o namoro.
- Luísa fica arrasada com o rompimento e só se recupera anos depois, quando conhece Jorge, um jovem engenheiro com quem se casa. Jorge é o exemplo típico da classe média lisboeta da época. Profissional respeitado, muito competente, um homem de idéias conservadoras, muito íntegro e querido por todos que o cercam. Ao conhecer Luísa, apaixona-se por seu jeito desprotegido, gracioso e frágil. Encantado pela mulher, faz tudo por ela e sonha em ter filhos o mais rápido possível. Luísa tornou-se uma mulher muito atraente e simpática. Ela não se apaixona por Jorge, mas vê no casamento uma segurança.
- Com a morte de uma velha tia, Jorge leva para trabalhar em sua casa a empregada Juliana, uma mulher perversa e muito invejosa. Juliana é feia, amargurada, uma mulher que nunca se envolveu com nenhum homem, revoltada com sua condição social. Sofre de uma séria doença do coração, o que a deixa mais infeliz. Aos poucos, ela começa a se intrometer na vida de Luísa, transformando-se em um estorvo para ela.
- Um dia, após muitos anos, Basílio volta a Lisboa, justo quando Jorge viaja a negócios. Rico e muito sedutor, Basílio acaba despertando novamente a paixão de Luísa. A atração entre os dois primos é irresistível. Luísa cede às investidas de Basílio, e os dois começam a ter um caso. Os dois passam a se encontrar numa casa de cômodos que batizam de Paraíso, onde Basílio oferece à Luísa momentos de prazer, além da oportunidade de fugir da rotina do casamento. Desconfiada da patroa, Juliana remexe em papéis no lixo e descobre uma carta, em que Luísa se declara a Basílio. Juliana vê ali a chance de mudar de vida. Ela decide chantagear Luísa e pede 600 mil-réis em troca do silêncio. Como não tem o dinheiro para se livrar da megera, Luísa acaba rendida. Juliana, no auge de sua maldade, decide tiranizar Luísa. Ela é obrigada a servir Juliana, invertendo-se as posições entre criada e patroa.
- A vida de Luísa transforma-se em um verdadeiro inferno. Ela sofre pela chantagem de Juliana e, aos poucos, passa a se dar conta de que ama verdadeiramente Jorge, e não Basílio. A constatação faz com que ela entre em crise, pois teme perder o marido, e passa a ser atormentada por uma enorme culpa. Em uma época em que a mulher era absolutamente reprimida, a traição de uma esposa era tida como um grave pecado. Para piorar a situação da jovem, ela acaba rejeitada por Basílio que, na realidade, muito vaidoso, estava seduzido pelo clima de aventura que aquele romance lhe trazia e não verdadeiramente apaixonado pela prima. Luísa conta a Basílio que Juliana descobriu tudo e propõe que os dois fujam juntos, mas ele não aceita a idéia. Quando Basílio percebe que o envolvimento pode ter conseqüências perigosas, decide deixá-la e parte para Paris.
- Cansada de tanto tormento, Luísa pede ajuda a Sebastião (Pedro Paulo Rangel), melhor amigo de Jorge. Ela lhe conta toda a verdade e o que vem sofrendo nas mãos de Juliana por conta de sua chantagem. Com a ajuda da polícia, Sebastião invade a casa de Luísa e exige que a criada entregue as cartas comprometedoras. Desesperada e consciente de que não terá escapatória, Juliana acaba sofrendo um derrame fatal e morre. Sebastião entrega as cartas à Luísa, e ela as queima. Sem Juliana e sem Basílio, tudo volta ao normal na vida de Luísa, inclusive seu casamento com Jorge, a quem ela promete dedicar-se até o fim dos seus dias.
- Mas o tormento de Luísa, no entanto, não chegara ao fim. Um dos momentos marcantes da minissérie é a cena em que Jorge descobre a traição da mulher. Ao chegar em casa, depois de uma viagem, ele recebe uma carta de Basílio para Luísa. Como ela está doente, com pneumonia, ele decide abrir e ler a correspondência. Aos poucos, as palavras de amor de Basílio tornam-se um grande tormento para ele. A reação de Jorge é contida. Ele lança um olhar para o quarto onde sua mulher está e esmurra com toda a força a escrivaninha em sua frente, machucando a própria mão. Na minissérie esta é a cena preferida do ator Tony Ramos pelas imagens sugestivas do desespero diante da traição.
- Quando Luísa se recupera, Jorge revela saber tudo sobre o romance entre ela e Basílio. As palavras de Jorge são uma punhalada em suas costas. Desesperada, ela leva as mãos à cabeça e desmaia. Jorge se compadece, diz que a ama e que nunca mais falará no assunto. Mas o golpe fora duro demais, e Luísa passa a se sentir muito mal, com febres altas e fortes dores de cabeça. O sofrimento da jovem aumenta a cada dia. Jorge permanece ao lado da mulher durante todo o tempo. Ela não responde aos medicamentos e seu médico, Dr. Julião Zuzarte (José de Abreu), pede que seus cabelos sejam raspados, na tentativa de que as compressas façam melhor efeito. Numa comovente cena, as longas mechas loiras de Luísa são cortadas, e ela sofre ao constatar que está careca. Mas o esforço dos médicos é em vão. Luísa piora a cada dia e acaba morrendo. Antes de seu último suspiro, Jorge pede a mulher que o perdoe.
- Outros personagens importantes na história são: Leopoldina (Beth Goulart), amiga de infância e confidente de Luísa; Vitória (Zilka Salaberry), tia de Juliana, uma mulher vulgar e interesseira, a única pessoa em quem Juliana confia; e Joana (Louise Cardoso), criada da casa de Jorge e Luísa, uma jovem cheia de vida.

Produção:
- Os 16 capítulos da série exigiram uma grande produção de cenários, figurinos e arte, com reconstituição primorosa e extremamente fiel da Lisboa do fim do século XIX. O cenógrafo Mário Monteiro pesquisou em detalhes as ruas de Lisboa e, sobretudo, seguiu as descrições de Eça de Queiroz, fundamentais para a realização da obra. A equipe também visitou Lisboa e procurou reproduzir a atmosfera da cidade.
- Algumas cenas da minissérie foram gravadas em Sintra, Portugal. Os jardins do Palácio Guanabara e o Clube Naval, no Rio de Janeiro, também serviram de locação para a produção.
- Para filmar as cenas em que Luísa e Basílio passeavam de barco em um lago, a equipe construiu uma estrutura de trilhos, colocada sob a água do lago, por onde o barco e a câmera deslizavam simultaneamente.
- A minissérie contou com a direção de fotografia de Edgar Moura, conhecido por sua vasta experiência em cinema.
- Foi preciso refazer alguns objetos e detalhes descritos por Eça de Queiroz, como, por exemplo, uma fechadura de época, peça importante na história. Para auxiliar na composição dos ambientes, o trabalho do fotógrafo Edgar Moura também foi essencial, assim como a produção de arte, a cargo de Cristina Medicis. Entre outros detalhes, a produtora fez uma apurada pesquisa em antiquários, no Real Gabinete Português e no Instituto Histórico-Geográfico, no Rio de Janeiro; no Museu Imperial de Petrópolis (RJ); em diversos livros de Eça de Queiroz e sobre ele. Ela também se dedicou ao estudo da culinária portuguesa, para reproduzir com fidelidade as refeições descritas pelo autor.
- Uma minuciosa pesquisa precedeu também a elaboração dos figurinos do elenco central. Para a personagem de Luísa, foram escolhidas roupas em tons alegres e tecidos leves, vaporosos, enquanto a empregada Juliana vestia-se com tons escuros, marcando a oposição entre as duas personagens. Quando, no decorrer da trama, Luísa passa a servir Juliana, a empregada começa a usar as roupas claras da patroa. Para criar as vestimentas dos demais personagens, a figurinista trabalhou a partir de obras de artistas plásticos como Monet.
- Para auxiliar na composição de seus personagens, os atores fizeram um trabalho de corpo especial, orientado por Nelly Laport. Além disso, Glorinha Beutenmüller foi contratada para preparar a voz do elenco, especialmente tirar os vícios de sotaques sem que eles perdessem a naturalidade ao se expressar como cidadãos do século XIX. Não havia preocupação de que os atores falassem com sotaque português, pois a direção avaliou que poderia soar artificial. A orientação era fazer uso de um linguajar específico da época retratada, para que o público pudesse fazer essa distinção de tempo. Expressões como “Por ele espartilhei-me” (fiquei bonita, elegante) e “Tudo muito catita” (tudo muito bonitinha), entre outras, estavam presentes no texto. O elenco teve, também, que estudar o comportamento e o gestual próprios da época.

Curiosidades:
- O romance O primo Basílio foi publicado em 1878, quando Eça de Queiroz ocupava um posto como diplomata em New Castle, na Inglaterra. O livro foi um escândalo na sociedade portuguesa. A história do envolvimento de Luísa com o primo, cometendo adultério, deixou as famílias de Lisboa apavoradas.
- A adaptação de O primo Basílio para a televisão recebeu críticas e elogios dos portugueses. Alguns intelectuais consideraram que a adaptação do romance de Eça de Queiroz não fora bem realizada. Já a Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras julgou que o programa foi fundamental para a divulgação da cultura portuguesa e da literatura de Eça de Queiroz.
- Marília Pêra lembra que demorou a aceitar o convite do diretor Daniel Filho para viver Juliana. A atriz não queria dar vida àquela mulher tão infeliz e amargurada, fisicamente feia e maltratada. Um dos argumentos usados pelo diretor foi que a personagem era uma das favoritas do cineasta espanhol Luis Buñuel. Depois de muita insistência de Daniel Filho, que não via outra atriz no papel, Marília Pêra acabou aceitando o desafio. Ela conta que o processo foi muito difícil, pois Juliana era uma personagem muito forte negativamente. Mas, apesar do sofrimento, a atriz gostou muito do resultado final do trabalho.
- Giulia Gam também viveu momentos difíceis por conta de sua personagem em O primo Basílio. A minissérie era o segundo trabalho da jovem atriz na Rede Globo, ela contracenaria com a experiente Marília Pêra e sua personagem morria ao final da história, acometida por uma forte culpa. A responsabilidade era, portanto, grande. Além disso, o trabalho do diretor Daniel Filho era extremamente cuidadoso e rigoroso. Guilia Gam conta que a equipe ensaiou durante cerca de três meses antes do início das gravações.
- A minissérie foi vendida para cerca de 20 países, entre eles Bolívia, Chile, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Macau e Portugal.

Trilha sonora:
- O primo Basílio teve direção musical de Roger Henri. A trilha sonora incluía um tema composto por Wagner Tiso, O fado da Leopoldina, com letra de Eça de Queiroz, interpretada por Beth Goulart, que fazia o papel de Leopoldina na história.
- A trilha incidental foi extraída da ópera Fausto, de Gounod, e da opereta A grã-duquesa de Gerolstein, de Offenbach. O tema de abertura era Laissez moi, tema também de Luísa e Basílio.


Fonte: Memória Globo

Abolição



Autoria: Wilson Aguiar Filho
Colaboração: Joel Rufino dos Santos
Direção: Walter Avancini
Período de exibição: 22/11/1988 – 25/11/1988
Horário: 22h
Nº de capítulos: 4

Elenco:
Alby Ramos – Seixas Magalhães
Alfredo Murphy – Raimundo
Aloysio Pimentel
Ângela Correa – Iná Inerã
Angelito Mello – Rodolfo Dantas
Buza Ferraz – Silva Jardim
Breno Morroni – Gustavo de Lacerda
Carlos Kroeber – D. Pedro II
Celina Imbert – Elvira
Cíntia Rachel – Ododô
Cláudio Ramos
Cristina Prochaska – Abigail
Dominique Afonso – Estela
Edney Giovenazzi – padre Ramos
Edwin Luisi – Ângelo Agostini
Emiliano Queiroz – Osvaldo
Erivaldo Casan – Idaji
Fátima Serafim – Chica
Hélio da Gama
Ivan de Albuquerque – Quintino Bocaiúva
Ivan de Almeida
Jorge Coutinho – André Rebouças
José Augusto Branco – conselheiro João Alfredo
José de Araújo – Nzenga
José de Freitas
José Lewgoy – Barão de Cotegipe
Josmar Martins – Manoel
Kadu Karneiro – Mamadu
Léa Garcia – Aparecida
Luis Antônio Pilar – Lucas Tavares
Luíza Gomes – Adeta
Luiz Armando Queiroz – Joaquim Nabuco
Marcos Americano
Mário Lago – Paulino de Souza
Martha Overbeck – Dona Emília
Milton Moraes – coronel Hipólito Macedo Tavares
Mira Haar – Florinda
Odilon Wagner – conde D’Eau
Pietro Mário
Renato Coutinho – João Clapp
Roberto Lopes
Rubens Corrêa – Andrade Figueira
Sebastião Lemos – Luís de Andrade
Serafim Gonzalez – desembargador Coelho Bastos
Silvio Pozatto – Navarro
Tereza Rachel – princesa Isabel
Thiago Justino – Olokini
Valdir Fernandes – capitão Moreira César
Valter Santos – José do Patrocínio
Waldir Fiori

A Trama:
- Com roteiro de Walter Avancini, Abolição foi realizada em comemoração ao centenário do fim da escravatura no Brasil.
- A narrativa é centrada no período em que a Lei Áurea está prestes a ser assinada pela Princesa Isabel (Tereza Rachel), em 13 de maio de 1888. Nesse momento, o tema abolicionista era amplamente discutido nos centros urbanos, enquanto nas áreas rurais as relações escravagistas ainda eram intensamente vividas.
- A trama traz dois personagens centrais: a escrava Iná Inerã (Ângela Corrêa) e Lucas (Luiz Antonio Pillar). Líder espiritual e guerreira, Iná Inerã representa a idéia da manutenção da identidade africana a qualquer preço, se for preciso, pago com a própria vida. Lucas, por sua vez, é seu oposto: um negro alforriado, jornalista, que acredita na integração pacífica entre brancos e negros. Através dessas duas posições, a história mostra como e quanto a libertação dos escravos modificou as estruturas da sociedade urbana e rural e as conseqüências dessa libertação para o próprio negro brasileiro.
- Outro personagem central da trama é o coronel Macedo Tavares (Milton Moraes). Dono da fazenda onde vive Iná, cenário da maior parte da narrativa, ele vive entrando em conflito com a escrava, castigando-a com as mais severas punições. Destemida, Iná continua a desafiá-lo sempre que pode e organiza fugas, manifestações de escravos e até assassinatos de jagunços do fazendeiro. Seu braço direito é o mau-caráter Osvaldo (Emiliano Queiroz), sempre pronto para cumprir as exigências do patrão.
- Apesar das diferenças, Iná e Lucas são apaixonados um pelo outro, mas não conseguem ficar juntos por conta de suas divergências. O caminho dela é o da guerra, enquanto o dele, o da liberdade adquirida pelas leis. Um dos grandes companheiros de Lucas é Ângelo Agostini (Edwin Luisi), caricaturista que trabalha no mesmo jornal que ele. Casado com a doce Abigail (Cristina Prochaska), Ângelo é um abolicionista convicto e participa ativamente do movimento pela libertação dos escravos.
- A luta pela libertação é pontuada pelo debate entre as posições de brancos e negros. Além disso, há divergência entre os brancos: alguns são verdadeiros opressores, sobretudo os senhores da zona rural, enquanto outros lutam pelo ideal abolicionista, tornando-se militantes da libertação dos negros.
- Personagens importantes na história que lutam pela abolição são Ângelo Agostini (Edwin Luisi), André Rebouças (Jorge Coutinho) e José do Patrocínio (Valter Santos). De outro lado, está o líder influente da corrente contrária à abolição, o barão de Cotegipe (José Lewgoy), que defende o interesse dos fazendeiros, pleiteando que sejam indenizados e ressarcidos dos prejuízos.
- O coronel Macedo consegue que Iná seja presa e entregue à Justiça. Em meio a isso, a lei para a extinção da escravidão está prestes a ser assinada. O último capítulo da história mostra a princesa Isabel assinando a Lei Áurea enquanto a população comemora nas ruas. Lucas, por sua vez, preocupa-se com Iná e resolve procurar o coronel para pedir pela mulher que ama. O fazendeiro é irredutível e diz que Iná será julgada pelos crimes que cometeu. Ela é condenada à prisão perpétua, e Lucas sofre com a sentença. Com a ajuda dele, quando Iná está sendo transferida para a casa da corte, um grupo de negros rende os guardas e a libertam. Ela se despede de Lucas, marcando mais uma vez as diferentes posições de cada um, e foge com o grupo. O que eles não contavam é estarem sendo seguidos por Osvaldo e seus capangas. Sem nenhuma chance de escapatória, todos são assassinados a tiros por Osvaldo. A cena final mostra Iná caída no chão, junto com os demais negros, morta.

Produção:
- Para escrever Abolição, Wilson Aguiar Filho contou com a colaboração do historiador Joel Rufino dos Santos. Mas, para assessorar na reconstituição histórica do período, ambos contaram com a ajuda do também historiador Francisco Alencar, que durante dois meses esteve à frente do trabalho ao lado da equipe de autores.
- Abolição contou com a participação de mais de 100 atores e três mil figurantes. A utilização de pequenos trechos falados em iorubá e em português com sotaque francês ou italiano mostra o cuidado na reconstituição dos tipos que circulavam na Corte e na zona rural na época. A professora Íris Gomes da Costa assessorou o trabalho lingüístico da equipe. Ela já havia trabalhado com Walter Avancini na minissérie Grande sertão: veredas (1985).
- Para a composição de seus personagens, o elenco também teve aula de dança com a professora Railda Galvão dos Santos, especializada em danças de origem africana.

Curiosidades:
- Esta foi a primeira parceria da Rede Globo com produtoras independentes, a Avan e a Cininvest Produção Vídeo Cinematográfica, com produção geral de Paulo César Ferreira. No ano seguinte, ainda com esta parceria, a mesma equipe foi reunida para a minissérie República.

Trilha sonora:
- A trilha sonora da minissérie foi produzida por Murilo Alvarenga. Destaque para o hino da juventude sul-africana, que marcava as cenas mais fortes da narrativa, e Canto de Ossanha, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, que reforçava o drama dos negros brasileiros na época.


Fonte: Memória Globo

quinta-feira, 25 de março de 2010

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1988



1988 - Abolição
1988 - O Primo Basílio
1988 - O Pagador de Promessas


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1988 - Chapadão do Bugre