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quarta-feira, 31 de março de 2010

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Hoje é dia de Maria: Segunda Jornada



Autoria: Luiz Fernando Carvalho e Luís Alberto de Abreu
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Direção de núcleo: Luiz Fernando Carvalho
Período de exibição: 11/10/2005 – 15/10/2005
Horário: 23h
Nº de capítulos: 5

Elenco:
André Valli - Asmodeu Rábula
Carequinha - participação especial
Carolina Oliveira - Maria
Charles Fricks - Policial / Executivo
Daniel de Oliveira - Boneco / Policial / Soldado Desertor / Cavaleiros Branco / Cavaleiro do Fogo / Cavaleiro da Noite / São Jorge
Denise Assunção - Parca
Denise Cabral - coro
Fernanda Montenegro - Dona Cabeça
Fernanda Vianna - coro
Inês Peixoto - Boneca
Janaína Prado - coro
João Sabiá - Asmodeu Marinheiro
Juliana Carneiro da Cunha - Mãe
Laura Cardoso - Senhora dos Dois Mundos
Laura Lobo - Carvoeira
Leandro Castilho - Executivo
Letícia Sabatella - Alonsa / Rosicler / Asmodéia
Maria Clara Fernandez - Guardiã do Limiar
Maria Fernanda Vianna - coro
Osmar Prado - Dr. Copélius
Phillipe Louis - Ciganinho
Ricardo Blat - Asmodeu Piteira / Gato
Rodolfo Vaz - Pato / Bêbado
Rodrigo Santoro - Dom Chico Chicote
Rosa Marya Colin - Lavadeira / Nossa Senhora Aparecida
Stênio Garcia - Asmodeu Cartola / Asmodeu Juiz / Zé do Riachim
Tadeu Mello - Rapaz Lanchonete / Bêbado

A Trama:
- Assim como a primeira, a segunda jornada de Hoje É Dia de Maria é carregada de simbolismo, com inúmeras referências aos contos populares. Na segunda parte da história, a narrativa fala sobre consumismo, guerras, explorações de menores, opressão feminina, leis de mercado, através de uma linguagem que mistura fábula, circo e ópera. Grande parte dos diálogos foram escritos em forma de canções, apesar da estrutura não ser a de uma opereta.
- A trama começa quando Maria (Carolina Oliveira), diante do mar, se deixa levar pelo oceano, inteiramente fascinada pelas ondas. Depois de um tempo, a menina é devolvida à terra, em um lugar desconhecido, e perde o rumo de casa. A primeira pessoa que Maria encontra é a Lavadeira (Rosa Marya Colin), de quem ouve a explicação de que aquele tempo é o início de tudo. Maria, então, percebe que sua jornada não terminou. Ela parte para uma longa estrada a seguir até o sítio de seus pais.
- No caminho, Maria faz dois amigos, o Pato (Rodolfo Vaz) e a Dona Cabeça (Fernanda Montenegro), que vivem brigando entre si. Dona Cabeça também é responsável pela narração da história. Juntos, os três seguem viagem até que se deparam com um Gigante adormecido, cujos sonhos são a realidade em que Maria está. Maria tenta acordá-lo para, então, reencontrar sua própria realidade, mas acaba sendo engolida pela criatura.
- Maria vai parar em um lixão de uma cidade grande. Nesse novo e desconhecido mundo, a desprotegida menina encontra novos personagens inventados pelo maligno Asmodeu (Stênio Garcia, Ricardo Blat, João Sabiá e André Valli), o diabo que tanto a perseguira na primeira jornada. Maria se vê diante também das guerras e da intolerância dos homens.
- A menina se depara com Boneca (Inês Peixoto), a estrela do Teatro de Variedades, de propriedade de Asmodeu Cartola (Stênio Garcia), e fica fascinada com seu show. Durante uma apresentação, Boneca tem um curto-circuito, despertando a ira de Cartola. Ele a desmonta e a joga fora, no meio da rua, e coloca a pequena Maria no seu lugar. Ela passa a se apresentar nos shows como a Piano Baby. O tempo passa, e Maria continua sendo a estrela do Teatro de Variedades da cidade, mas sente saudade de casa. A menina diz a Asmodeu que vai partir, e ele fica furioso. Finalmente, Maria percebe que Asmodeu Cartola é seu velho e maior inimigo. É nesse momento que ela conhece seu grande amigo, Dom Chico Chicote (Rodrigo Santoro), um poeta e mendigo sonhador, apaixonado pela decidida Alonsa (Letícia Sabatella). Um tumulto toma conta da cidade, e policiais prendem uma mulher. Maria a reconhece, é a Lavadeira que lhe ajudara no início da história.
- Maria e Chico Chicote decidem conclamar a multidão para uma passeata contra as injustiças e a favor dos sonhos. Asmodeu aparece para Maria e ela foge, perdendo-se de Chico Chicote. Sozinha, Maria decide ir para o mar em busca de tranqüilidade e é assediada por Asmodeu Marinheiro (João Sabiá), que quase a convence a se jogar no mar do esquecimento. Quando ouve o barulho de uma multidão, a menina desperta e percebe que Chico Chicote corre perigo. Ele é acusado de perturbar a ordem da cidade e é condenado a ser lançado no mar do esquecimento. Nem os apelos de Maria e de Alonsa, que se declara apaixonada por ele, amolecem o coração dos habitantes da cidade.
- No entanto, um inesperado acontecimento muda o destino de Chico Chicote: O Gigante, que despertara, começa a destruir becos, vielas e tudo que encontra pela frente. A multidão entra em pânico, e o caos se instaura na cidade. Maria se esconde na loja de bonecos de Dr. Copélius (Osmar Prado). Os Soldados da Limpeza (Charles Fricks e Leandro Castilho) aparecem e fazem o doutor desaparecer com um tiro. Mas Maria consegue se salvar ao se fingir de boneca.
- A guerra destrói inteiramente a cidade. Enquanto Maria caminha pelas ruas destroçadas, ela finalmente encontra Chico Chicote. Ele, no entanto, sofre com a morte de sua amada, Alonsa, a quem chamava de Rosicler. Perdidos e com fome, os dois percebem que a guerra também destruiu a amizade e confiança que tinham um no outro, e os dois se separam. Maria é perseguida pelo Gato (Ricardo Blat), na verdade, mais um disfarce de Asmodeu, enquanto Chico Chicote parte em direção ao mar do esquecimento, onde tem uma visão de Asmodéia (Letícia Sabatella).
- De repente, Maria vê Chico Chicote afundar lentamente no mar. Desesperada, ela pede que o Gato o salve, mas o bicho é incapaz de fazer uma boa ação. Maria acaba salvando Chico Chicote sozinha. Sem memória, o poeta decide confiar na menina, que promete ajudá-lo a recuperar suas lembranças. Os dois seguem juntos. Maria tenta avivar a memória do amigo, lembrando histórias e coisas de que ele gostava. Aos poucos, o poeta vai recuperando a memória, para alegria da menina. Os dois amigos têm uma surpresa quando o Cavaleiro Branco (Daniel de Oliveira) cruza seu caminho, lhes concedendo um desejo. Em seguida, encontram com o Cavaleiro de Fogo (Daniel de Oliveira), que concede Justiça aos dois.
- Maria decide pedir um desejo ao Cavaleiro Branco: que o amigo Chico Chicote voe. De repente, Chico Chicote começa a voar, e Maria grita de felicidade. Tomado por uma imensa emoção, ele embaraça-se nas próprias asas e, como um pássaro ferido, cai ao chão, morto. Rosicler aparece cantando em sua frente, fazendo com que Chico desperte. Felizes, os dois partem juntos.
- Sozinha novamente, Maria segue sua jornada. Cansada e com febre, a menina encontra com a Senhora dos Dois Mundos (Laura Cardoso), que a enche de coragem para não desistir. Exausta, ela segue em direção a sua casa. Ao encontrar o Cavaleiro da Noite (Daniel de Oliveira) pelo caminho, a menina pede que ele a faça voltar para casa o mais rápido possível, e ele lhe abre a estrada. Quando tudo parecia bem, Asmodeu aparece novamente para tentar atrapalhar a felicidade de Maria. Para salvá-la, o Cavaleiro da Justiça (Daniel de Oliveira), São Jorge, surge na estrada e, com sua lança, mata a maldade de Asmodeu e o transforma em um simples Caboclo, a quem Maria batiza de Zé do Riachim (Stênio Garcia).
- Na sequência final da história, Maria está em casa, deitada em seu quarto. Com febre, a menina recebe os cuidados da Avó e do Pai, preocupados com seu estado de saúde. Maria chama pela avó, com a voz fraquinha: “Vó, conta a história de novo?”. A Avó senta-se na cadeira ao lado da cama de Maria e começa a contar a história, recheada de aventura e fantasia, cheia de personagens fantásticos como Gigante, Dom Chico Chicote, Rosicler e muitos outros.

Produção:
- Para ambientar a segunda jornada da pequena Maria, foi construída, dentro do domo utilizado na primeira produção, uma cidade de aproximadamente 2300m de área. Eram quatro quarteirões com trânsito nas avenidas, casas e lojas, um teatro, uma rodoviária e uma orla, com um pedaço de mar. Trabalhando com o mesmo conceito da primeira jornada, em que o espaço retratado pela narrativa é um espaço simbólico, a cidade foi toda construída em papelão e papel plotado e seus habitantes são bonecos. Para os bonecos figurantes, o artista plástico Raimundo Rodrigues e sua equipe construíram cerca de 120 cabeças, com diferentes expressões, que se revezavam em quinze corpos articuláveis de madeira e fibra de vidro. Entre as cabeças, 20 foram preparadas para ter articulação nos olhos e boca, como bonecos de ventríloquo.
- O grupo mineiro Giramundo também participou da produção da segunda jornada da minissérie. Um dos trabalhos de destaque feito por eles foi a traquitana na qual Chico Chicote tenta alçar vôo, em determinado momento da história. Construída com sucata de metal e engrenagens, era possível movimentar as enormes asas de plástico costuradas na engenhoca. O dragão marinho também merece destaque. Construído pela artista plástica Chang Chi Chan, a criatura lembrava a figura de um Leviatã. A artista se inspirou num afresco de Pompéia. Com cerca de 12m de comprimento e 2m de altura, o dragão movimentava cabeça e patas, cuspia fogo e enroscava o próprio corpo, revestido por mais de 15 mil escamas de papel reciclado.
- A minissérie também lançou mão da linguagem de animação, como na primeira produção. A equipe de César Coelho, diretor do Festival Anima Mundi, foi responsável pelas posições expressivas de todos os bonecos figurantes e pela construção de carros animados em stop motion, além de outras seqüências da narrativa.
- Das inúmeras vestimentas produzidas pela equipe de figurino, destaca-se o terno feito só com classificados usado pelo personagem Boneco. A roupa era uma crítica ao consumismo desenfreado. O figurino de Alonsa também chamava atenção. Descendente de espanhola e suburbana, a personagem exagerava nos acessórios. Uma das peças mais interessantes do seu guarda-roupa era um sutiã todo feito de papel de bala, com aplique de tampinhas de garrafas e pedrinhas coloridas. Para Chico Chicote, a inspiração foram as obras de Bispo do Rosário. Todas as roupas do núcleo do Teatro de Variedades da cidade foram inspiradas nas obras de Toulouse-Lautrec. A saia de cancã com que Dona Boneca se apresenta foi toda feita de papel de seda com um bordado especialmente aramado, para ser gravado em animação.
- A equipe de caracterização e maquiagem deu à pele dos personagens um tom de branco amarelado, com bochechas rosadas. Chico Chicote tinha uma maquiagem diferenciada: sua pele era mais iluminada, puxada para o tom dourado. O ator Stênio Garcia tinha um enorme nariz com 15cm, feito a partir de uma fôrma e desenvolvido em látex.
- O trabalho de iluminação é um dos pontos altos da minissérie. Assim como em outros trabalhos do diretor Luiz Fernando Carvalho, a luz era essencial para envolver o telespectador na atmosfera lúdica da história. Para iluminar todo o domo, foram utilizados mais de 420 refletores. Além dos quatro grids de luz que dividiam o teto da cúpula, três balões difusores se deslocavam em cabos de aço para preencher o domo com uma luz suave, como a do céu. Projeções luminosas ajudaram a criar o caos urbano que assustava a pequena Maria. Para reproduzir o trânsito, característica dos grandes centros, foram usadas duas grandes grades, posicionadas em cantos opostos do cenário, uma com faróis e outra com lanternas traseiras penduradas que piscavam de forma intermitente para provocar a sensação de deslocamento dos carros.
- A equipe de cenografia usou como referências as pinturas do americano Robert Rauschenberg, a pop art e as obras do escultor suíço Jean Tinguely, para criar os objetos da cidade de papel, como os postes de eletricidade, feitos com aro de bicicleta. O mar também exigiu atenção especial. Vinte telas presas a estruturas com alavancas manuais giratórias faziam o movimento das ondas. A pintura foi feita à mão. As imagens pintadas ao fundo da cidade foram inspiradas em filmes como Metrópolis, de Fritz Lang, e o mar, nas telas de Paul Klee.
- Além das inúmeras inovações de formato, Hoje É Dia de Maria trouxe novidades para a engenharia da Rede Globo: pela primeira vez na América Latina foi usada a câmera Digital Viper, da Thompson. A câmera de alta definição para cinema capta imagens com resolução quase cinco vezes superior as outras HDs existentes no mercado. Com sistema tapeless, a imagem é transmitida através de fibra óptica para um servidor na ilha de pós-produção, onde é gravada.
- O elenco da segunda jornada é o mesmo da primeira, mas a maior parte dos atores interpreta outros personagens. Assim como na primeira temporada, o elenco e a equipe de produção assistiram à palestra do psiquiatra Carlos Byington sobre arquétipos e mitos.
- O elenco também fez aulas de preparação corporal, vocal e musical. Os preparadores corporais Tiche Vianna e Luis Louis ajudaram os atores a criarem um corpo para os seus personagens, fazendo com que eles se comunicassem através dele, deixando de lado a interpretação naturalista. Tiche Vianna trabalhou com máscaras. No início da preparação, ela fez exercícios com máscaras neutras, sem expressão. Posteriormente, os atores passaram a criar suas máscaras. Depois do trabalho com as máscaras, Luis Louis deu continuidade à preparação corporal através de técnicas de mímica moderna do Etienne Decroux. Para a preparação de voz, além das aulas de canto, os atores aprenderam técnicas de respiração e até de aikidô, tudo para auxiliar o canto em cena.

Curiosidades:
- O palhaço Carequinha fez uma participação especial na minissérie. Ele tocou realejo em uma cena em que Rodolfo Vaz e Tadeu Mello, bêbados, cantam a música Realejo dos Bêbados.
- A minissérie ganhou uma exposição na estação República do metrô em São Paulo. O público pôde ver fotos, figurinos, bonecos e parte do cenário da segunda jornada.
- O roteiro da minissérie chegou às livrarias pela Editora Globo, em 2005. Em dezembro de 2006, Hoje É Dia de Maria foi lançado em DVD. Com três discos, a edição traz a íntegra da primeira e segunda jornadas.

Trilha sonora:
- Na segunda jornada, o trabalho com a música foi ainda mais aprofundado. A pesquisa musical foi feita pelos autores Luiz Fernando Carvalho e Luís Alberto de Abreu e pelo maestro Tim Rescala, que partiram das obras do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e do compositor alemão Kurt Weill. As mais de 50 canções foram gravadas em estúdio, mas algumas foram captadas ao vivo, durante as gravações da minissérie. Para isso, os atores usavam microfones de lapela escondidos e monitores de ouvido para escutar a base instrumental ou o playback da música.


Fonte: Memória Globo

Hoje é dia de Maria



Autoria: Luiz Fernando Carvalho e Luís Alberto de Abreu
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Direção de núcleo: Luiz Fernando Carvalho
Período de exibição: 11/01/2005 – 21/01/2005
Horário: 23h
Nº de capítulos: 8

Elenco:
André Valli - Asmodeu mágico
Antônio Edson -Asmodeu brincante
Aramis Trindade - Cangaceiro
Carolina Oliveira - Maria criança
Charles Fricks - Executivo
Daniel de Oliveira - Quirino
Denise Assunção - Mucama
Emiliano Queiroz - Asmodeu velho
Fernanda Montenegro - Madrasta
Gero Camilo - Zé Cangaia
Ilya São Paulo - Cangaceiro
Inês Peixoto - Rosa
João Sabiá - Asmodeu bonito
Juliana Carneiro da Cunha - Nossa Senhora da Conceição
Laura Lobo - Menina carvoeira
Leandro Castilho - Executivo
Letícia Sabatella - Maria adulta
Luiz Damasceno - Asmodeu poeta
Marco Ricca - Cangaceiro
Mario Cesar Camargo – Odorico
Mônica Nassif - Camponesa
Nanego Lira - Retirante
Osmar Prado - Pai
Phillipe Louis - Ciganinho
Rafaella Oliveira - Joaninha
Ricardo Blat - Asmodeu sátiro
Rodolfo Vaz - Homem de olhar triste
Rodolfo Vaz - Maltrapilho
Rodolfo Vaz - Mascate
Rodolfo Vaz - Mendigo
Rodolfo Vaz - Vendedor
Rodrigo Rubik - Príncipe
Rodrigo Santoro - Amado
Stênio Garcia - Asmodeu
Suzana Faini – Velha Carpideira
Thainá Pina - Joaninha

A Trama:
- Baseada na obra de Carlos Alberto Soffredini (1939–2001), a minissérie Hoje é dia de Maria apresentou um formato inovador. Para contar as aventuras da doce Maria (Carolina Oliveira) pelo mundo afora, os autores trouxeram elementos folclóricos e míticos presentes em contos populares compilados por Câmara Cascudo, Mário de Andrade e Sílvio Romero. A história é recheada de metáforas e simbolismo, com linguagem, estrutura narrativa e estética baseada nos sonhos.
- Maria é uma menina graciosa e prendada. Sabe cozinhar e fazer um café de dar água na boca de seu pai (Osmar Prado), dono de uma roça que já deu de comer a muita gente da região. Ela enfrenta uma vida dura no roçado, onde o sol forte prejudica a plantação e fez adoecer sua Mãe (Juliana Carneiro da Cunha), que acabou morrendo. Com a morte da mulher, o pai de Maria começa a beber. Além de se sentir sozinho, sem a companheira de tantos anos, o pai ainda sofre pelos filhos que se espalharam pelo mundo fugindo da seca.
- Maria fica feliz quando ele decide se casar novamente. Ela acha que sua Madrasta (Fernanda Montenegro) irá trazer alegria a seu triste Pai. Mas a Madrasta passa a maltratar Maria. A malvada mulher ainda tem uma filha, Joaninha (Thainá Pina), uma menina gordinha, que vive comendo milho. Cansada da perseguição da Madrasta, Maria decide partir. Ela arruma sua trouxinha, coloca uma chavinha no pescoço, e segue em direção às franjas do mar, seu grande sonho. A menina conta com a proteção de um Pássaro, que a acompanha ao longo de toda sua jornada.
- No caminho pela estrada do País do Sol a Pino, lugar onde nunca anoitece, Maria encontra diversos personagens: o Maltrapilho (Rodolfo Vaz), o Homem do Olhar Triste (Rodolfo Vaz) e os meninos Carvoeiros. Enquanto isso, no sítio, o pai sofre com a ausência da filha e resolve partir em sua busca. Sozinha com Joaninha em um lugar abandonado e infértil, a Madrasta decide segui-los, certa de que pai e filha foram em busca de um valioso tesouro.
- A jornada de Maria fica a cada dia mais difícil. Seu primeiro e grande obstáculo chama-se Asmodeu (Stênio Garcia), um homem com quem ela esbarra no caminho. Asmodeu acabara de trocar a sombra do ingênuo Zé Gandaia (Gero Camilo) por um pedaço de pão. Maria decide ajudar Zé Gandaia e, muito esperta, consegue recuperar a sombra de seu mais novo amigo. Ela não contava, no entanto, que arrumara o pior inimigo que poderia ter: Asmodeu, na realidade, é o diabo em carne e osso. Ele resolve perseguir a menina, fingindo ser diferentes personagens. Tudo para confundir e se vingar de Maria.
- A primeira maldade de Asmodeu é roubar a infância da menina, transformando-a em uma mulher, de uma hora para a outra. Crescida e muito triste, Maria (Letícia Sabatella) encontra a Madrasta e sua filha, Joaninha (Rafaella Oliveira), também mais velha. As três mulheres ficam sabendo que um Príncipe (Rodrigo Rubik) promoverá um baile para escolher sua futura esposa. Maria se anima com a idéia, mas logo desiste, pois não tem roupa para ir ao baile. Ela não contava com a ajuda de um Mascate (Rodolfo Vaz) que encontra pelo caminho e lhe consegue um vestido azul da cor do céu e um lindo par de sapatos para ir à festa. O Mascate, no entanto, avisa Maria que, à meia-noite, acaba a alegria. Maria está dançando com o Príncipe quando ouve as badaladas do relógio e sai apressada. Ela deixa um de seus sapatos pelo caminho, e o Príncipe, apaixonado pela bela jovem, consegue encontrá-la. Eles marcam o casamento, mas Maria descobre que, na realidade, ama seu Pássaro protetor, que durante a noite se transforma em um lindo homem chamado Amado (Rodrigo Santoro). Ela desiste do Príncipe e sua sina passa a ser esperar o dia passar para poder abraçar seu amor durante toda a noite.
- Nesse momento da história, a trama ganha mais dois importantes personagens: os irmãos saltimbancos Quirino (Daniel Oliveira) e Rosa (Inês Peixoto). Maria se junta aos dois, e eles passam a levar alegria para o povo em troca de moedas. Tudo parecia correr bem até que Quirino se apaixona por Maria. Ele fica com muito ciúme quando vê sua adorada nos braços de Amado. Asmodeu, que nunca abandona Maria, se aproveita da fraqueza de Quirino e sugere que ele aprisione o Pássaro, para que a jovem fique mais livre para ele.
- Maria acaba perdendo Amado, mas, para sua surpresa, encontra o Pai. Cansado e velho, ele se junta aos saltimbancos e parte com o grupo. Até que um dia, Ceição (Juliana Carneiro da Cunha), a Mãe de Maria, aparece para o marido. Numa bela cena, o Pai segue a mulher, dizendo que sempre a amou. Os dois se sentam em um banco de pedra e dividem um pedaço de bolo de milho, prometendo ficarem juntos dali em diante. Maria acorda e vê o corpo do Pai, imóvel. Ela chama por ele e chora ao perceber que ele morreu.
- Apesar da tristeza pela morte do pai, Maria não desiste de encontrar seu grande amor e parte em busca de Amado. Mais uma vez, Asmodeu dificulta o caminho da pobre Maria: o diabo faz nevar no sertão e congela o Pássaro. Maria o encontra, dentro de um bloco de gelo, imóvel e sem vida. Com a intensidade de seu amor, ela consegue descongelar o coração da ave. Livre do bloco de gelo e nos braços de Maria, o Pássaro se transforma em Amado, e ela chora de felicidade.
- Implacável em sua perseguição, Asmodeu decide transformar Maria em criança novamente, e ela surge no meio do sertão, na mesma estrada onde o diabo lhe tirara a infância. Com sua trouxinha nos braços, ela passa a fazer o caminho inverso, de volta para o sítio de onde partiu, um pouco confusa com suas lembranças. Maria segue sua jornada, temerosa em voltar para a casa onde sua Madrasta certamente irá maltratá-la novamente. No entanto, a menina tem uma grande surpresa ao avistar o sítio do Pai: o lugar está bonito e bem cuidado, com os irmãos e a Mãe ao redor da casa. Maria não entende em que tempo está, mas fica feliz por encontrar a família e a casa toda rodeada de verde.
- É quando Asmodeu aparece para tentar novamente amaldiçoar a vida da pobre menina, mas ela, com a ajuda de um espelho que o amigo Mascate lhe dera, consegue transformar o diabo em uma lata velha. Um Ciganinho (Phillipe Louis) aproxima-se do sítio e de Maria. Os dois brincam e conversam, e, aos poucos, ela percebe que o menino é Amado e todos os outros personagens que a ajudaram em sua travessia. Os dois partem em direção ao mar e, emocionados, avistam a imensidão azul com a qual Maria tanto sonhava.

Produção:
- A minissérie foi toda gravada em um grande domo, o antigo palco onde foi realizado o Rock in Rio III. O espaço, com formato circular, como uma representação do globo terrestre, foi todo reciclado para a produção. A estrutura foi montada sobre o solo natural, de terra, sem base de concreto. Internamente, seu cenário era composto por um ciclorama, todo pintado à mão, de 170m de comprimento por 10m de altura, que circundava toda a extensão da cúpula. O painel é resultado do trabalho do artista plástico Clécio Regis e sua equipe. A tela pesava mais de uma tonelada e consumiu 2.170 litros de tinta. Conforme Maria mudava de paisagem, o ciclorama era repintado, sem precisar ser desmontado.
- Ao todo, 25 profissionais trabalharam durante 50 dias para montar as 48 toneladas de estrutura de aço e os 5.800m² de lona da cobertura. Com 54m de diâmetro e 26m de pé direito, o domo exigiu atenção especial, pois como normalmente as produções trabalham em estúdios retangulares, foi mais trabalhoso transpor as idéias para um cenário em formato circular. Foram necessárias 48 viagens de carreta para que a estrutura do domo fosse finalmente erguida. A novidade também exigiu atenção redobrada em alguns aspectos, como a acústica, que foi resolvida com 3.000m² de painéis acústicos suspensos na parte superior da cúpula.
- As equipes de arte, figurino e iluminação trabalharam com a idéia de reaproveitar materiais. Tudo foi feito de forma quase artesanal. A iluminação, por exemplo, reconstruiu refletores sucateados do antigo Teatro Fênix, no Rio de Janeiro. Foi a solução encontrada, pois os refletores ideais para iluminar o ciclorama não são mais fabricados. Foram usados mais de 420 refletores, além dos quatro focos de luz que dividiam o teto da cúpula e da passarela, por onde se deslocava o refletor de 20 mil watts que, às vezes, representava o sol.
- Para o figurino, a equipe vasculhou o acervo da Rede Globo para recriar peças a partir de outras, aposentadas. Os profissionais utilizaram técnicas e materiais não tradicionais. Alguns figurinos exigiram maior trabalho, como a roupa de palha tecida por passarinhos para Maria. A equipe também contou com o trabalho do estilista Jun Nakao, que construiu roupas de papel para diversos personagens. No total, foram usadas mais de 850 folhas de papel prensado com texturas. Além do Príncipe e da Mucama (Denise Assunção), as roupas de papel vestiram bonecos na cena do baile.
- A produção de arte precisou passar todos os objetos usados em cena por um processo de envelhecimento ou adequá-los à linguagem estética da minissérie. Foram criados desde folhas de milho a estandartes de festas populares. O artista plástico Raimundo Rodrigues criou objetos especiais importantes na narrativa, como coroas, adereços de cabeça, carroças e gaiolas. Nordestino, criado no Rio de Janeiro, Raimundo Rodrigues trabalha com materiais descartados, considerados sucata. Ele também foi responsável pela construção do Asmodeu em lata e dos cavalos dos Cangaceiros (Marco Ricca, Ilya São Paulo e Aramis Trindade). Os cavalos foram feitos em tamanho real, com fibra de vidro, e ganharam ares de pelagem com a mistura de diversos tecidos e retalhos. Raimundo usou ainda papel laminado e uma tintura envelhecida para criar o aspecto de armadura e transformou chapinhas de garrafa em medalhas. Outra criação do artista foi o Morto. Inspirado em Portinari, o personagem tinha as mãos, pés e rosto avantajados, tudo esculpido em madeira. Para o corpo, ele usou pano e serragem.
- A minissérie reuniu também profissionais do grupo de teatro de bonecos Giramundo, responsáveis pela construção do clima lúdico da história. Entre os muitos bonecos criados para a produção, o Pássaro, par romântico da heroína da minissérie, mereceu atenção especial. Sua confecção exigiu um verdadeiro trabalho de equipe dos integrantes do Giramundo: Ulisses Tavares desenvolveu o corpo, Sophia Felipe, as patas, garras, cabeça e crista, e Eduardo Félix encontrou a asa ideal, em formato de “leque”, e o rabo da ave. Pesando 12 quilos, todos os elementos do Pássaro eram manipulados através de 20 fios e foram necessários dois meses para que o produto final fosse finalmente construído. Depois disso, o Pássaro ainda passou pelas mãos do artista plástico Raimundo Rodrigues, que trabalhou com o metal, material não utilizado em marionetes, para o acabamento final. O objetivo era transformar o pássaro em uma figura mítica. Com papel alumínio e spray dourado, Raimundo Rodrigues construiu uma carcaça metálica para a ave. O resultado chamou a atenção do telespectador.
- Além das inúmeras inovações em seu formato, a minissérie contou também com cenas de animação, dirigidas por César Coelho, um dos diretores do festival Anima Mundi. Tanto nas seqüências em que Maria encontra os Executivos (Charles Frick e Leandro Castilho) quanto no baile do Príncipe, foi usada a técnica pixillation, em que cada gesto dos atores era fotografado e, posteriormente, animado.
- A preparação do elenco de Hoje é dia de Maria foi extremamente cuidadosa. Cerca de um mês e meio antes das gravações começarem, os atores tiveram oficinas de corpo, canto, prosódia e dança, para auxiliar na composição de seus personagens. Alguns atores tiveram aulas de música especiais, como Daniel de Oliveira, cujo personagem tocava violino; Inês Peixoto e Rodolfo Vaz, cujos personagens tocavam sanfona; e Gero Camilo, que teve aulas de pandeiro.
- Toda a equipe da minissérie participou de um seminário sobre a obra de Cândido Portinari, conferido por João Cândido Portinari, filho do pintor e responsável pelo Projeto Portinari. A iniciativa de Luiz Fernando Carvalho pretendia familiarizar todos os envolvidos no projeto da minissérie com o universo do qual ela tratava. Produção e elenco também participaram de um workshop com o psiquiatra Carlos Byington, sobre arquétipos e mitos.
- Outro desafio do elenco foi interpretar a legítima fala caipira. Para isso, a prosódia teve papel fundamental na narrativa. O texto original da minissérie foi escrito a partir das pesquisas do dramaturgo Carlos Alberto Soffredini sobre a fala caipira. Foram feitas inúmeras leituras com o elenco até que os atores acostumassem seus ouvidos e se sentissem à vontade com suas falas.
- Com imagem em alta definição, a minissérie foi gravada com duas câmeras HD.

Curiosidades:
- A estreante Carolina Oliveira foi escolhida entre duas mil crianças pelo diretor Luiz Fernando Carvalho para dar vida à protagonista da história. Além de participar das oficinas com o elenco, Carolina foi ensaiada pela atriz Maria Clara Fernandez.
- Luiz Fernando Carvalho trabalhava no projeto de Hoje é dia de Maria há 12 anos. Por ocasião das comemorações dos 40 anos da Rede Globo, o diretor pôde realizar seu trabalho, merecedor de inúmeros elogios da crítica especializada e dos telespectadores. Hoje é dia de Maria apresentou excelentes índices de audiência.
- Metre Salustiano, de Pernambuco, um dos maiores rabequeiros da América Latina, fez uma participação especial na minissérie. Ele tocou rabeca ao lado do filho Pedro, percussionista, na cena em que Maria se encontra com um grupo de retirantes.
- A Folia Reisado Flor do Oriente, de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, participou das gravações da cena do casamento do Pai de Maria com a Madrasta. Com mais de 130 anos de tradição, passada de pai para filho, a Folia não está acostumada a sair fora de época, mas os participantes se envolveram de tal modo com o projeto da minissérie que decidiram participar do cortejo fictício. Mestre Tião, um dos membros da Folia, chegou a fazer versos sobre a trama que gravaram: o casamento da viúva. Além dos próprios estandartes, eles usaram os fardamentos tradicionais, que sofreram apenas pequenos ajustes da equipe de figurino.
- No mesmo ano, a minissérie ganhou uma segunda edição: Hoje é dia de Maria, segunda jornada, exibida entre os dias 11 e 15 de outubro. Na segunda jornada, Maria chega à cidade grande, onde vive outras aventuras e desafios.
- Hoje é dia de Maria recebeu prêmios internacionais e nacionais: Input International Board TAIPEI 2005; foi finalista no International Emmy Awards 2005, nas categorias Minissérie para TV e Melhor Atriz (Carolina Oliveira); Hors Concours BANFF Canadá 2006; nomeação e exibição no Prix Jeunesse International Alemanha 2006; Grande Prêmio da Crítica APCA 2005; Prêmio Qualidade Brasil 2005, nas categorias Melhor Projeto Especial de Teledramaturgia, Melhor Autor de Teledramaturgia (Carlos Alberto Soffredini com adaptação de Luís Alberto de Abreu e Luiz Fernando Carvalho), Melhor Atriz Revelação de Teledramaturgia (Carolina Oliveira) e Melhor Diretor de Teledramaturgia (Luiz Fernando Carvalho); Prêmio Mídia 2005 (Midiativa); Prêmio ABC 2006, na categoria Melhor Fotografia Programa de TV (José Tadeu Ribeiro); Prêmio Contigo! 2006, nas categorias Diretor (Luiz Fernando Carvalho) e Atriz Infantil (Carolina Oliveira).
- O roteiro da minissérie chegou às livrarias pela Editora Globo, em 2005. Em dezembro de 2006, Hoje é dia de Maria foi lançada em DVD. Com três discos, a edição traz a íntegra da primeira e segunda jornadas.

Trilha sonora:
- Tim Rescala foi responsável pela produção musical da minissérie. Além de composições inéditas, Tim Rescala fez novos arranjos para canções de Villa-Lobos e para obras de Guerra Peixe, Francisco Mignone, Alceu Boquino, entre outros. O único compositor estrangeiro presente na trilha sonora de Hoje é dia de Maria é Georges Bizet, cuja música Canção do toreador ganhou novo arranjo para trompete, trombone, clarinete e percussão.
- Para gravar as músicas incidentais, Tim Rescala regeu a Orquestra de Câmara Rio Strings, com quinze instrumentos de cordas, e convidados, com nove instrumentos de sopro (flauta, oboé, clarinete, fagote, trompete, duas trompas e dois trombones), três de percussão e uma harpa. Instrumentos típicos do folclore brasileiro, como violão, viola caipira e rabeca, estiveram presentes em quase todas as músicas da trilha.
- Em algumas músicas, os próprios atores cantam, acompanhados pela base instrumental tocada por Tim Rescala ou por seu assistente, Marcus Ferrer. Letícia Sabatella e Rodrigo Santoro, por exemplo, cantam juntos Melodia sentimental, de Villa-Lobos. Os dois atores também interpretam a mesma música sozinhos: ela, com arranjo de flauta, celo e violão, e ele, acompanhado de um piano acústico.


Fonte: Memória Globo

Mad Maria



Autoria: Benedito Ruy Barbosa
Direção: Amora Mautner
Direção geral: Ricardo Waddington e José Luiz Villamarim
Direção de núcleo: Ricardo Waddington
Período de exibição: 25/01/2005 – 25/03/2005
Horário: 23h
Nº de capítulos: 35

Elenco:
Ana Paula Arósio - Consuelo
André Bankoff - Operário Alemão
André Frateschi - Enfermeiro Ted
Antonio Fagundes - J. de Castro
Arthur Kohl - King John
Bukassa - Jonatha
Camilo Bevilacqua - Hans
Cássia Kiss - Amália
Cláudia Raia - Tereza
Creo Kellab - Dick
Débora Olivieri - Harriet
Eddie Janssen - Joseph
Edwin Luisi - Mackenzie
Eliana Guttman - Dona Inês
Ester Jablonski - Maria
Evandro Soldatelli - Harold
Fábio Assunção - Richard Finnegan
Felipe Kannenberg - Rapaz Alemão
Fidellis Baniwa - Joe Caripuna
Gabriel Tacco - Alonso
Genézio de Barros - Thomas
Gilbert Stein - Antônio
José Rubens Chacha - Coronel Agostinho
Juca de Oliveira - Stephan Collier
Luciano Chirolli - Adams
Marcelo Serrado - Enfermeiro Jim
Marcos Suchara - Gunter
Milton Andrade - Gustav
Nicolas Rohrig - Operário Alemão
Othon Bastos - Presidente Marechal Hermes da Fonseca
Priscila Fantin - Luiza
Renato Borghi - Rui Barbosa
Tácito Rocha - Vice-Ministro
Tony Ramos - Percival Farquhar
Walmor Chagas - Dr. Lovelace

A Trama:
- Baseada no romance homônimo de Márcio Souza, Mad Maria conta a história da construção da grandiosa ferrovia Madeira-Mamoré, no Norte do Brasil, um dos maiores desafios arquitetônicos do início do século XX. No coração da Floresta Amazônica, foi construída uma estrada de ferro que cortava a selva, modificando a vida daquela região inóspita. A ferrovia atendia a interesses políticos e comerciais de autoridades nacionais e estrangeiras, porém custou a vida de milhares de trabalhadores, que durante anos se dedicaram à construção.
- A narrativa é dividida em dois grandes núcleos principais, separados geograficamente: enquanto uma parte da história se passa no meio da Floresta Amazônica, durante a construção da estrada de ferro, a outra trama tem como pano de fundo o Rio de Janeiro do início do século XX, então capital federal. Através desses dois cenários opostos, Mad Maria mostra o cotidiano dramático dos homens que trabalharam duro para finalizar a ferrovia, contrastando-o com o glamour e efervescência da vida dos políticos e empresários da capital, como o americano Percival Farquhar (Tony Ramos), personagem importante na história.
- O acordo para a construção da ferrovia data de 1903, quando foi assinado o Tratado de Petrópolis, uma vitória diplomática do governo brasileiro para evitar desavenças com o governo boliviano pela disputa do território do Acre. O acordo facilitou o desenvolvimento das relações de comércio e a boa vizinhança. Neste tratado, ficou acertado que o governo brasileiro construiria uma ferrovia em Rondônia, ligando a vila de Santo Amaro à Guajará-Mirim, em troca do estado do Acre.
- Em agosto de 1912, foi concluída a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, com mais de 360 quilômetros de extensão, pela empresa Madeira Mamoré Railway Co., de Percival Farquhar, que comprou de outra empresa a concessão do governo para construí-la. A ferrovia foi criada para transpor as 19 cachoeiras que impediam a navegação no trecho entre os rios Madeira e Mamoré. O objetivo era transportar a borracha produzida na Bolívia até o rio Amazonas e, de lá, ao oceano Atlântico, de onde seria exportada. No entanto, quando a estrada finalmente ficou pronta, a borracha já não dava tanto lucro como antes.
- A história começa em 1911, um ano antes da finalização da estrada de ferro. Na Floresta Amazônica, um triângulo amoroso formado por Consuelo (Ana Paula Arósio), Richard Finnegan (Fábio Assunção) e Joe Caripuna (Fidellis Baniwa) conduz a narrativa. A pianista Consuelo sofre um naufrágio nas corredeiras do rio Madeira junto com o marido, Alonso (Gabriel Tacco), quando tentavam atravessar as perigosas cachoeiras transportando um piano de cauda. Esse era o sonho de Consuelo: levar o piano até Guajará-Mirim, onde ela e o marido tinham uma casa. A travessia era arriscada, mas Alonso queria realizar o sonho de seu grande amor. Com o acidente, Alonso morre, mas Consuelo sobrevive. Desesperada, ela entra no meio da selva e passa a viver dias de angústia e perigo. Fraca, ferida e muito doente, é encontrada pelos operários que trabalham na construção da ferrovia e levada à enfermaria do acampamento. Ali, ela consegue se recuperar do trauma que sofrera e, aos poucos, reinicia sua vida. Inicialmente, Consuelo perde a memória, mas, com o tempo, consegue se lembrar de sua história. Ela conhece Joe Caripuna, um índio que cerca o acampamento de operários, curioso com o movimento em torno da ferrovia. Consuelo aproxima-se de Joe, tornado-se sua grande amiga. Joe se encanta pela bela e doce mulher e passa a adorá-la. No acampamento, Consuelo também conhece o médico americano Richard Finnegan, responsável por salvar sua vida.
- Recém-chegado dos Estados Unidos, Richard Finnegan chega à Floresta Amazônica em 1911 para trabalhar como médico da equipe responsável pelo empreendimento. Quem o estimulou a aceitar o desafio foi Dr. Lovelace (Walmor Chagas), médico da Madeira Mamoré Railway Co., responsável pelo hospital em Porto Velho, principal hospital da região onde se constrói a ferrovia. Lovelace conheceu Richard quando esteve nos Estados Unidos, proferindo uma palestra sobre doenças tropicais. O médico veterano impressionou-se com a vocação do jovem profissional.
- Feliz com o novo desafio, Richard aceita o convite de Lovelade e fica deslumbrado com a beleza e força da Floresta Amazônica. No entanto, ao conhecer de perto as condições dos trabalhadores da ferrovia, entra em choque. O jovem médico acreditava que viria ao Brasil para pesquisar sobre doenças tropicais e salvar vidas. Mas Richard se vê às voltas com atestados de óbitos e doenças incuráveis. Quando Consuelo chega ao acampamento, fica sob seus cuidados, despertando a paixão da jovem pianista. Ele também se apaixona por ela, mas tem receio de se declarar.
- O experiente engenheiro inglês Stephan Collier (Juca de Oliveira) é outro personagem central na história. Ele é um experiente profissional, responsável pelo empreendimento, que tem em seu currículo a construção do Canal do Panamá. Collier sabe que a construção da ferrovia brasileira é o maior desafio de sua carreira, pois além das condições precárias do local, do forte calor, do risco de contrair uma doença grave e da falta de medicamentos adequados, o clima prejudica o andamento da empreitada. Chuvas torrenciais são responsáveis pela destruição do trabalho de dias, desestimulando a equipe. Por isso, ele comanda seus operários com mãos de ferro, chegando a tomar atitudes muitas vezes injustas e desumanas. Seu braço direito é Jonathan (Bukassa Kabengele), líder do grupo de operários de Barbados. Para realizar a grande obra da ferrovia em plena selva, homens de diversos países foram recrutados. Esse é outro motivo de tensão em meio ao trabalho na selva: alemães, chineses, italianos, barbados, entre outros, vivem entrando em conflitos que, muitas vezes, acabam em morte.
- Paralelamente aos desdobramentos na selva amazônica, no Rio de Janeiro, a minissérie apresenta a história de Luiza (Priscila Fantin), uma jovem bonita que vê sua vida mudar inteiramente ao conhecer o influente Juvenal de Castro (Antonio Fagundes). Ministro da Viação e Obras Públicas do Governo Hemes da Fonseca (Othon Bastos), J. de Castro é um homem importante, ético e incorruptível, respeitado no meio político, que almeja ser eleito governador da Bahia. Luiza mora com os pais, Maria (Ester Jablonski) e Antônio (Gilbert Stein), em Mata Cavalo, bairro do centro da capital federal, onde trabalha na venda da família. Um contratempo leva Juvenal de Castro a passar por ali e cruzar com a jovem, por quem fica encantado. Alguns dias depois, Luiza recebe um convite do ministro para ir morar em uma casa em São Cristóvão. A jovem avisa aos pais que está indo embora e parte, convicta de que tirara a sorte grande. Com o tempo, Luiza descobre que J. de Castro é um homem importante, casado há muitos anos com Amália (Cássia Kiss), e pressente que ele nunca irá abandonar a mulher para assumi-la. Insatisfeita, Luiza acaba se envolvendo com um dos maiores inimigos do amante, o empresário mais importante do Brasil, Percival Farquhar.
- J. de Castro vive tentando impedir que Farquhar consiga concessões do governo brasileiro para construir suas empresas no país. O ministro também é contra a obra da ferrovia e declara-se publicamente contrário ao empreendimento, despertando ainda mais a ira de Farquhar. Para chantagear o ministro e conseguir a liberação para suas empresas realizarem obras pelo país, Farquhar decide usar Luiza. Através da cabeleireira Tereza (Claudia Raia), apaixonada por Farquhar, ele consegue seduzir a amante do ministro. Por orientação do empresário, Tereza aproxima-se da jovem, com o objetivo de conseguir informações sobre J. de Castro, e acaba envolvendo-a numa perigosa trama que ameaça o futuro político do ministro. Tereza é uma mulher alegre e romântica, capaz de tudo para agradar seu grande amor, Farquhar, mesmo sabendo que ele jamais a assumirá.
- A notícia de que o ministro tem uma amante se espalha e sua reputação começa a ser questionada nos bastidores da política. Acuado, J. de Castro acaba confessando à mulher que mantém um caso com a jovem Luiza, e Amália, surpreendentemente, diz que estará ao lado do marido para o que for preciso. Amália é uma mulher elegante, discreta e fria. Companheira dedicada de J. de Castro, ela não permite que o marido a toque, e os dois dormem em quartos separados. Apesar da falência na vida conjugal, Amália é a maior admiradora e incentivadora do marido. Ao saber dos rumores sobre a vida privada de J. de Castro, ela o aconselha a agir rápido para não prejudicar sua carreira política. Farquhar consegue suas concessões, e Luiza acaba sendo obrigada a partir com seus pais para Portugal, afastando-se definitivamente do convívio de J. de Castro.
- Enquanto isso, na Floresta Amazônica, o jovem e aterrorizado Richard vai ganhando força e torna-se um líder entre os operários. Ele impõe cuidados e prevenções médicas, como obrigar que todos tomem quinino, único remédio que garante a imunidade contra a malária, e se mostra disposto a lutar pela vida daqueles homens. Richard apaixona-se cada vez mais por Consuelo, mas não se sente seguro para se aproximar. Introspectivo e um pouco tímido, Richard não sabe se ela tem algum interesse pelo índio Joe, que vive a seu lado. O carinho que Consuelo tem pelo índio desperta ciúmes e insegurança em Finnegan. Além disso, o engenheiro Collier vive levantando suspeitas a respeito da relação entre os dois, aumentando ainda mais a confusão na cabeça do médico.
- Consuelo se afeiçoara muito a Joe, que, de fato, alimenta uma paixão por ela. No decorrer da história, ela e o índio se aproximam cada vez mais, principalmente depois que ela o ensina a tocar piano com os pés. Por vingança, um grupo de trabalhadores alemães amputaram as duas mãos do índio depois de descobrirem que ele roubara alguns pequenos objetos do acampamento. No final da minissérie, Joe morre, vítima de tuberculose. Mas apesar da grande atenção que Consuelo tem com Joe, ela o vê apenas como um grande amigo. Seu verdadeiro amor é Richard. Depois de muitas dúvidas e desencontros, Richard e Consuelo finalmente ficam juntos, mas a felicidade dos dois não dura muito tempo. Grávida dele, ela decide fugir, pois não quer atrapalhar seus planos profissionais. A única que sabe do segredo de Consuelo é a amiga Harriet (Débora Olivieri), uma enfermeira casada com um dos engenheiros da Madeira Mamoré.
- Ao saber que Consuelo partiu, Richard fica arrasado. Ele pergunta a Harriet sobre as razões que a levaram partir e para onde ela foi, mas a enfermeira diz que Consuelo não deixou pistas de seu paradeiro. Harriet revela a Richard que ela partiu esperando um filho dele, deixando-o ainda mais triste.
- No último capítulo da minissérie, há uma passagem de tempo. Um índio seringueiro aparece no consultório de Richard, em Porto Velho, e lhe conta que conhecera um menino, chamado Joe Richard, que vive com a mãe, uma linda mulher, no meio da floresta, junto com uma tribo indígena. Richard tem certeza de que é Consuelo e seu filho. Há mais uma passagem de tempo, e a narrativa passa para 2005. Em Rondônia, um guia turístico conta a um repórter histórias sobre a construção da ferrovia Madeira-Mamoré. O repórter pergunta sobre o destino do médico americano Richard Finnegan, e o guia lhe diz que, segundo a lenda local, Richard se embrenhou no mato atrás de sua mulher e nunca mais foi visto.
- Após muitos anos e inúmeras mortes, a ferrovia é finalizada em 01 de agosto de 1912, para felicidade de Farquhar. No entanto, Rui Barbosa (Renato Borghi), advogado e conselheiro do empresário, não tem boas notícias para lhe dar: nesse momento, o Brasil havia perdido o monopólio da borracha e, por isso, a Mad Maria corria o risco de ser abandonada. Farquhar, então, decide comunicar ao presidente Hermes da Fonseca que abre mão da concessão da estrada, desde que receba o que gastou para construí-la, mas o presidente informa que o governo não está interessado na proposta. Farquhar sente-se derrotado e vai à falência.
- Outros personagens importantes na história são os enfermeiros Ted (André Frateschi) e Jim (Marcelo Serrado), que trabalham ao lado de Richard; Mackenzie (Edwin Luisi), um dos diretores do Sindicato Farquhar e representante de seus interesses no Brasil; e Inês (Eliana Guttman), antiga empregada da família de J. de Castro, que vai trabalhar na casa de Luiza, de quem se torna confidente.

Produção:
- A equipe da Rede Globo contou com o apoio do governo de Rondônia, que investiu na recuperação de oito quilômetros da ferrovia, no restauro de uma locomotiva e na cessão de operários, médicos e policiais para acompanhar as equipes de gravação. Ao todo, a minissérie mobilizou cerca de 400 profissionais em Rondônia. As gravações na cidade foram um desafio, cumprido com sucesso pela equipe de produção da minissérie, que começou a pesquisar locação em março de 2004. A direção optou por gravar nos mesmos locais onde se passa a trama original, no pequeno vilarejo de Abunã e na cidade de Santo Antônio, em Rondônia. Foram recuperados oito quilômetros de trilhos da ferrovia original, para reconstruir o acampamento, e a frente de trabalho da construção da Madeira-Mamoré do início do século XX. Foi necessário reconstruir seis quilômetros de trilhos, que estavam soterrados por barro e mato, e reformar a Mad Maria, nome da máquina que há um século abria a estrada de ferro.
- O diretor Ricardo Waddington viajou para Rondônia com equipe e elenco. Todos tiveram que tomar vacinas contra sarampo, hepatite A, difteria, tétano, caxumba e rubéola. Era o necessário para passar cerca de 50 dias gravando em plena Floresta Amazônica. A equipe ficou hospedada no município de Guajará-Mirim, a 160 km do local de gravação. Mais de 450 pessoas trabalharam direta e indiretamente no set de Abunã. O local de gravação ficava a quatro quilômetros da base de produção, e somente nos dois quilômetros iniciais era possível circular de carro. Daí em diante, só a pé ou num pequeno vagão usado para transportar equipamento, alimentação, figurino e etc. Em Santo Antônio, cidade a cerca de dez quilômetros de Porto Velho, foram recuperados dois quilômetros de trilhos e reconstituídas com fidelidade as barracas do acampamento dos operários das obras.
- A figuração era composta por 150 pessoas da região. Os figurantes chamavam atenção pela diversidade de suas características físicas, semelhantes às dos operários que chegaram ao Brasil para construir a ferrovia. Alguns eram descendentes de funcionários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Ao todo, as equipes de produção, direção e elenco ficaram cerca de dois meses em Rondônia. Em média, 350 refeições eram servidas diariamente, além de frutas e picolés, consumidos nos intervalos das gravações. A quantidade de água consumida pela equipe também chamou a atenção: aproximadamente 35.000 litros.
- Outro desafio da equipe de Mad Maria era recriar o Rio de Janeiro de 1910. As equipes de cenografia e computação gráfica trabalharam a partir de fotos da época e maquetes. Através do recurso de animação gráfica, foram inseridas imagens de pessoas em movimento. O Palácio Monroe, ex-sede do Senado Federal, também foi reproduzido na minissérie. O prédio, que foi demolido na década de 1970, era o local de trabalho do ministro Juvenal de Castro. A fachada e a entrada do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, também serviram como locação para a minissérie. A parte interna foi toda recriada em cenários grandiosos. O corredor que ligava o gabinete presidencial aos demais gabinetes de seus assessores tinha mais de 15m de cumprimento. Outros locais no Rio de Janeiro também serviram de locação para Mad Maria, como o prédio do Tribunal Regional Eleitoral e a Confeitaria Colombo, no Centro da Cidade, o parque da Quinta da Boa Vista e a casa da Marquesa de Santos, também na Quinta da Boa Vista.
- A minissérie também teve cenas gravas nos estúdios do Projac, no Rio de Janeiro. Foi construído um set cenográfico de um bairro no subúrbio carioca, onde morava a família de Luiza, e o bairro de São Cristóvão, onde ficava a casa que Juvenal deu à amante. As casas dos dois bairros foram construídas com arquitetura colonial do princípio do século. A cidade cenográfica de Mad Maria que reconstitui a cidade de Porto Velho em 1910 foi montada em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro. No mesmo local foi produzida uma réplica do Hospital da Candelária, o principal da região, que teve parte de seus 17 prédios reproduzidos em computação gráfica.
- Uma das grandes dificuldades da produção de arte foi descobrir uma foto de Percival Farquhar na época em que se passa a minissérie. Após inúmeras pesquisas, a equipe só encontrou fotografias do empresário muito jovem ou muito velho. A solução foi simular, através dessas fotos, como ele seria, para poder realizar a caracterização de Tony Ramos.
- A maquiagem também teve papel fundamental na produção. A equipe se dividiu em duas, sendo uma responsável pela maquiagem de efeitos. Com técnicas específicas, os profissionais reproduziam os ferimentos, as picadas e as reações alérgicas de diversos personagens da história. A maquiagem de Collier, por exemplo, que ficava com os cotovelos deformados por picadas inflamadas, levava uma hora para ser feita. A de Consuelo, que após o naufrágio do início da minissérie fica muito machucada, demorava duas horas para ser finalizada. Contrastando com as condições precárias da selva, o núcleo dos personagens que viviam no Rio de Janeiro exibia maquiagem e penteados exuberantes.
- Para criar os figurinos, a equipe inspirou-se no período final da Belle Époque e na estética de alguns filmes, como Barry Lyndon, de Stanley Kubrick, O leopardo, de Luchino Visconti, Moça com brinco de pérola, de Peter Webber, e Gangues de Nova York, de Martin Scorsese. Para retratar o estilo conservador dos personagens que freqüentavam o governo, a figurinista buscou inspiração em figuras históricas como o Barão do Rio Branco. O figurino da personagem Tereza chamava atenção pela combinação de cores e valorização de detalhes. Apesar de não ser rica, a personagem usava a criatividade para se produzir de forma alegre e elegante. Para criar o visual do núcleo de trabalhadores da Estrada Madeira-Mamoré, a equipe tingiu as roupas até chegar ao aspecto desgastado e sujo. Além disso, os estrangeiros eram diferenciados através das cores de suas roupas. Entre os chineses, por exemplo, a cor predominante era o azul. Outra curiosidade no figurino dos operários era a calça jeans usada pelo enfermeiro Ted. Americano, ele trouxe a novidade para o Brasil. Consuelo era a única figura feminina do núcleo de Rondônia. Ao longo da história, a personagem passa por diversas mudanças. Seu primeiro figurino é romântico. Num segundo momento, após o acidente com o piano no rio Madeira, ela se veste como um homem, pois não há roupas femininas no acampamento. No final da história, quando a personagem se muda para Porto Velho, ela adota um estilo prático, com roupas leves e claras.
- A abertura de Mad Maria foi produzida a partir de fotos do americano Dana Merrill, fotógrafo que acompanhou todas as etapas da construção da ferrovia, de 1907 a 1912. As fotos selecionadas foram sobrepostas com imagens gravadas pela equipe em Rondônia. Um fio vermelho percorria o caminho dos trilhos da estrada de ferro, simbolizando o sangue derramado na construção do empreendimento.
- A minissérie também lançou mão de efeitos especiais em 3D. Os efeitos foram usados nas cenas de brigas entre os diferentes povos que vieram para o Brasil construir a ferrovia. Em uma das seqüências, um dos operários é decaptado, e, em outra, as mãos do índio Joe Caripuna são cortadas.
- Para dar vida à Consuelo, Ana Paula Arósio precisou aprender a tocar piano, especialmente O guarani, de Carlos Gomes. Ela teve aulas de piano durante dois meses antes do início das gravações.

Curiosidades:
- Mad Maria era um projeto que a Rede Globo acalentava há duas décadas. Há vinte anos atrás, o autor Benedito Ruy Barbosa adaptou o livro de Márcio Souza para uma minissérie. Mas, por falta de recursos técnicos necessários, o projeto ficou suspenso e só veio a ser realizado quase vinte anos mais tarde, em comemoração aos 40 anos da emissora.
- O título da minissérie Mad Maria é uma junção da palavra inglesa mad, que significa louca, representando o sonho ufanista de construir a ferrovia, e Maria, nome das antigas locomotivas movidas a carvão.
- Pela segunda vez os atores Fábio Assunção e Ana Paula Arósio fizeram par romântico em uma minissérie da Rede Globo. Em 2001, eles deram vida a Carlos Eduardo e Maria Eduarda, em Os Maias, minissérie de Maria Adelaide Amaral, baseada na obra de Eça de Queiroz, com direção de Luiz Fernando Carvalho.
- O ator Fidelis Baniwa, que deu vida ao índio Joe Caripuna na história, é da tribo Baniwa – os Baniwa vivem na fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela. O ator, nascido em Santa Isabel do Rio Negro, em Igarapé, Amazonas, mudou-se para Manaus para estudar teatro. Mad Maria foi seu primeiro trabalho em televisão.
- O ator Fábio Assunção lembra de um fato curioso sobre as gravações de Mad Maria. Segundo ele, o mosquito transmissor da malária acabou regendo os horários de trabalho da equipe. Como o inseto costuma atacar ao amanhecer e ao anoitecer, a equipe procurava gravar a partir das 8h e nunca passar das 17h.
- Durante a exibição da minissérie, três livros sobre a estrada Madeira-Mamoré foram relançados: Mad Maria, de Márcio Souza, Trem-Fantasma, de Francisco Foot Hardman, e A ferrovia do diabo, de Manoel Rodrigues Ferreira. O livro de Márcio de Souza, sucesso editorial nos anos de 1980, chegou a vender 17.000 exemplares em apenas um mês.
- Em 2005, a Editora Globo lançou o livro Uma saga amazônica através da minissérie Mad Maria, que contava a história da construção da ferrovia e falava sobre os bastidores e produção da minissérie da TV Globo.

Trilha sonora:
- A trilha sonora da minissérie foi orquestrada e dirigida por Alberto Rosenblit. O tema de abertura foi feito por Marcelo Barbosa. Para as seqüências que retratavam a construção da estrada de ferro, Paulinho Santos, do grupo mineiro Uakiti, criou uma trilha especial, assim como para as cenas do Rio de Janeiro, pontuadas por canções de Alberto Rosenblit.


Fonte: Memória Globo

quinta-feira, 25 de março de 2010

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2005 - Hoje é Dia de Maria
2005 - Hoje é Dia de Maria: Segunda Jornada

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