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terça-feira, 30 de março de 2010

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Luna Caliente



Autoria: Jorge Furtado, Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase
Direção geral: Jorge Furtado
Direção de núcleo: Guel Arraes
Período de exibição: 15/12/1999 - 17/12/1999
Horário: 21h30
Nº de capítulos: 3


Elenco:
Ana Paula Tabalipa - Elisa
Bruno Garcia - Braulito
Chico Diaz - Gomulka
Fernanda Torres - Dora
Julio Andrade - Tenente
Laverdógil de Freitas - Motorista de caminhão
Lisa Becker
Nelson Diniz - Detetive Gamboa
Nestor Monastério
Paulo Betti - Ramiro
Paulo José - Inspetor Monteiro
Sergio Lulkin - Preso
Tiago Real - Policial Oliveira
Tonico Pereira - Bráulio Tennembaum
Vanda Lacerda - Maria
Walderez de Barros - Carmen
Zé Adão Barbosa - Homem do guincho
Zé Victor Castiel - Homem do guincho

A Trama:
- Adaptada do romance homônimo do argentino Mempo Giardinelli, a microssérie Luna caliente conta a história dos desdobramentos trágicos que se sucedem a partir do envolvimento de Ramiro (Paulo Betti), de 40 anos, com Elisa (Ana Paula Tabalipa), de 18 anos. Tendo como pano de fundo uma pacata cidade do interior do Rio Grande do Sul, em janeiro de 1970, a trama tem início com o retorno de Ramiro ao Brasil após oito anos de exílio na França.
- Ao chegar, Ramiro revê o amigo Gomulka (Chico Diaz) e lhe pede emprestado seu precioso veículo, um Ford mercury modelo 1946. Ramiro pretende visitar um casal de amigos de longa data, Bráulio (Tonico Pereira) e Carmen Tennembaum (Walderez de Barros), que não via desde que se mudara para a França. Na casa dos Tennembaum, numa noite quente de lua cheia, ele reencontra a filha do casal, a jovem Elisa, que se insinua para o visitante. A moça se mostra particularmente curiosa em relação a sua ex-mulher Dora (Fernanda Torres), que Ramiro deixou na França.
- Apesar de ser convidado a passar a noite na casa de Bráulio e Carmem, Ramiro decide seguir viagem e volta para o carro. Elisa o observa o tempo todo da janela, e ele – alegando que o carro está afogado – aceita pernoitar na casa dos amigos.
- Ramiro fica completamente seduzido pela jovem de ar angelical. Enquanto todos dormem, ele vai ao quarto da moça e a vê seminua. Ela o encara, ele segue até sua cama e, em seguida, estupra-a. Ela ameaça gritar, mas ele a sufoca. Ao vê-la sem vida, Ramiro foge. No entanto, é surpreendido pelo pai da jovem, que, completamente embriagado, pede carona ao amigo até um lugar onde possa beber sem a esposa por perto. O local fica próximo de uma ponte.
- Eles seguem viagem, e Ramiro sente-se ameaçado pelo pai de Elisa, que alega tê-lo visto no quarto da filha. Ramiro, então, agride o amigo, que desmaia. Com a intenção de apagar as provas de seu crime, ele joga o carro da ponte com o outro dentro.
- Na volta para casa, Ramiro pede carona a um motorista de caminhão (Laverdógil de Freitas). Após o acontecido, uma sucessão de erros impede que o protagonista retome sua vida normal. Ele acaba embrenhando-se em caminhos cada vez mais difíceis e incontornáveis, sem nenhuma saída aparente.
- Para surpresa de Ramiro, ele encontra Elisa logo pela manhã em sua casa. Ele pede desculpas, e ela acaba dizendo que havia gostado do que se passou entre eles e que queria repetir. Diz que estava na cidade, junto com sua mãe, apenas para procurar o pai, desaparecido desde a noite anterior. Após insinuar que a bebida era a grande responsável pelo sumiço de Bráulio, Ramiro diz que lhe emprestara o carro em função da insistência.
- Nesse período, Dora chega à cidade para tentar convencer Ramiro a retornar para Paris. Ele não aceita, pois acha que o casamento deles não tem mais volta.
- A investigação do sumiço de Bráulio fica a cargo do inspetor Monteiro (Paulo José), que busca a verdade do seu jeito: colocando Ramiro como principal suspeito e investigando as provas de forma a conseguir evidências de seu envolvimento no desaparecimento da vítima. Sua aparência desgastada e cansada denota a pouca confiança na Justiça da época, durante a ditadura militar. O processo criminal contra Ramiro prossegue, e seu amigo Gomulka assume o papel de advogado de defesa.
- Elisa possui também um irmão, que estuda medicina na capital e só vem em casa nos fins de semana. É o Braulito (Bruno Garcia), a quem conta do assédio de Ramiro. Braulito fica extremamente enciumado pelo relacionamento dos dois, que continua mesmo durante as investigações do assassinato. Descobre-se, também, que Elisa já havia tido relações sexuais com o próprio pai. A moça costuma seduzir todos à sua volta. E é sempre ela, inclusive, quem toma a iniciativa quando encontra Ramiro, deixando-o desconcertado. Eles fazem amor em locais inusitados ou mesmo públicos.
- Durante os depoimentos ao inspetor, provas inquestionáveis da culpa de Ramiro são levantadas. A sua fisionomia, por exemplo, é reconhecida pelo caminhoneiro que lhe deu carona.
- Ramiro acaba sendo preso e é interrogado por Gamboa (Nelson Diniz). O policial se compromete a arquivar o processo, caso Ramiro colabore com a repressão, identificando nas universidades do país os focos de “subversão”.
- Ramiro não aceita a proposta, ao perceber que se tornaria alguém constantemente chantageado pelo Estado em função de seus antecedentes, e prefere ficar preso. Nesse período, Elisa presta depoimento e afirma que Ramiro esteve com ela durante toda a noite do crime. Ele é solto e, viajando de carro com ela para fora do país, pára o veículo no acostamento a fim de satisfazer o voraz apetite sexual da jovem. Elisa, então, morde-o com força repetidas vezes, e acaba sendo enforcada e morta por Ramiro, que enterra seu corpo na estrada.
- No hotel, no dia seguinte, Ramiro é acordado pela recepcionista, que lhe avisa que há alguém a sua procura na recepção. Já certo de que é a polícia que veio prendê-lo, ele desce resignado. Surpreende-se, porém, ao encontrar novamente a imortal e apaixonada Elisa a sua espera.

Produção:
- Com um orçamento de R$ 2 milhões, a série foi realizada em película de 35 mm, sendo exibida somente um ano após sua finalização. O atraso se deu por conta de questões estratégicas da emissora e, também, por problemas em função das fortes cenas de sexo. A microssérie levou 40 dias para ser filmada, entre agosto e outubro de 1998. Foi produzida pela empresa de Jorge Furtado, a Casa de Cinema, com filmagens no Sul do Brasil, nas cidades de Rio Pardo e São Lourenço, próximas a Porto Alegre. Também foram utilizadas como locações estradas e plantações perto de Santa Cruz do Sul.
- Fiapo Barth, que esteve à frente da direção de arte e da cenografia, transformou um antigo engenho de açúcar desativado, construído no século XIX, em base para a construção do segundo pavimento da casa de Bráulio Tennembaum, onde Ramiro se encontra com Elisa. No total, foram 16 locações externas e uma interna, sendo que as cenas externas constituíam mais de 70% da história. Nas cenas da morte de Bráulio, mais de 143 profissionais estiveram presentes, entre equipes de resgate, dublês e efeitos especiais. Já o figurino, também a cargo de Fiapo, propositalmente beirava o mau gosto, vestindo os personagens de forma a revelar a história pessoal de cada um, já que vivem em uma época desatualizada, no interior do país e sem qualquer glamour. A única personagem a destoar desta linha é Dora, que vem de Paris.
- Um importante personagem na série é a própria Lua, que aparece em cena garantindo nuances de realismo fantástico à trama. Para isso, a produção fez uso de três “luas” distintas ao longo do processo de filmagens. A primeira tem aspecto de queijo suíço, sempre bem iluminada e servindo de fundo para algumas cenas, como nas seqüências em que Ramiro dirige seu carro. A segunda “lua” é feita em computação gráfica, que reproduz com exatidão a original. A terceira foi a verdadeira, que participou ativamente das cenas brilhando nos céus gaúchos durante as gravações.
- A fotografia de José Tadeu Ribeiro procurou trazer um clima sombrio às imagens. Através da técnica conhecida como “noite americana”, com a utilização de filtros especiais, foi possível filmar cenas noturnas mesmo durante o dia.

Curiosidades:
- No romance original, escrito em 1983, a trama é ambientada na Argentina de 1974, e a protagonista tem somente 13 anos.
- A escolha da atriz que faria o papel principal se deu após mais de 50 testes. O diretor declarou, em seguida, que a atriz Ana Paula Tabalipa – vivendo seu primeiro papel protagonista – iluminava a tela ao aparecer em cena.
- Luna caliente uniu pela primeira vez os autores Jorge Furtado, Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase.
- A produção foi incluída no pacote de títulos vendidos pela TV Globo à Rede Telemundo, tornando-se a segunda maior em audiência entre a população de origem hispânica dos Estados Unidos em março de 2000. Foi também exibida em Portugal e no Uruguai. No Brasil, foi reapresentada em outubro de 2003, durante o Festival Nacional.

Trilha sonora:
- O ritmo intenso das músicas incidentais, compostas pelo produtor musical Roger Henri, são inspiradas em trilhas de espetáculos do Cirque du Soleil.

Fonte: Memória Globo

Chiquinha Gonzaga



Autoria: Lauro César Muniz
Colaboração: Marcílio Moraes
Direção: Jayme Monjardim, Marcelo Travesso e Luiz Armando Queiroz
Direção geral: Jayme Monjardim
Período de exibição: 12/01/1999 - 19/03/1999
Horário: 22h50
Nº de capítulos: 38

Elenco - 1ª fase:
Chiquinha até os 30 anos de idade (1877)

Adriana Lessa - Feliciana
Adriana Quadros - Dama
Afranio Gomes - porteiro do convento
Alessandra Verney
André Segatti - Eduardo
Ângela Leal - Celeste
Antônio Petrin - Luiz Castello
Ariel Coelho - Conde de Sacadura
Arthur Costa Filho - Braga
Beto Bellini - Capitão do Mato
Bruno Telles - João Gualberto
Carlos Alberto Riccelli - João Batista de Carvalho, Jota-Bê ou Carvalhinho
Charle Myara - Saldanha
Chica Xavier - Inácia
Christiana Guinle- Aimée
Clarisse Gusman- Leonor
Claudia Puget - caixeira
Cristiana Monteiro
Danielle Winits - Suzette Fontain
Delma Silva - negra, mãe de Pedro
Edir de Castro - Zanza
Eduardo Arbex - afinador
Eduardo Caldas - José Basileu Filho, o Juca
Eduardo Galvão - Tenente Martim
Emilio Orciollo Neto - Jorge
Felipe Brito - Zé Carlos, seis anos
Fernanda Azevedo - menina do Alcazar
Flavia Maria - freirinha
Flávio Migliaccio - Argemiro Vagalume
Gabriela Duarte - Chiquinha Gonzaga
Genilda Maria - pajem-babá
Giulio Lopes - chefe cerimonial-Municipal
Gracindo Júnior - Barão de Mauá
Guilherme Bernard - Pedro
Guilherme Piva - Mestre de Cerimônia
Haroldo Costa - Raymundo da Conceição
Hugo Carvana - Gouveia
Izlene Cristina
Jaqueline Sperandio - Baronesa
Jorge Maia - Zé da Bica
José Peregrino - chefe da guarda
Laura Lustosa - Julia
Lauro Góes
Luciana Faria - menina do Alcazar
Marcelo Mansfield - Arnaud
Marcello Novaes - Jacinto Ribeiro do Amaral
Maria Delamino
Mariana Boscoli - moça
Marx Maranhão
Norton Nascimento - João Callado
Odilon Wagner - José Basileu Neves Gonzaga
Orlando Leal - chefe cerimonial-baile
Paula Santoro - menina do Alcazar
Patrícia Levy
Rehane Zilles - mulher 1-Municipal
Rejane Marques - mulher 2-Municipal
Roberto Guedes - homem
Rodrigo Mendonça - José
Rosamaria Murtinho
Sandra Barbieri - matilde
Sandra Gottlieb - menina do Alcazar
Sebastião Vasconcellos - Cônego Trindade
Sergio Britto - Marquês de Caxias
Sergio Loroza - Vassoura
Silvio Ferrari
Solange Couto - Rosa Maria de Lima
Suzana Faini - freira
Tânia Bondezan - Maria Isabel
Zezé Motta - Conceição

Elenco - 2ª fase - 1877 a 1935
Adenor de Souza - peão
Adriana Alcantara - Dora
Alexandre Lemos - João Gualberto
Ana Paula Tabalipa - Ritoca
Antonio Calloni - Lopes Trovão
Antonio Grassi - Manoel Amâncio Filho
Arnaldo Marques - médico
Arthur Costa Filho
Bebel Lobo - Maria, grande
Caio Blat - João Batista Fernandes Lage (até os 45 anos)
Caio Junqueira - João Gualberto
Carla Regina - Alice
Carlos Casagrande - Carlinhos
Carmem Caroline - Rosinha
Carolina Boticelli - Formosa B
Christine Fernandes - Alzira
Clarice Abujamra - Marina
Claudia Lira - Suzana de Castera
Claudio Cavalcanti - Censor de uma das peças
Claudio Lins - Juca
Claudio Mendes - Artur Azevedo
Daniela Escobar - Amália do Prado
Danielle Winits - Helena, filha de Suzette
Desireé Vignoli - menina do Alcazar
Dira Paes - Vitalina
Elias Gleiser - Bergamini
Emiliano Queiroz
Emilio Orciollo - Jorge
Fabio Junqueira - João Batista Fernandes Lage (a partir dos 45 anos)
Fernanda Muniz - Mariana
Fernando Albano - Hilário
Guilherme Bernard - Pedro
Humberto Martins - Artur
Ida Gomes - Diretora Colégio Imaculada Conceição
Isabel Teixeira - menina do Alcazar
Ivana Domenico - Formosa D
Juliana Modella - Formosa A
Juliana Monjardim - Emilia, menina do Alcazar
Karina Mello - Manú
Lara Córdula - Maria da Cacimba
Larissa Queiroz - Maria
Lauro Góes - Viton
Lavínia Vlasak - Marie de Paris
Lucia Helena Máximo - Formosa E
Ludmila Rosa
Luiz Lobo - Gustavo
Marcelo Mansfield - Arnaud
Marcelo Várzea - Petronio Sá
Maria Ceiça - Divina
Marx Maranhão - homem do binóculo
Maurício Gonçalves - José do Patrocínio
Michel Bercovitch - gerente
Milton Gonçalves - maestro Henrique Alves de Mesquita
Murilo Rosa - Amadeu
Neco Villa Lobos - Castelinho
Paula Franco - menina do Alcazar
Paulo Betti - Carlos Gomes
Regina Duarte - Chiquinha Gonzaga
Rô Santana - Teresa
Rui Minharro - Otávio Bilac
Silvia Franco - Lili
Silvio Ferrari- Samuel
Stella Rodrigues - Genevieve, menina do Alcazar
Suzana Vieira - Suzette Fontain
Tatiana Almeida - Formosa C
Taumaturgo Ferreira - Paula Ney
Vera Holtz - Dona Ló

A Trama:
- A minissérie conta a saga de Chiquinha Gonzaga, uma das maiores representantes da cultura popular brasileira, musicista revolucionária, republicana, abolicionista e que desafiou a sociedade de sua época com sua postura, sua arte e seus amores.
- A trama é narrada a partir de uma burleta que se realiza em homenagem a Chiquinha Gonzaga (Gabriela Duarte, na primeira fase, e Regina Duarte, na segunda), nesse momento com 87 anos, que assiste a sua trajetória desde o nascimento. A protagonista, vez ou outra, enquanto a encenação transcorre, faz interrupções e comentários sobre o que lhe acontecera realmente. Já idosa, lembra de sua vida que passa a ser retratada em duas fases: antes e depois dos 30 anos de idade.
- Filha de Rosa Maria de Lima (Solange Couto) e do major José Basileu (Odilon Wagner), Chiquinha é rejeitada pelo pai logo após seu nascimento, no Rio de Janeiro, em 1847. O major pede que a mulata Rosa entregue a criança na roda dos enjeitados de uma igreja, onde o bebê seria acolhido por freiras. Mesmo contrariada, Rosa obedece. Mas, antes que a roda fosse girada, o militar se arrepende e decide assumir a criança e o seu romance com Rosa. O bebê é batizado com o nome de Francisca Edwiges Neves Gonzaga.
- Chiquinha é criada com conforto, sob a tutela dos melhores professores e sempre se destacando nos estudos do português, do francês e, também, da música. Tanto que aos 11 anos compôs sua primeira canção, com temática natalina, fazendo jus a sua esmerada educação e tradicional formação musical. Seu pai a preparou para ser uma dama da corte imperial, mas, pelas ruas do Rio de Janeiro, ela também conheceu representantes de uma nova corrente musical que misturava os ritmos da corte com o lundu, de origem africana, tocado nas rodas de escravo.
- Para melhor figurar seu interesse musical variado, após um baile onde dança polcas e valsas e conhece Jacinto Ribeiro do Amaral (Marcello Novaes), ela pede que ele a leve até um terreiro de negros para ouvir suas músicas. Lá, junto de amigos, fala sobre sua intenção original de criar algo que misture ritmos diferentes como a polca e o lundu. Seu interesse se dá, também, pela influência de amigos como Joaquim Callado (Norton Nascimento), que, mais tarde, se torna conhecido como um dos inventores do choro, ou chorinho.
- Por imposição do pai, Chiquinha acaba se casando com Jacinto, com quem tem três filhos. O marido, enciumado, lhe proíbe de fazer uma das coisas que mais lhe dava prazer, que era tocar. Ao se ver no dilema de escolher entre a música e o casamento, ela prefere a música e acaba se separando. Arca, assim, com os desafios de uma vida independente, já que, separada, é também enjeitada por seu pai. Luta pela liberdade de tocar em público e passa a viver com seu grande amor de juventude, o engenheiro e músico João Batista de Carvalho Jr. (Carlos Alberto Riccelli), com quem tem uma filha, Alice (Carla Regina, na segunda fase).
- Ao lado de seu amor, Chiquinha parte para uma nova fase em uma fazenda em Minas Gerais, para onde se muda com a filha. João Batista mantém uma relação mal resolvida com Suzette (Danielle Winits, na primeira fase; Suzana Vieira, na segunda), a proprietária do maior cabaré da corte. Mas é com uma outra mulher que Chiquinha o flagra. Sem aceitar a traição, ela termina o romance e volta para o Rio de Janeiro, deixando com ele a filha Alice. O pai tinha mais condições financeiras para criar a menina e lhe dar um futuro seguro.
- Em seu retorno ao Rio, Chiquinha volta a morar no sótão do lugar onde tocava, passando a sobreviver de sua música e a participar intensamente dos encontros musicais da cidade. É aí que a minissérie entra na segunda fase, quando Chiquinha volta a conviver com a classe artística marginalizada nos recantos da boemia carioca, integrando-se ao samba e ao choro. Após sua vinda para o Rio, João, por sua vez, casa-se com Suzette e muda-se sem deixar pistas.
- Em 1899, Chiquinha, já com 52 anos, conhece o jovem João Batista (Caio Blat, mais moço, e Fábio Junqueira, como o personagem mais velho), com quem vive um novo amor, apesar da diferença de idade entre eles. Nesse mesmo ano, compôs a canção Ó Abre Alas, para o Cordão Rosa de Ouro. Foi com Joãozinho que ela viveu até o fim de sua vida, e é ao seu lado que ela vai assistir à estreia da burleta no Theatro Municipal.
- Chiquinha Gonzaga é processada pelas filhas Alice e Maria (Larissa Queiroz) durante seu romance com Joãozinho. Elas pedem ajuda financeira da mãe, já que ela se tornara uma artista reconhecida e com renomadas composições para peças musicais de teatro, que lhe garantiram uma vida confortável. Além disso, as filhas pediam que a mãe explicasse na justiça seu relacionamento com Joãozinho. Para calar a moralista voz da sociedade da época, ela acaba anunciando o rapaz como filho e pedindo seu processo de adoção. Logo após, viaja para Portugal, onde passa dois anos. As filhas retiram o processo, e, em 1909, eles voltam definitivamente para o Rio.
- A peça Forrobodó, de 1912, é uma das obras da compositora que fizeram grande sucesso de público e crítica, e um dos seus muitos êxitos musicais posteriores. Suas idéias abolicionistas e republicanas são impressas em tudo que produz, e Chiquinha participa da fundação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
- Na cena final, há o encontro das três gerações da personagem. Chiquinha chega em casa após o espetáculo a que assistira em sua homenagem. Senta-se na cama e recebe a visita de si mesma em duas outras idades diferentes. As três conversam, e a mais velha afirma que elas sempre fizeram o melhor que puderam em tudo. Assim, antes de morrer, ela pede que ambas sigam para o carnaval pelas ruas do Rio de Janeiro. Em seu epitáfio, pede que escrevam: sofri e chorei.

Produção:
- O maquiador David Dupuis foi trazido dos estúdios de Hollywood, sendo responsável pela caracterização de Regina Duarte, na época com 52 anos, em uma senhora de 87 anos. Para isso, ele fez uso de uma máscara de silicone que imitava o envelhecimento. A maquiagem da personagem levava cerca de cinco horas para ser finalizada. Paulo Lois, figurinista da minissérie, já tinha mais de mil figurinos prontos até o momento da estréia.
- A Rede Globo negociou a compra de 40 fotografias de Marc Ferrez que retratam a cidade do Rio de Janeiro de 1870 a 1900, e deu movimento às imagens, em computação gráfica, fazendo com que o Rio antigo ganhasse ainda mais força e veracidade. Em complementação, no total, foram criados 16 cenários de estúdio, incluindo uma cidade cenográfica, onde o Rio antigo foi recriado com a Rua do Ouvidor, uma pracinha de época, além do prédio de Alcazar Lírico e uma casa de chá.
- A direção de arte da minissérie procurou reconstituir cuidadosamente os objetos de época em cena. Para que a cidade fosse retratada de 1863 a 1935, detalhes como a mudança nos transportes, o surgimento da luz elétrica e as modas que fizeram parte do período foram mostradas. Nas cenas em que a Guerra do Paraguai é retratada, armas foram alugadas de colecionadores, e alguns canhões foram fabricados em fibra, para facilitar o manuseio e transporte, já que os originais chegam a pesar mais de duas toneladas. A pesquisa teve como base materiais presentes no Arquivo Nacional, na Biblioteca Nacional, no Museu de Belas-Artes, no Museu da Marinha e na Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro.

Curiosidades:
- As biografias Chiquinha Gonzaga, uma História de Vida, de Edinha Diniz, e Chiquinha Gonzaga, Sofri e Chorei e Tive Muito Amor, de Dalva Lazaroni, foram a base para os acontecimentos narrados na minissérie.
- A minissérie marcou a retomada das produções de época na TV Globo e a volta do diretor Jayme Monjardim, afastado da emissora havia 11 anos.
- Chile, Costa do Marfim, Equador, França, Honduras, Ilhas Maurício, Mali, Polônia, Portugal, República Dominicana, Rússia, Venezuela e Vietnã foram alguns dos países para os quais a minissérie foi vendida.

Trilha sonora:
- Marcus Viana, músico mineiro, compôs a canção Sinfonia de um Novo Século, que acabou se tornando o tema central da minissérie. A trilha incidental vai sendo modificada durante a trama, já que, no início, o que se ouvia e tocava no Brasil era essencialmente europeu, com forte influência francesa. Aos poucos, esse ritmo vai somando-se aos batuques africanos do lundu e originando um som genuinamente brasileiro.
- Ao fim de cada capítulo, renomados artistas interpretam canções de Chiquinha Gonzaga, como Machuca, cantada por Daniela Mercury, A Brasileira, na voz de Adriana Calcanhoto, Maxixe da Zeferina, com Beth Carvalho, e Namorados da Lua, na voz de Milton Nascimento. O acompanhamento ao piano ficou por conta dos músicos Clara Sverner e Leandro Braga.


Fonte: Memória Globo

O Auto da Compadecida



Autoria: Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão
Direção geral: Guel Arraes
Direção de núcleo: Guel Arraes
Período de exibição: 05/01/1999 - 08/01/1999
Horário: 22h30
Nº de capítulos: 4

Elenco:
Aramis Trindade - cabo Setenta
Bruno Garcia - Vicentão
Denise Fraga - Dora
Diogo Vilela - padeiro Eurico
Enrique Diaz - capanga
Fernanda Montenegro - Nossa Senhora, a Compadecida
Lima Duarte - Bispo
Luís Mello - Diabo
Marco Nanini - cangaceiro Severino
Matheus Nachtergaele - João Grilo
Maurício Gonçalves - Jesus
Paulo Goulart - major Antonio Morais
Rogério Cardoso - Padre João
Selton Mello - Chicó
Virginia Cavendisch - Rosinha

A Trama:
- Baseada na peça teatral homônima de Ariano Suassuna, O auto da Compadecida é uma comédia que mistura regionalismos e religiosidade, fazendo referência à pobreza e à vida sofrida dos habitantes do Nordeste.
- A microssérie conta em quatro episódios as aventuras de João Grilo (Matheus Nachtergaele), um sertanejo desnutrido e malandro que faz da esperteza seu modo de ganhar a vida, e seu companheiro de estrada Chicó (Selton Mello), um mentiroso compulsivo e covarde, que é metido a valente e conquistador.
- A história se passa no início da década de 1930, quando a dupla chega a Taperoá, no sertão paraibano, anunciando pelas ruas da pequena cidade a exibição do filme A paixão de Cristo na igreja, para ganhar alguns trocados. Sabendo que o padeiro Eurico (Diogo Vilela) precisa de ajudantes, Chicó e João Grilo passam a trabalhar e morar na padaria. Enquanto Chicó se torna um dos muitos amantes de Dora (Denise Fraga), a fogosa mulher do padeiro, João Grilo aproveita o emprego para comer de graça todos os pães que puder. Depois diz ao padeiro que foram ratos.
- No primeiro episódio, O testamento da cachorra, a cadela de dona Dora morre ao comer a ração dos dois nordestinos, na qual Eurico havia colocado veneno para ratos. Para conseguir que a cachorra tenha um enterro cristão – e assim evitar a ira dos patrões –, João Grilo consegue envolver até o padre João (Rogério Cardoso) em suas armações, inventando que ele pode levar parte de uma suposta herança deixada no testamento da cachorra. O Padre, então, subverte por dinheiro as regras da Igreja, o que atrai a atenção do Bispo (Lima Duarte) que está de visita à cidade e quer sua parte na herança.
- No segundo episódio, O gato que descome dinheiro, o poder e a austeridade da cidade aparecem na figura do major Antônio Morais (Paulo Goulart), um tradicional latifundiário que recebe em casa sua filha Rosinha (Virginia Cavendich), vinda de outra cidade. Ele oferece a mão da moça a um pretendente valente e com bom dote. Rosinha conhece e acaba se apaixonando por Chicó, que além de covarde, não tem dinheiro e nem posses para se casar. Depois de mais um monte de confusões, João Grilo tem uma idéia para conseguir casar o amigo e, quem sabe, pôr as mãos em um pouco do dinheiro do Major.
- A peleja de Chicó contra os dois ferrabrás é o nome do terceiro episódio da série, no qual João Grilo usa toda a sua lábia para provocar um duelo entre os dois valentões da cidade: o cabo Setenta (Aramis Trindade) e Vicentão (Bruno Garcia). Na verdade, trata-se de um plano para que Chicó, por meio de uma série de imposturas, pareça valente diante de Rosinha e do major. A idéia dá certo e, mesmo sem condições financeiras, Chicó vai pedir mão da moça ao pai dela. O fazendeiro aceita, mas propõe um pacto: no dia do casamento, o noivo teria que apresentar uma “paga” de dez contos de réis em troca da mão de Rosinha. Se ele não conseguisse reunir o dinheiro, teria uma tira de pele arrancada das suas costas pelo próprio major. Apesar de acuado, Chicó concorda.
- Para ajudar o amigo, João Grilo marca um encontro entre Chicó e a mulher do padeiro – cobrando dez contos de réis –, para que a dívida seja paga e tudo resolvido. Mas o plano falha. No último episódio, O dia em que João Grilo se encontrou com o diabo, João tem mais uma idéia salvadora. Chicó fingiria que morreu diante dos olhos de toda a cidade, enfiando uma faca em uma bexiga cheia de sangue escondida debaixo da roupa. João Grilo o “enterraria” bem longe, em outra cidade. Rosinha fingiria enlouquecer de tristeza e, mais tarde, iria encontrar o amado.
- Os dois só não contavam que, no dia e hora exatos para executar o plano, o bando do cangaceiro Severino (Marco Nanini) invadisse e saqueasse Taperoá. O cangaceiro faz reféns na Igreja o padre, o bispo, Dora e Eurico, Chicó e João Grilo. Os sacerdotes e o casal são executados pelo bandido com tiros de espingarda.
- Prevendo que sua hora está chegando, João Grilo usa novamente a cabeça. Primeiro, finge matar Chicó espetando a bexiga de sangue. Em seguida, anuncia que pode trazer de volta o amigo tocando sua gaita, que diz ter sido benzida pelo Padre Cícero, de quem Severino é devoto fervoroso. O cangaceiro fica maravilhado quando vê Chicó “ressuscitar” diante dos seus olhos e acredita estar diante da oportunidade de conhecer seu Padrinho pessoalmente: basta morrer e, depois, reviver quando seu Capanga (Enrique Diaz) tocar a gaita mágica. Assim é feito, e Severino morre. Quando percebe que foi trapaceado, o Capanga mata João Grilo.
- O desfecho da história se dá no julgamento de todos os mortos perante o Tribunal das Almas, aonde vão parar o Padre, o Bispo, Eurico, Dora, João e Severino. O juiz é Jesus Cristo (Maurício Gonçalves), que aparece na forma de um homem negro e cheio de compaixão. O Diabo (Luis Melo) é uma espécie de advogado de acusação, que tenta provar que todas as almas devem ser condenadas e entregues a ele.
- Sem muitos argumentos a favor de sua absolvição, João Grilo pede a presença de Nossa Senhora, a Compadecida (Fernanda Montenegro). Graças à sua intervenção, todos são livres da condenação ao inferno. Ela mostra que Eurico perdoou a esposa, que lhe confessou seu amor, e que o Padre e o Bispo terminaram perdoando seu assassino. João Grilo já caminha em direção à porta do inferno, certo de que não havia perdão para nenhum dos seus pecados. Mas a Santa propõe ao Senhor que dê uma segunda chance ao rapaz, alguém que nasceu tão privado de vantagens e entregue a uma realidade tão desalentadora, a qual tantas almas sucumbiram, fez apenas o que pôde para sobreviver. João Grilo acaba voltando à vida bem na hora em que seu corpo estava prestes a ser enterrado por Chicó.
- Juntos novamente, a dupla segue para o casamento de Chicó com Rosinha, que acontece sem garantias de dinheiro. A única coisa que possuem é um cofre – em forma de porca – herdada da bisavó da noiva. Após a cerimônia, a porca é quebrada e, para decepção de todos, as moedas antigas não valiam mais nada. Os três fogem da ira do major Antônio Morais e terminam dançando em pleno sertão, ao som da gaita de João Grilo.

Produção:
- A minissérie O auto da Compadecida foi toda filmada em película na cidade de Cabaceiras, no sertão da Paraíba, e nos estúdios do Projac e Cinédia, no Rio de Janeiro. Ao total, foram 37 dias de filmagem, cerca de nove dias para cada capítulo. Para as gravações, foram adaptadas as fachadas de 59 casas, 22 postes de iluminação foram trocados, inúmeros cabos telefônicos foram escondidos, e a igreja, totalmente pintada. Para a equipe de 65 pessoas e mais o elenco, foram alugadas 12 casas, duas fazendas, um rancho e todas as acomodações de um hotel em Boqueirão, localizado a 20km do local das gravações.
- A caracterização do elenco ficou a cargo de Marlene Moura, também responsável pela prótese dentária usada pelo ator Matheus Nachtergaele, de aspecto amarelado e irregular, escurecendo, também a sua pele. O ator Marco Nanini usava um figurino feito por Cao Albuquerque que chegava a pesar oito quilos, além de um olho de vidro, látex no rosto e peruca. O padeiro ganhou uma peruca e mechas claras, enquanto sua mulher, com pele bem clara, usava batom vermelho. Cao Albuquerque trouxe à cena uma mistura entre os estilos arcaico e nordestino. Para conseguir um visual envelhecido e gasto, as roupas de todos os personagens foram jogadas num caldeirão, tingidas e lixadas várias vezes, adquirindo o aspecto desgastado que se almejava.
- Para a direção de fotografia, a TV Globo contratou o argentino Félix Pontes. Foram utilizados recursos de animações para as histórias de Chicó.

Curiosidades:
- Matheus Nachtergaele fez muito sucesso como o protagonista esperto e de olhar vesgo, na verdade, um arquétipo do sobrevivente popular brasileiro, daqueles que mesmo imersos em um universo de miséria e pobreza possuem um espírito livre, impossível de ser controlado.
- Na obra original de Suassuna, a personagem Rosinha era apenas citada, mas ganhou grande destaque na versão para a televisão.
- O auto da Compadecida ganhou o Grande Prêmio da Crítica, em 1999, concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). No ano 2000, foi reeditada e levada às telas de cinema, contabilizando mais de dois milhões de espectadores, um marco para os padrões brasileiros. Como filme, recebeu quatro prêmios no Grande Prêmio Cinema Brasil, nas seguintes categorias: Melhor Diretor (Guel Arraes), Melhor Ator (Matheus Natchergaele), Melhor Roteiro (Guel, Adriana Falcão e João Falcão) e Melhor Lançamento, além de ter recebido indicação na categoria Melhor Filme. No exterior, recebeu o prêmio do júri popular do Festival de Cinema Brasileiro de Miami.
- Foi reapresentada em formato de filme em janeiro de 2002, no Festival nacional, durante a faixa noturna de programação da TV Globo dedicada à produção de cinema brasileiro. Em outubro do mesmo ano, o filme foi mais uma vez reapresentado numa tarde de domingo.
- A microssérie foi vendida para Portugal.

Trilha sonora:
- Para compor a trilha sonora original da microssérie, o produtor musical João Falcão ficou quatro dias no Recife com o grupo Só Grama, dirigido pelo maestro Sérgio Campelo. As canções foram gravadas de acordo com as características dos personagens e dos climas das cenas, com um trabalho de pesquisa baseado em músicas tradicionais. Participaram das gravações muitos músicos pernambucanos.
- Aboio (de domínio público) foi a música de abertura de O auto da Compadecida, e Presepada (de Sérgio Campelo) deu título à canção tema de João Grilo.


Fonte: Memória Globo

quinta-feira, 25 de março de 2010

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1999



1999 - O Auto da Compadecida
1999 - Chiquinha Gonzaga
1999 - Luna Caliente